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Perseguição de bugio infante (Alouatta fusca) por macacos-prego (Cebus apella): predação ou brincadeira?
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Macacos-prego (
Cebus apella) e bugios (
Alouattasp.) são espécies simpátricas em diversas áreas do Brasil, mas não foram encontrados registros de interações sociais entre essas espécies. Nesse trabalho será descrito um evento de interação entre um grupo de macacos-prego e dois bugios.
Os animais habitam o Parque Ecológico de Tietê, em uma Área de Preservação de180.000 m
2. O grupo de macacos-prego é composto de 17 indivíduos e não há registrode quantos bugios vivem na área; durante a interação registrada, foram observados apenas um filhote e um adulto. O evento foi gravado em VHS, com foco no filhote de bugio.
No episódio houve perseguições e mordidas ao filhote de bugio, além de uma queda deste provocada pelos macacos-prego. O episódio durou aproximadamente 21 minutos, com a participação de 10 indivíduos do grupo de macacos-prego (3 adultos, 2 subadultos, 3 juvenis e dois infantes). Uma fêmea subadulta foi a que mais interagiu com o bugio (14 vezes), seguida por um macho juvenil, um macho adulto e outra fêmea subadulta (8 vezes). Durante a interação alguns pregos puxaram e morderam o filhote, que emitia vocalizações. Em alguns instantes durante o evento, as fêmeas subadultas e um macho subadulto apresentaram comportamentos característicos de ameaça, como eriçar os pêlos e mostrar os dentes.
Existem registros de que macacos-prego predam mamíferos de pequeno porte. Esse evento se assemelhou a uma tentativa de captura, tendo em vista as exibições de ameaça, o elevado número de indivíduos envolvidos e o grande tempo despendido, entretanto a predação não ocorreu. Nos raros encontros entre as duas espécies no local, as interações nunca passaram de ameaça por parte dos pregos a bugios adultos. Outra hipótese seria a curiosidade provocada pela novidade da situação de encontro com o filhote bugio, dada a grande excitação demonstrada pelos pregos e a participação de juvenis e infantes, o que permitiria caracterizar o episódio como brincadeira. Interações interespecíficas parecidas já foram observadas no Parque entre macacos-prego e quatis, envolvendo desde o roubo e morte de recém-nascidos de ninhos, sem predação, até o grooming e a brincadeira recíproca.
Apoio: FAPESP/CNPq
Title: Perseguição de bugio infante (Alouatta fusca) por macacos-prego (Cebus apella): predação ou brincadeira?
Description:
Macacos-prego (
Cebus apella) e bugios (
Alouattasp.
) são espécies simpátricas em diversas áreas do Brasil, mas não foram encontrados registros de interações sociais entre essas espécies.
Nesse trabalho será descrito um evento de interação entre um grupo de macacos-prego e dois bugios.
Os animais habitam o Parque Ecológico de Tietê, em uma Área de Preservação de180.
000 m
2.
O grupo de macacos-prego é composto de 17 indivíduos e não há registrode quantos bugios vivem na área; durante a interação registrada, foram observados apenas um filhote e um adulto.
O evento foi gravado em VHS, com foco no filhote de bugio.
No episódio houve perseguições e mordidas ao filhote de bugio, além de uma queda deste provocada pelos macacos-prego.
O episódio durou aproximadamente 21 minutos, com a participação de 10 indivíduos do grupo de macacos-prego (3 adultos, 2 subadultos, 3 juvenis e dois infantes).
Uma fêmea subadulta foi a que mais interagiu com o bugio (14 vezes), seguida por um macho juvenil, um macho adulto e outra fêmea subadulta (8 vezes).
Durante a interação alguns pregos puxaram e morderam o filhote, que emitia vocalizações.
Em alguns instantes durante o evento, as fêmeas subadultas e um macho subadulto apresentaram comportamentos característicos de ameaça, como eriçar os pêlos e mostrar os dentes.
Existem registros de que macacos-prego predam mamíferos de pequeno porte.
Esse evento se assemelhou a uma tentativa de captura, tendo em vista as exibições de ameaça, o elevado número de indivíduos envolvidos e o grande tempo despendido, entretanto a predação não ocorreu.
Nos raros encontros entre as duas espécies no local, as interações nunca passaram de ameaça por parte dos pregos a bugios adultos.
Outra hipótese seria a curiosidade provocada pela novidade da situação de encontro com o filhote bugio, dada a grande excitação demonstrada pelos pregos e a participação de juvenis e infantes, o que permitiria caracterizar o episódio como brincadeira.
Interações interespecíficas parecidas já foram observadas no Parque entre macacos-prego e quatis, envolvendo desde o roubo e morte de recém-nascidos de ninhos, sem predação, até o grooming e a brincadeira recíproca.
Apoio: FAPESP/CNPq.
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