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Meningite como possível complicação de sinusite bacteriana em lactente com calendário vacinal incompleto: relato de caso

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Introdução: A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica. É fundamental uma suspeita clínica e tratamento correto de forma rápida, visto que a demora está relacionada a maiores complicações e sequelas. A suspeita diagnóstica é estabelecida por sinais e sintomas como irritabilidade, letargia, cefaleia, vômitos e rigidez de nuca, e o diagnóstico é confirmado pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) através de punção lombar. Dentre os agentes etiológicos, o Streptococcus pneumoniae é o principal agente quando o paciente apresenta doenças respiratórias de vias aéreas superiores ou inferiores, assim como, doenças invasivas em crianças e adultos. Objetivos: Relatar um caso de meningite de características bacterianas após um quadro de sinusite etmoidal em um lactente com esquema vacinal incompleto para pneumococo. Métodos: As informações foram obtidas através de revisão do prontuário do paciente. Relato de Caso: Menino, 1 ano e 4 meses, foi admitido em emergência pediátrica com queixa de vômitos repetidos, sonolência, febre alta e persistente evoluindo com rigidez de nuca e palidez intensa, havia relato de tosse, febre e coriza há 15 dias quando recebeu azitromicina. Na análise do cartão vacinal, só havia registro das vacinas programadas pelo Programa Nacional de Imunização / Ministério da Saúde (PNI / MS) até o sexto mês. Na admissão foi instituída a hidratação venosa e ceftriaxone, solicitação de exames laboratoriais e de imagem (Tomografia de Crânio) e a punção lombar. O exame de Líquor Céfalo Raquidiano (LCR) revelou líquor incolor, algo turvo, leucócitos = 1800; linfócitos = 33; monócitos = 2; neutrófilos = 65%; proteínas = 83; glicose = 56. Cultura do LCR: negativa. TC de crânio: normal. Ajustado a dose de ceftriaxone (100 mg/kg/ dia) e introduzido decadron endovenoso. No 6° dia de evolução, paciente em melhor estado geral, com diminuição da rigidez nucal e sem sequelas aparentes. Discussão: Estudos demonstram que o PCR foi eficiente para diagnóstico de meningite bacteriana aguda com culturas negativas, sendo um instrumento de alta especificidade e alto valor preditivo positivo. Sendo assim, a cultura do LCR negativa não pode afastar a presença de doença bacteriana invasiva e nem retardar seu tratamento. A incidência de meningite bacteriana por hemófilos e pneumococo reduziu consideravelmente após a inclusão de vacinas contra esses agentes no calendário vacinal do MS nos anos de 1999 e 2010 respectivamente. De acordo com o calendário do MS, o esquema vacinal contra pneumococo conta com a vacina Pneumocócica Conjugada 10V com 2 doses aos 2 e 4 meses e reforço aos 12 meses de idade. O paciente em questão apresentava calendário vacinal completo apenas até o 6° mês de vida, ou seja, não possuía todas as doses recomendadas da vacina Pneumocócica 10V, que protege contra doenças invasivas causadas pelo pneumococo, entre elas a meningite. Conclusão: A incompletude vacinal é um problema que abrange parte da população. A hesitação a vacinas é uma tendência crescente que tem sido associada ao ressurgimento de doenças imunopreveníveis. Dessa forma, durante a investigação etiológica de quadros infecciosos é de extrema importância avaliar o calendário vacinal do paciente e também incentivar a vacinação em momentos oportunos como nas consultas de puericultura.
Title: Meningite como possível complicação de sinusite bacteriana em lactente com calendário vacinal incompleto: relato de caso
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Introdução: A meningite bacteriana é considerada uma emergência médica.
É fundamental uma suspeita clínica e tratamento correto de forma rápida, visto que a demora está relacionada a maiores complicações e sequelas.
A suspeita diagnóstica é estabelecida por sinais e sintomas como irritabilidade, letargia, cefaleia, vômitos e rigidez de nuca, e o diagnóstico é confirmado pela análise do líquido cefalorraquidiano (LCR) através de punção lombar.
Dentre os agentes etiológicos, o Streptococcus pneumoniae é o principal agente quando o paciente apresenta doenças respiratórias de vias aéreas superiores ou inferiores, assim como, doenças invasivas em crianças e adultos.
Objetivos: Relatar um caso de meningite de características bacterianas após um quadro de sinusite etmoidal em um lactente com esquema vacinal incompleto para pneumococo.
Métodos: As informações foram obtidas através de revisão do prontuário do paciente.
Relato de Caso: Menino, 1 ano e 4 meses, foi admitido em emergência pediátrica com queixa de vômitos repetidos, sonolência, febre alta e persistente evoluindo com rigidez de nuca e palidez intensa, havia relato de tosse, febre e coriza há 15 dias quando recebeu azitromicina.
Na análise do cartão vacinal, só havia registro das vacinas programadas pelo Programa Nacional de Imunização / Ministério da Saúde (PNI / MS) até o sexto mês.
Na admissão foi instituída a hidratação venosa e ceftriaxone, solicitação de exames laboratoriais e de imagem (Tomografia de Crânio) e a punção lombar.
O exame de Líquor Céfalo Raquidiano (LCR) revelou líquor incolor, algo turvo, leucócitos = 1800; linfócitos = 33; monócitos = 2; neutrófilos = 65%; proteínas = 83; glicose = 56.
Cultura do LCR: negativa.
TC de crânio: normal.
Ajustado a dose de ceftriaxone (100 mg/kg/ dia) e introduzido decadron endovenoso.
No 6° dia de evolução, paciente em melhor estado geral, com diminuição da rigidez nucal e sem sequelas aparentes.
Discussão: Estudos demonstram que o PCR foi eficiente para diagnóstico de meningite bacteriana aguda com culturas negativas, sendo um instrumento de alta especificidade e alto valor preditivo positivo.
Sendo assim, a cultura do LCR negativa não pode afastar a presença de doença bacteriana invasiva e nem retardar seu tratamento.
A incidência de meningite bacteriana por hemófilos e pneumococo reduziu consideravelmente após a inclusão de vacinas contra esses agentes no calendário vacinal do MS nos anos de 1999 e 2010 respectivamente.
De acordo com o calendário do MS, o esquema vacinal contra pneumococo conta com a vacina Pneumocócica Conjugada 10V com 2 doses aos 2 e 4 meses e reforço aos 12 meses de idade.
O paciente em questão apresentava calendário vacinal completo apenas até o 6° mês de vida, ou seja, não possuía todas as doses recomendadas da vacina Pneumocócica 10V, que protege contra doenças invasivas causadas pelo pneumococo, entre elas a meningite.
Conclusão: A incompletude vacinal é um problema que abrange parte da população.
A hesitação a vacinas é uma tendência crescente que tem sido associada ao ressurgimento de doenças imunopreveníveis.
Dessa forma, durante a investigação etiológica de quadros infecciosos é de extrema importância avaliar o calendário vacinal do paciente e também incentivar a vacinação em momentos oportunos como nas consultas de puericultura.

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