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Tipologias do desemprego em Portugal na década de 2000

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Esta pesquisa procura aplicar os princípios teóricos da segmentação do mercado de trabalho à análise do desemprego. Este fenómeno ganhou, nos últimos tempos, maior relevância política, económica e social num quadro de crise económica internacional. Com efeito, dados internacionais, como os da Organização Internacional do Trabalho (OIT - 2011) ou do Eurostat (2011), mostram que se tem assistido a um aumento do desemprego, mas igualmente a mudanças qualitativas de perfil da população desempregada. Todavia, os estudos disponíveis não oferecem evidência empírica sobre esses perfis, os quais parecem ser cruciais para um diagnóstico mais exaustivo do mercado de trabalho, bem como uma intervenção mais orientada no mesmo. Nos princípios dos anos 2000, a educação representava uma garantia de proteção contra o desemprego e de estabilidade de emprego (Portugal, 2004). A elevada e crescente taxa de desemprego dos diplomados do ensino superior nos últimos tempos vem questionar o benefício do aumento da escolaridade e do diploma em Portugal. Os investimentos individuais e públicos em educação, bem como as iniciativas de políticas ativas de emprego parecem ser insuficientes para combater o desemprego e promover o emprego. É neste contexto que pretendemos estudar as características dos desempregados em Portugal e analisar a sua evolução recente. Utilizando os dados obtidos através do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística, e recorrendo à técnica de agrupamento baseado em pertenças parciais (fuzzy clustering), esta pesquisa pretende identificar tipologias de desempregados e sua evolução num intervalo de 10 anos (2001 e 2010). As tipologias são variáveis construídas a partir de agrupamentos específicos de categorias de variáveis observadas que sinalizam as características de uma população, neste caso da população desempregada. De forma mais específica, este estudo visa identificar perfis de desempregados, procurando: i) apreciar a heterogeneidade do desemprego através das características inatas, adquiridas, comportamentais e situacionais dos desempregados; e ii) analisar a evolução dessas características ao longo do tempo. Para evitar enviesamentos devidos à sazonalidade, o estudo limita-se ao último trimestre de cada um dos anos referidos. Os resultados indicam que a população desempregada pode ser segmentada em três grupos. Em 2001, um grupo agrega os indivíduos pouco qualificados que enfrentam um desemprego de longa duração (DLD); outro agrupa os desempregados qualificados mas igualmente DLD; o terceiro reúne os jovens diplomados numa situação de desemprego de curta duração. A situação em 2010 é bastante similar. Todavia, a alteração mais significativa recai sobre o terceiro grupo. Os diplomados passaram para uma situação de desemprego de longa duração, revelando assim dificuldades de inserção no mercado de trabalho. Adicionalmente, os resultados abrem espaço para uma reflexão sobre a capacidade da economia portuguesa absorver as competências disponíveis e obter os retornos dos investimentos em capital humano.
Title: Tipologias do desemprego em Portugal na década de 2000
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Esta pesquisa procura aplicar os princípios teóricos da segmentação do mercado de trabalho à análise do desemprego.
Este fenómeno ganhou, nos últimos tempos, maior relevância política, económica e social num quadro de crise económica internacional.
Com efeito, dados internacionais, como os da Organização Internacional do Trabalho (OIT - 2011) ou do Eurostat (2011), mostram que se tem assistido a um aumento do desemprego, mas igualmente a mudanças qualitativas de perfil da população desempregada.
Todavia, os estudos disponíveis não oferecem evidência empírica sobre esses perfis, os quais parecem ser cruciais para um diagnóstico mais exaustivo do mercado de trabalho, bem como uma intervenção mais orientada no mesmo.
Nos princípios dos anos 2000, a educação representava uma garantia de proteção contra o desemprego e de estabilidade de emprego (Portugal, 2004).
A elevada e crescente taxa de desemprego dos diplomados do ensino superior nos últimos tempos vem questionar o benefício do aumento da escolaridade e do diploma em Portugal.
Os investimentos individuais e públicos em educação, bem como as iniciativas de políticas ativas de emprego parecem ser insuficientes para combater o desemprego e promover o emprego.
É neste contexto que pretendemos estudar as características dos desempregados em Portugal e analisar a sua evolução recente.
Utilizando os dados obtidos através do Inquérito ao Emprego do Instituto Nacional de Estatística, e recorrendo à técnica de agrupamento baseado em pertenças parciais (fuzzy clustering), esta pesquisa pretende identificar tipologias de desempregados e sua evolução num intervalo de 10 anos (2001 e 2010).
As tipologias são variáveis construídas a partir de agrupamentos específicos de categorias de variáveis observadas que sinalizam as características de uma população, neste caso da população desempregada.
De forma mais específica, este estudo visa identificar perfis de desempregados, procurando: i) apreciar a heterogeneidade do desemprego através das características inatas, adquiridas, comportamentais e situacionais dos desempregados; e ii) analisar a evolução dessas características ao longo do tempo.
Para evitar enviesamentos devidos à sazonalidade, o estudo limita-se ao último trimestre de cada um dos anos referidos.
Os resultados indicam que a população desempregada pode ser segmentada em três grupos.
Em 2001, um grupo agrega os indivíduos pouco qualificados que enfrentam um desemprego de longa duração (DLD); outro agrupa os desempregados qualificados mas igualmente DLD; o terceiro reúne os jovens diplomados numa situação de desemprego de curta duração.
A situação em 2010 é bastante similar.
Todavia, a alteração mais significativa recai sobre o terceiro grupo.
Os diplomados passaram para uma situação de desemprego de longa duração, revelando assim dificuldades de inserção no mercado de trabalho.
Adicionalmente, os resultados abrem espaço para uma reflexão sobre a capacidade da economia portuguesa absorver as competências disponíveis e obter os retornos dos investimentos em capital humano.

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