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Atresia ani associada à fístula retovaginal em uma potra da raça Crioula
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Background: A atresia ani é uma má formação do trato gastrointestinal, que ocorre por uma falha no desenvolvimento embrionário e pode ter origem congênita ou por fatores ambientais. Os tratos gastrointestinal, urinário e reprodutivo tem a mesma origem embrionária e com o crescimento surgem estruturas que separam esses sistemas e ao final há o rompimento da membrana anal e a formação do ânus. A atresia ani ocorre quando há falha na perfuração dessa membrana. Em alguns casos ela pode vir acompanhada de outras patologias, como a formação de uma fístula retovaginal. Há uma escassez de relatos de atresia ani associada à fístula retovaginal em equinos, e não foi encontrado relatos em égua da raça Crioula.
Case: Potra, da raça Crioula com histórico de defecar pela vulva. No exame clínico do animal percebeu-se a não abertura do orifício anal e a presença de uma fístula retovaginal. Após os exames foi indicada a intervenção cirúrgica. Foi realizada uma preparação pré-operatória, com a administração de óleo mineral e laxantes por sonda nasogástrica, e enemas com óleo mineral para facilitar o trânsito do conteúdo fecal. No procedimento foi realizado enema com água morna para retirada de fezes, e após foi feita a antissepsia. A cirurgia foi dividida em dois estágios, primeiro o fechamento da fístula entre o reto e a vagina e segundo a abertura do orifício anal. Para a reparação da fistula foi feita uma incisão na região do períneo, e a divulsão dos tecidos até a localização da fístula, logo depois foram feitos dois planos de sutura, uma próxima ao assoalho do reto e o outra próxima ao teto da vagina. Em seguida, foi feita uma incisão entre os dois planos, cortando assim toda a comunicação existente. Após, foi realizada a incisão na pele para acessar a parede do reto. Com o acesso pelo reto foi possível fazer a reconstituição do órgão, sendo feita a ancoragem da parede intestinal na mucosa do ânus, reconstituindo o trajeto fisiológico do material fecal. No pós-operatório foi feita a sondagem para a administração de óleo mineral, também foram realizados enemas para facilitar a saída das fezes para diminuir a pressão exercida pelo conteúdo nos planos de sutura. Dois dias após o procedimento, a paciente apresentou grande dificuldade de defecação e um prolapso na região do períneo, devido à força exercida pelo conteúdo no local onde se encontrava a fístula. Logo após houve a deiscência das suturas, e a reabertura do canal entre o reto e a vagina. Foi indicada a reintervenção cirúrgica. Foram realizados, novamente, todos os processos pré-operatórios da primeira intervenção. Porém, faltando apenas um dia para a realização da segunda cirurgia, a paciente apresentou sinais de síndrome cólica, sendo submetida à laparotomia exploratória em que foi diagnosticada com compactação de cólon menor. Durante a recuperação pós-operatória o animal acabou tendo uma piora significativa no quadro clínico, que resultou no seu óbito três dias após a intervenção cirúrgica.
Discussion: O caso refere-se a uma potra da raça Crioula com atresia ani tipo II associada à fistula retovaginal. O diagnóstico foi estabelecido através dos sinais clínicos e alterações anatômicas observadas no exame físico. Essa é uma má formação rara em equinos, sendo mais descrita em bezerros e leitões. Por conta da comunicação retovaginal o animal, ainda que não tivesse orifício anal, defecava pela vulva, que foi o único sinal clínico observado. A correção cirúrgica consistiu em reparar a fístula e perfurar a membrana anal para separar os sistemas. Durante a recuperação houve a deiscência dos pontos por conta da grande pressão feita pelo conteúdo. O prognóstico dessa doença é reservado justamente pelas possíveis complicações após a cirurgia.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Title: Atresia ani associada à fístula retovaginal em uma potra da raça Crioula
Description:
Background: A atresia ani é uma má formação do trato gastrointestinal, que ocorre por uma falha no desenvolvimento embrionário e pode ter origem congênita ou por fatores ambientais.
Os tratos gastrointestinal, urinário e reprodutivo tem a mesma origem embrionária e com o crescimento surgem estruturas que separam esses sistemas e ao final há o rompimento da membrana anal e a formação do ânus.
A atresia ani ocorre quando há falha na perfuração dessa membrana.
Em alguns casos ela pode vir acompanhada de outras patologias, como a formação de uma fístula retovaginal.
Há uma escassez de relatos de atresia ani associada à fístula retovaginal em equinos, e não foi encontrado relatos em égua da raça Crioula.
Case: Potra, da raça Crioula com histórico de defecar pela vulva.
No exame clínico do animal percebeu-se a não abertura do orifício anal e a presença de uma fístula retovaginal.
Após os exames foi indicada a intervenção cirúrgica.
Foi realizada uma preparação pré-operatória, com a administração de óleo mineral e laxantes por sonda nasogástrica, e enemas com óleo mineral para facilitar o trânsito do conteúdo fecal.
No procedimento foi realizado enema com água morna para retirada de fezes, e após foi feita a antissepsia.
A cirurgia foi dividida em dois estágios, primeiro o fechamento da fístula entre o reto e a vagina e segundo a abertura do orifício anal.
Para a reparação da fistula foi feita uma incisão na região do períneo, e a divulsão dos tecidos até a localização da fístula, logo depois foram feitos dois planos de sutura, uma próxima ao assoalho do reto e o outra próxima ao teto da vagina.
Em seguida, foi feita uma incisão entre os dois planos, cortando assim toda a comunicação existente.
Após, foi realizada a incisão na pele para acessar a parede do reto.
Com o acesso pelo reto foi possível fazer a reconstituição do órgão, sendo feita a ancoragem da parede intestinal na mucosa do ânus, reconstituindo o trajeto fisiológico do material fecal.
No pós-operatório foi feita a sondagem para a administração de óleo mineral, também foram realizados enemas para facilitar a saída das fezes para diminuir a pressão exercida pelo conteúdo nos planos de sutura.
Dois dias após o procedimento, a paciente apresentou grande dificuldade de defecação e um prolapso na região do períneo, devido à força exercida pelo conteúdo no local onde se encontrava a fístula.
Logo após houve a deiscência das suturas, e a reabertura do canal entre o reto e a vagina.
Foi indicada a reintervenção cirúrgica.
Foram realizados, novamente, todos os processos pré-operatórios da primeira intervenção.
Porém, faltando apenas um dia para a realização da segunda cirurgia, a paciente apresentou sinais de síndrome cólica, sendo submetida à laparotomia exploratória em que foi diagnosticada com compactação de cólon menor.
Durante a recuperação pós-operatória o animal acabou tendo uma piora significativa no quadro clínico, que resultou no seu óbito três dias após a intervenção cirúrgica.
Discussion: O caso refere-se a uma potra da raça Crioula com atresia ani tipo II associada à fistula retovaginal.
O diagnóstico foi estabelecido através dos sinais clínicos e alterações anatômicas observadas no exame físico.
Essa é uma má formação rara em equinos, sendo mais descrita em bezerros e leitões.
Por conta da comunicação retovaginal o animal, ainda que não tivesse orifício anal, defecava pela vulva, que foi o único sinal clínico observado.
A correção cirúrgica consistiu em reparar a fístula e perfurar a membrana anal para separar os sistemas.
Durante a recuperação houve a deiscência dos pontos por conta da grande pressão feita pelo conteúdo.
O prognóstico dessa doença é reservado justamente pelas possíveis complicações após a cirurgia.
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