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AGOSTINHO E A OPINIÃO DOS GRAECULI ACERCA DOS MOVIMENTOS DA ALMA

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Este artigo propõe uma análise de um breve tratado sobre as paixões inserido entre os capítulos IV e V do Livro IX da Cidade de Deus, não por sua originalidade, mas pelo deslocamento conceitual que introduz, revelando uma posição propriamente agostiniana acerca dos movimentos da alma. O ponto de partida é uma provocação retórica: citando Cícero, Agostinho chama os peripatéticos, platônicos e estoicos de greguinhos mais ávidos pela disputa do que pela verdade, aproximando assim suas posições para em seguida deslocar o problema. O percurso argumentativo examina, primeiramente, as traduções latinas do termo grego páthē e, em seguida, as posições atribuídas aos peripatéticos, aos platônicos e aos estoicos que, na verdade, se reduzem a duas. A partir da reconstrução da controvérsia sobre a impassibilidade do sábio, relatada por Aulo Gélio, Agostinho conclui que as divergências entre essas escolas são essencialmente terminológicas. Essa concordância de fundo permite-lhe transferir o debate da mera presença ou ausência das paixões na alma para a questão da ordenação moral das paixões. Conclui-se que, embora sua reconstrução seja retoricamente orientada e baseada em fontes indiretas, o interesse de Agostinho recai menos sobre a suscetibilidade do sábio às paixões do que sobre o princípio que as ordena. É nesse ponto que emerge a noção de misericórdia, elemento decisivo na reelaboração cristã da vida afetiva.
Title: AGOSTINHO E A OPINIÃO DOS GRAECULI ACERCA DOS MOVIMENTOS DA ALMA
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Este artigo propõe uma análise de um breve tratado sobre as paixões inserido entre os capítulos IV e V do Livro IX da Cidade de Deus, não por sua originalidade, mas pelo deslocamento conceitual que introduz, revelando uma posição propriamente agostiniana acerca dos movimentos da alma.
O ponto de partida é uma provocação retórica: citando Cícero, Agostinho chama os peripatéticos, platônicos e estoicos de greguinhos mais ávidos pela disputa do que pela verdade, aproximando assim suas posições para em seguida deslocar o problema.
O percurso argumentativo examina, primeiramente, as traduções latinas do termo grego páthē e, em seguida, as posições atribuídas aos peripatéticos, aos platônicos e aos estoicos que, na verdade, se reduzem a duas.
A partir da reconstrução da controvérsia sobre a impassibilidade do sábio, relatada por Aulo Gélio, Agostinho conclui que as divergências entre essas escolas são essencialmente terminológicas.
Essa concordância de fundo permite-lhe transferir o debate da mera presença ou ausência das paixões na alma para a questão da ordenação moral das paixões.
Conclui-se que, embora sua reconstrução seja retoricamente orientada e baseada em fontes indiretas, o interesse de Agostinho recai menos sobre a suscetibilidade do sábio às paixões do que sobre o princípio que as ordena.
É nesse ponto que emerge a noção de misericórdia, elemento decisivo na reelaboração cristã da vida afetiva.

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