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Perfil de Consumo de Antibióticos em um Hospital Terciário de Minas Gerais

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Introdução: A resistência antimicrobiana (RAM) é uma das principais ameaças à saúde pública global – associando-se ao aumento da morbidade, mortalidade e custos em saúde1,2. O uso inadequado e excessivo de antimicrobianos é considerado o principal fator para o surgimento de microrganismos multirresistentes1, agravando-se pela escassez de novos antibióticos eficazes em desenvolvimento. Para mitigar esse cenário, estratégias de monitoramento do consumo têm sido adotadas, especialmente com o suporte de ferramentas de classificação e categorização da Organização Mundial de Saúde(OMS), que visam orientar o uso racional de antibióticos3,4. Objetivo: Avaliar o padrão de dispensação de antibióticos em um hospital terciário de Minas Gerais, considerando os níveis de consumo e as classificações ATC (Anatomical Therapeutic Chemical) e AWaRe (Access, Watch, Reserve) da OMS. Métodos: Foram analisados dados de dispensação de antibióticos de uso sistêmico (J01), via oral ou parenteral, em pacientes internados em um hospital terciário de Minas Gerais, entre 01/01/2018 e 21/12/2023. Foram incluídos apenas os pacientes com tempo de internação disponível. O consumo foi quantificado em doses diárias definidas por 100 pacientes-dia (DDD/100 pacientes-dia), sendo 1 paciente-dia equivalente a 1 dia de internação por paciente. A análise DU90% (Drug Utilization 90%) identificou anualmente os antimicrobianos que, juntos, responderam por 90% do consumo. A classificação AWaRe foi aplicada aos antibióticos que integraram o DU90% em pelo menos 4 dos 6 anos analisados. A tendência de uso foi avaliada por meio do cálculo do CAGR (Compound Annual Growth Rate). O estudo está vinculado ao projeto “Uso de avatar como estratégia educacional sobre resistência antimicrobiana” (CAAE: 6.059.516). Resultados: Os antibióticos mais consumidos ao final do período analisado foram, em ordem decrescente: carbapenêmicos, glicopeptídeos, polimixinas, macrolídeos, cefalosporinas de terceira geração e penicilinas com inibidores de beta-lactamase. O ano de 2023 apresentou o maior consumo total de antibióticos (63,35 DDD/100 pacientes-dia). O meropenem, do grupo Watch, foi o antimicrobiano mais dispensado em todos os anos, com tendência de crescimento (CAGR: 4%). A vancomicina também mostrou aumento (CAGR: 7%), enquanto a polimixina B manteve-se estável. Ceftriaxona e teicoplanina apresentaram queda no consumo (CAGR: -6% e -36%, respectivamente).  Com relação a categorização AWaRe, fármacos como metronidazol e amicacina (Access) mostraram uso menos expressivo. Considerando os antimicrobianos do DU90%, a categoria Watch representou 61% a 80% do consumo anual; o grupo Access variou de 6% a 20%, abaixo da meta de ≥60% proposta pela OMS5; e o Reserve aumentou, atingindo 16,6% em 2023. Esse padrão evidencia o predomínio de antibióticos de espectro ampliado, indicando possível desafio no controle da resistência. Compreender as variações de consumo entre instituições é essencial para embasar intervenções locais5. Conclusões: O estudo revelou elevado consumo de antimicrobianos do grupo Watch, com baixa adesão à meta de uso de medicamentos do grupo Access. Os achados reforçam a necessidade da promoção de estratégias para a promoção da prescrição racional de antibióticos.
Title: Perfil de Consumo de Antibióticos em um Hospital Terciário de Minas Gerais
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Introdução: A resistência antimicrobiana (RAM) é uma das principais ameaças à saúde pública global – associando-se ao aumento da morbidade, mortalidade e custos em saúde1,2.
O uso inadequado e excessivo de antimicrobianos é considerado o principal fator para o surgimento de microrganismos multirresistentes1, agravando-se pela escassez de novos antibióticos eficazes em desenvolvimento.
Para mitigar esse cenário, estratégias de monitoramento do consumo têm sido adotadas, especialmente com o suporte de ferramentas de classificação e categorização da Organização Mundial de Saúde(OMS), que visam orientar o uso racional de antibióticos3,4.
Objetivo: Avaliar o padrão de dispensação de antibióticos em um hospital terciário de Minas Gerais, considerando os níveis de consumo e as classificações ATC (Anatomical Therapeutic Chemical) e AWaRe (Access, Watch, Reserve) da OMS.
Métodos: Foram analisados dados de dispensação de antibióticos de uso sistêmico (J01), via oral ou parenteral, em pacientes internados em um hospital terciário de Minas Gerais, entre 01/01/2018 e 21/12/2023.
Foram incluídos apenas os pacientes com tempo de internação disponível.
O consumo foi quantificado em doses diárias definidas por 100 pacientes-dia (DDD/100 pacientes-dia), sendo 1 paciente-dia equivalente a 1 dia de internação por paciente.
A análise DU90% (Drug Utilization 90%) identificou anualmente os antimicrobianos que, juntos, responderam por 90% do consumo.
A classificação AWaRe foi aplicada aos antibióticos que integraram o DU90% em pelo menos 4 dos 6 anos analisados.
A tendência de uso foi avaliada por meio do cálculo do CAGR (Compound Annual Growth Rate).
O estudo está vinculado ao projeto “Uso de avatar como estratégia educacional sobre resistência antimicrobiana” (CAAE: 6.
059.
516).
Resultados: Os antibióticos mais consumidos ao final do período analisado foram, em ordem decrescente: carbapenêmicos, glicopeptídeos, polimixinas, macrolídeos, cefalosporinas de terceira geração e penicilinas com inibidores de beta-lactamase.
O ano de 2023 apresentou o maior consumo total de antibióticos (63,35 DDD/100 pacientes-dia).
O meropenem, do grupo Watch, foi o antimicrobiano mais dispensado em todos os anos, com tendência de crescimento (CAGR: 4%).
A vancomicina também mostrou aumento (CAGR: 7%), enquanto a polimixina B manteve-se estável.
Ceftriaxona e teicoplanina apresentaram queda no consumo (CAGR: -6% e -36%, respectivamente).
  Com relação a categorização AWaRe, fármacos como metronidazol e amicacina (Access) mostraram uso menos expressivo.
Considerando os antimicrobianos do DU90%, a categoria Watch representou 61% a 80% do consumo anual; o grupo Access variou de 6% a 20%, abaixo da meta de ≥60% proposta pela OMS5; e o Reserve aumentou, atingindo 16,6% em 2023.
Esse padrão evidencia o predomínio de antibióticos de espectro ampliado, indicando possível desafio no controle da resistência.
Compreender as variações de consumo entre instituições é essencial para embasar intervenções locais5.
Conclusões: O estudo revelou elevado consumo de antimicrobianos do grupo Watch, com baixa adesão à meta de uso de medicamentos do grupo Access.
Os achados reforçam a necessidade da promoção de estratégias para a promoção da prescrição racional de antibióticos.

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