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A Tragicidade do Sujeito do Discurso

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Os conceitos de discurso e tragicidade na atualidade nos remetem aos conceitos de ideologia e de sujeito. Utilizamos a perspectiva teóricada Análise do Discurso de Michel Pêcheux (1988), para definir discurso como efeito de sentidos entre interlocutores determinados sócio-historicamente e interpelados pela ideologia. A tragicidade do sujeito do discurso, sob essa perspectiva, pode ser concebida no paradoxo do funcionamento do mecanismo de interpelação, que dá origem ao sujeito: este, ao mesmo tempo em que se acredita autônomo e livre, tem sua liberdade emaranhada em determinações econômicas ou sociais. A esse sujeito tomado como “evidência descritiva” da ideologia contrapomos o sujeito que se constitui no discurso. Este último oferece resistência ao destino trágico do idealismo cuja função é de tentar apagar outros sentidos possíveis. Embora a interpelação pela ideologia mascare o caráter material do sentido - impondo a transparência de sentido, o sentido único -, Pêcheux (1988) traz um alerta sobre a possibilidade de resistência e revolta dentro do processo de assujeitamento, pois, para ele, a ideologia existe sob o modo da divisão, se realiza na contradição. O deslocamento ideológico, o imprevisível, interrompe a perpetuação das repetições do ritual ideológico. Esse acontecimento, sob a perspectiva da psicanálise - que concebe o sujeito como dividido e não centrado -, permite compreender o sujeito do discurso sob a dimensão de “efeito do significante” e nos leva a concluir que a subjetividade é um lugar que cumpre dupla função: a de evidenciar o assujeitamento e a de evidenciar a subversão deste, rompendo o círculo vicioso do idealismo, fazendo interromper o destino trágico do sujeito capturado pela interpelação ideológica.
Title: A Tragicidade do Sujeito do Discurso
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Os conceitos de discurso e tragicidade na atualidade nos remetem aos conceitos de ideologia e de sujeito.
Utilizamos a perspectiva teóricada Análise do Discurso de Michel Pêcheux (1988), para definir discurso como efeito de sentidos entre interlocutores determinados sócio-historicamente e interpelados pela ideologia.
A tragicidade do sujeito do discurso, sob essa perspectiva, pode ser concebida no paradoxo do funcionamento do mecanismo de interpelação, que dá origem ao sujeito: este, ao mesmo tempo em que se acredita autônomo e livre, tem sua liberdade emaranhada em determinações econômicas ou sociais.
A esse sujeito tomado como “evidência descritiva” da ideologia contrapomos o sujeito que se constitui no discurso.
Este último oferece resistência ao destino trágico do idealismo cuja função é de tentar apagar outros sentidos possíveis.
Embora a interpelação pela ideologia mascare o caráter material do sentido - impondo a transparência de sentido, o sentido único -, Pêcheux (1988) traz um alerta sobre a possibilidade de resistência e revolta dentro do processo de assujeitamento, pois, para ele, a ideologia existe sob o modo da divisão, se realiza na contradição.
O deslocamento ideológico, o imprevisível, interrompe a perpetuação das repetições do ritual ideológico.
Esse acontecimento, sob a perspectiva da psicanálise - que concebe o sujeito como dividido e não centrado -, permite compreender o sujeito do discurso sob a dimensão de “efeito do significante” e nos leva a concluir que a subjetividade é um lugar que cumpre dupla função: a de evidenciar o assujeitamento e a de evidenciar a subversão deste, rompendo o círculo vicioso do idealismo, fazendo interromper o destino trágico do sujeito capturado pela interpelação ideológica.

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