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OS “PODERES” E O PODER: AUTORIDADES “TRADICIONAIS”, ESTADO E FEITIÇARIA NA GUINÉ-BISSAU
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A questão do “poder tradicional” na Guiné-Bissau traz nos dias de hoje um debate que remonta ao período colonial, no qual os portugueses tinham nos régulos os intermediários entre a administração colonial e a população local. Atualmente o governo da Guiné-Bissau busca obter apoio político dos régulos através de diversos subterfúgios, ao mesmo tempo em que as ditas “autoridades tradicionais” buscam os mesmos privilégios gozados durante o período colonial, o que desembocou em disputas pelo poder “tradicional”, através do qual representar uma determinada comunidade permite o acesso a recursos de projetos e a posse de terras. A coleta dos dados apresentados neste paper foi realizada durante pesquisa de campo na Guiné-Bissau e a discussão a ser feita terá como base os relatos orais obtidos através de conversas informais e entrevistas realizadas na cidade de Bissau e em outras localidades. A análise de alguns casos concretos de conflito pelo “poder tradicional” aponta certo padrão: homens que possuem poder econômico e político buscam ocupar posições de régulos ou de representantes “tradicionais” de determinadas comunidades; o Estado guineense, em certa medida, volta a repetir o mesmo modus operandi da administração colonial para ter sob sua tutela os régulos através da doação direta de dinheiro para estes atores; e os régulos já estabelecidos no poder, ao mesmo tempo em que tentam angariar para si mais poder político, argumentam que as figuras que estão usurpando os cargos do “poder tradicional” não possuem o “poder” necessário para o cargo.
Title: OS “PODERES” E O PODER: AUTORIDADES “TRADICIONAIS”, ESTADO E FEITIÇARIA NA GUINÉ-BISSAU
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A questão do “poder tradicional” na Guiné-Bissau traz nos dias de hoje um debate que remonta ao período colonial, no qual os portugueses tinham nos régulos os intermediários entre a administração colonial e a população local.
Atualmente o governo da Guiné-Bissau busca obter apoio político dos régulos através de diversos subterfúgios, ao mesmo tempo em que as ditas “autoridades tradicionais” buscam os mesmos privilégios gozados durante o período colonial, o que desembocou em disputas pelo poder “tradicional”, através do qual representar uma determinada comunidade permite o acesso a recursos de projetos e a posse de terras.
A coleta dos dados apresentados neste paper foi realizada durante pesquisa de campo na Guiné-Bissau e a discussão a ser feita terá como base os relatos orais obtidos através de conversas informais e entrevistas realizadas na cidade de Bissau e em outras localidades.
A análise de alguns casos concretos de conflito pelo “poder tradicional” aponta certo padrão: homens que possuem poder econômico e político buscam ocupar posições de régulos ou de representantes “tradicionais” de determinadas comunidades; o Estado guineense, em certa medida, volta a repetir o mesmo modus operandi da administração colonial para ter sob sua tutela os régulos através da doação direta de dinheiro para estes atores; e os régulos já estabelecidos no poder, ao mesmo tempo em que tentam angariar para si mais poder político, argumentam que as figuras que estão usurpando os cargos do “poder tradicional” não possuem o “poder” necessário para o cargo.
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