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Adenocarcinoma de colo uterino associado ao papilomavírus humano em paciente de 74 anos de idade: relato de caso

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Introdução: O câncer de colo uterino é o terceiro mais comum entre os tipos de câncer em mulheres no Brasil. Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento é realizado por meio do exame citopatológico, indicado para a população-alvo de mulheres de 25 a 64 anos, uma vez que as infecções pelo papilomavírus humano (HPV) após os 55 anos são consideradas raras e têm baixa probabilidade de progressão para câncer invasivo. No entanto, com o aumento da expectativa de vida, mais casos têm sido observados após essa faixa etária. O objetivo deste relato de caso é destacar a importância do rastreamento contínuo e da atenção aos sintomas em pacientes fora da faixa etária típica, especialmente quando há fatores de risco ou sintomas relevantes. Relato do caso: D.V.S.C.H., 74 anos, parda, do lar, viúva há 15 anos e sem atividade sexual nesse período, teve duas gestações, dois partos e nenhum aborto (GII PII A0). Teve menarca aos 12 anos e menopausa aos 52 anos, sem uso de terapia de reposição hormonal, sem histórico de anovulação crônica, sem passado de infecções sexualmente transmissíveis, sem história de tabagismo ou de infecção por HPV; obesa e hipertensa, mantinha acompanhamento ginecológico regular até então sem alterações. A última coleta de citologia oncótica ocorreu aos 65 anos, sempre com resultados negativos para malignidade. A paciente procurou atendimento ginecológico de rotina, referindo desejo de realizar exames de rastreio. Não referiu queixas durante a anamnese nem apresentou alterações durante o exame geral; entretanto, durante a coleta cérvico-vaginal, foi detectada a saída de secreção purulenta em grande volume pelo orifício cervical. Foi instituído tratamento antibiótico e solicitada histeroscopia com biópsia dirigida. O resultado da citologia mostrou células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US). Na histeroscopia, observou-se lesão polipoide de 1,8 cm em parede anterior, com característica vegetante, cuja biópsia não apontou malignidade. Após cinco semanas, a paciente apresentou sangramento uterino importante, de coloração vermelho-rutilante, e o resultado dos exames laboratoriais revelou níveis de CA 125 em elevação. Durante a consulta, a paciente insistiu no desejo de realizar histerectomia. A cirurgia foi realizada, e o resultado histopatológico apontou adenocarcinoma moderadamente diferenciado, infiltrando colo e corpo uterino (miométrio e endométrio), com extensão de pelo menos 1,8 cm. Havia infiltração de menos da metade do miométrio até o terço médio da miocérvice, com limites cirúrgicos vaginal e radial livres de neoplasia. Por se tratar de lesão endometrial com extensão à miocérvice, aguardou-se a imuno-histoquímica para o diagnóstico definitivo, apresentado, finalmente, como adenocarcinoma usual associado ao HPV, de origem no colo uterino, estendendo-se à miocérvice, endométrio e miométrio. A paciente foi então encaminhada para a Oncologia, que indicou radioterapia, e evoluiu bem após o tratamento. Comentários: Ainda que haja a priorização de uma determinada faixa etária, é necessário ouvir as queixas das pacientes e considerar a anamnese e o exame clínico, que neste caso, foram determinantes para o prognóstico.
Title: Adenocarcinoma de colo uterino associado ao papilomavírus humano em paciente de 74 anos de idade: relato de caso
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Introdução: O câncer de colo uterino é o terceiro mais comum entre os tipos de câncer em mulheres no Brasil.
Segundo o Ministério da Saúde, o rastreamento é realizado por meio do exame citopatológico, indicado para a população-alvo de mulheres de 25 a 64 anos, uma vez que as infecções pelo papilomavírus humano (HPV) após os 55 anos são consideradas raras e têm baixa probabilidade de progressão para câncer invasivo.
No entanto, com o aumento da expectativa de vida, mais casos têm sido observados após essa faixa etária.
O objetivo deste relato de caso é destacar a importância do rastreamento contínuo e da atenção aos sintomas em pacientes fora da faixa etária típica, especialmente quando há fatores de risco ou sintomas relevantes.
Relato do caso: D.
V.
S.
C.
H.
, 74 anos, parda, do lar, viúva há 15 anos e sem atividade sexual nesse período, teve duas gestações, dois partos e nenhum aborto (GII PII A0).
Teve menarca aos 12 anos e menopausa aos 52 anos, sem uso de terapia de reposição hormonal, sem histórico de anovulação crônica, sem passado de infecções sexualmente transmissíveis, sem história de tabagismo ou de infecção por HPV; obesa e hipertensa, mantinha acompanhamento ginecológico regular até então sem alterações.
A última coleta de citologia oncótica ocorreu aos 65 anos, sempre com resultados negativos para malignidade.
A paciente procurou atendimento ginecológico de rotina, referindo desejo de realizar exames de rastreio.
Não referiu queixas durante a anamnese nem apresentou alterações durante o exame geral; entretanto, durante a coleta cérvico-vaginal, foi detectada a saída de secreção purulenta em grande volume pelo orifício cervical.
Foi instituído tratamento antibiótico e solicitada histeroscopia com biópsia dirigida.
O resultado da citologia mostrou células escamosas atípicas de significado indeterminado (ASC-US).
Na histeroscopia, observou-se lesão polipoide de 1,8 cm em parede anterior, com característica vegetante, cuja biópsia não apontou malignidade.
Após cinco semanas, a paciente apresentou sangramento uterino importante, de coloração vermelho-rutilante, e o resultado dos exames laboratoriais revelou níveis de CA 125 em elevação.
Durante a consulta, a paciente insistiu no desejo de realizar histerectomia.
A cirurgia foi realizada, e o resultado histopatológico apontou adenocarcinoma moderadamente diferenciado, infiltrando colo e corpo uterino (miométrio e endométrio), com extensão de pelo menos 1,8 cm.
Havia infiltração de menos da metade do miométrio até o terço médio da miocérvice, com limites cirúrgicos vaginal e radial livres de neoplasia.
Por se tratar de lesão endometrial com extensão à miocérvice, aguardou-se a imuno-histoquímica para o diagnóstico definitivo, apresentado, finalmente, como adenocarcinoma usual associado ao HPV, de origem no colo uterino, estendendo-se à miocérvice, endométrio e miométrio.
A paciente foi então encaminhada para a Oncologia, que indicou radioterapia, e evoluiu bem após o tratamento.
Comentários: Ainda que haja a priorização de uma determinada faixa etária, é necessário ouvir as queixas das pacientes e considerar a anamnese e o exame clínico, que neste caso, foram determinantes para o prognóstico.

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