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A questão da comida para os ribeirinhos do Território do médio Juruá, Amazonas: cultura e (in)segurança alimentar
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O modo de vida de populações amazônidas ribeirinhas é alinhado com a natureza e se utiliza de recursos naturais e do espaço para garantir sua alimentação. A capacidade dos alimentos de conferir identidade a essa cultura traz o peixe, a farinha de mandioca, carne de caça e frutas como alimentos tradicionais para essa população. Porém, o acesso a mercados, a crescente dependência de alimentos industrializados, a sazonalidade dos alimentos e as condições socioeconômicas estão influenciando seus hábitos alimentares locais e o nível de segurança alimentar. A realidade social e econômica destas populações pode contrastar com a riqueza biológica e cultural e diferentes fatores fazem com que ocorram lacunas de informações acerca da insegurança alimentar e efetivação de políticas que promovam a segurança alimentar. Tendo em vista a complexidade e a heterogeneidade do território amazônico e a importância do entendimento da região estudada, este trabalho teve por objetivo identificar a diversidade alimentar, compreender padrões de consumo sazonais, e, determinar os efeitos relativos de fatores sociais, ambientais e político-administrativos sobre o nível de segurança alimentar de populações ribeirinhas localizadas no curso médio do rio Juruá, um rio de água branca localizado no sudoeste da Amazônia brasileira. Foram coletadas variáveis demográficas, socioeconômicas e alimentares por meio de questionários semiestruturados aplicado às mulheres moradoras de 33 comunidades dentro e fora de áreas de conservação, durante as duas secas extremas históricas de 2023 e 2024. Aplicamos os questionários no final da estação de seca e no final da estação de cheia dos rios. Uma alta diversidade alimentar no Território do médio Juruá foi identificada, com a alimentação sendo influenciada pelos recursos naturais, estações do ano e diferentes estratégias de acesso aos alimentos. Apesar da diversidade encontrada, que caracteriza a padrão tradicional, o consumo de produtos ultraprocessados foi observado, o que pode causar um impacto na saúde das pessoas e mudanças na cultura local. Conhecer esses padrões é fundamental para a valorização dos alimentos tradicionais e desenvolvimento de políticas que promovam a segurança alimentar. Os altos níveis de insegurança alimentar encontrados foram influenciados pela sazonalidade, condições socioeconômicas e ambientais. Os determinantes da insegurança alimentar foram, além da estação de seca, a baixa renda, a ausência de cantinas comunitárias e a presença de regatões. A dependência de diferentes benefícios sociais, como o Bolsa Família, ajuda a garantir o acesso a alimentos, mas também pode reduzir a autonomia e a diversidade na alimentação, favorecendo dietas monótonas e o consumo de produtos industrializados. Os resultados encontrados auxiliaram na identificação da influência da sazonalidade na alimentação e de vulnerabilidades na área demonstrando a falta do acesso regular e permanente em qualidade e quantidade o suficiente de alimentos para a população ribeirinha. Em vista disso, o estudo pode auxiliar na implementação, adaptação e efetividade de políticas regulatórias de segurança alimentar e nutricional, inclusão econômica e as atividades agrícolas e sustentáveis.
Title: A questão da comida para os ribeirinhos do Território do médio Juruá, Amazonas: cultura e (in)segurança alimentar
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O modo de vida de populações amazônidas ribeirinhas é alinhado com a natureza e se utiliza de recursos naturais e do espaço para garantir sua alimentação.
A capacidade dos alimentos de conferir identidade a essa cultura traz o peixe, a farinha de mandioca, carne de caça e frutas como alimentos tradicionais para essa população.
Porém, o acesso a mercados, a crescente dependência de alimentos industrializados, a sazonalidade dos alimentos e as condições socioeconômicas estão influenciando seus hábitos alimentares locais e o nível de segurança alimentar.
A realidade social e econômica destas populações pode contrastar com a riqueza biológica e cultural e diferentes fatores fazem com que ocorram lacunas de informações acerca da insegurança alimentar e efetivação de políticas que promovam a segurança alimentar.
Tendo em vista a complexidade e a heterogeneidade do território amazônico e a importância do entendimento da região estudada, este trabalho teve por objetivo identificar a diversidade alimentar, compreender padrões de consumo sazonais, e, determinar os efeitos relativos de fatores sociais, ambientais e político-administrativos sobre o nível de segurança alimentar de populações ribeirinhas localizadas no curso médio do rio Juruá, um rio de água branca localizado no sudoeste da Amazônia brasileira.
Foram coletadas variáveis demográficas, socioeconômicas e alimentares por meio de questionários semiestruturados aplicado às mulheres moradoras de 33 comunidades dentro e fora de áreas de conservação, durante as duas secas extremas históricas de 2023 e 2024.
Aplicamos os questionários no final da estação de seca e no final da estação de cheia dos rios.
Uma alta diversidade alimentar no Território do médio Juruá foi identificada, com a alimentação sendo influenciada pelos recursos naturais, estações do ano e diferentes estratégias de acesso aos alimentos.
Apesar da diversidade encontrada, que caracteriza a padrão tradicional, o consumo de produtos ultraprocessados foi observado, o que pode causar um impacto na saúde das pessoas e mudanças na cultura local.
Conhecer esses padrões é fundamental para a valorização dos alimentos tradicionais e desenvolvimento de políticas que promovam a segurança alimentar.
Os altos níveis de insegurança alimentar encontrados foram influenciados pela sazonalidade, condições socioeconômicas e ambientais.
Os determinantes da insegurança alimentar foram, além da estação de seca, a baixa renda, a ausência de cantinas comunitárias e a presença de regatões.
A dependência de diferentes benefícios sociais, como o Bolsa Família, ajuda a garantir o acesso a alimentos, mas também pode reduzir a autonomia e a diversidade na alimentação, favorecendo dietas monótonas e o consumo de produtos industrializados.
Os resultados encontrados auxiliaram na identificação da influência da sazonalidade na alimentação e de vulnerabilidades na área demonstrando a falta do acesso regular e permanente em qualidade e quantidade o suficiente de alimentos para a população ribeirinha.
Em vista disso, o estudo pode auxiliar na implementação, adaptação e efetividade de políticas regulatórias de segurança alimentar e nutricional, inclusão econômica e as atividades agrícolas e sustentáveis.
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