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SEXUALIDADE DE MULHERES RECLUSAS

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O sistema prisional brasileiro, tradicionalmente estruturado para atender o universo masculino, imprime marcas indeléveis na sexualidade de mulheres em reclusão, refletindo na autoestima e ressignificação de suas identidades. Partindo desses pressupostos, o trabalho objetivou analisar expressões e vivências da sexualidade de mulheres que estão cumprindo Medida de Segurança, a partir do uso da ludicidade que permite a pessoa expressar-se, desbloquear resistências, perceber os “nós” que se constituem em obstáculos que acorrentam e marcam a subjetividade feminina. Foram utilizados como aporte teórico os estudos de Bourdieu e Foucault sobre poder e dominação, de Vygotsky sobre a psicologia histórico-cultural, de Paulo Freire sobre a educação como prática social e histórica e de Paulo Amarante sobre saúde mental. Como procedimentos de pesquisa foram realizadas cinco oficinas lúdicas com doze mulheres (voluntárias) no período de um mês, em que os diálogos entre profissionais, estudantes e técnicos da unidade mediaram os depoimentos sobre as expressões da sexualidade vividas, negadas ou distorcidas, bem como os reflexos dessas vivências na autoestima e identidades das mulheres participantes. Um dos resultados mais evidentes foi ter conseguido a adesão e a participação efetiva de dez mulheres em cada oficina, ocorrência pouco frequente quando se trata de procedimentos alternativos no cotidiano de uma unidade prisional. Os principais temas discutidos foram: (re)construção de identidades, preconceitos, privações, sensualidade, erotismo e amor. Com base nas oficinas que valorizaram a expressão do lúdico, o fazer criativo e a autonomia, depreendemos que muito mais que propor atividades, foi importante a constituição de um espaço para escutá-las sobre o que gostariam de fazer. Abrir um espaço para experimentar sensações, criar, formar laços estimulou a manifestação das potencialidades, da comunicação e da autonomia. A participação das mulheres nas oficinas propiciou momentos de imersão na problemática em que vivem, permitindo destacar as produções de sentidos e sentimentos distantes do crime, da vivência carcerária, do abandono e da privação e do resgate da autoestima de mulheres reclusas.
Title: SEXUALIDADE DE MULHERES RECLUSAS
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O sistema prisional brasileiro, tradicionalmente estruturado para atender o universo masculino, imprime marcas indeléveis na sexualidade de mulheres em reclusão, refletindo na autoestima e ressignificação de suas identidades.
Partindo desses pressupostos, o trabalho objetivou analisar expressões e vivências da sexualidade de mulheres que estão cumprindo Medida de Segurança, a partir do uso da ludicidade que permite a pessoa expressar-se, desbloquear resistências, perceber os “nós” que se constituem em obstáculos que acorrentam e marcam a subjetividade feminina.
Foram utilizados como aporte teórico os estudos de Bourdieu e Foucault sobre poder e dominação, de Vygotsky sobre a psicologia histórico-cultural, de Paulo Freire sobre a educação como prática social e histórica e de Paulo Amarante sobre saúde mental.
Como procedimentos de pesquisa foram realizadas cinco oficinas lúdicas com doze mulheres (voluntárias) no período de um mês, em que os diálogos entre profissionais, estudantes e técnicos da unidade mediaram os depoimentos sobre as expressões da sexualidade vividas, negadas ou distorcidas, bem como os reflexos dessas vivências na autoestima e identidades das mulheres participantes.
Um dos resultados mais evidentes foi ter conseguido a adesão e a participação efetiva de dez mulheres em cada oficina, ocorrência pouco frequente quando se trata de procedimentos alternativos no cotidiano de uma unidade prisional.
Os principais temas discutidos foram: (re)construção de identidades, preconceitos, privações, sensualidade, erotismo e amor.
Com base nas oficinas que valorizaram a expressão do lúdico, o fazer criativo e a autonomia, depreendemos que muito mais que propor atividades, foi importante a constituição de um espaço para escutá-las sobre o que gostariam de fazer.
Abrir um espaço para experimentar sensações, criar, formar laços estimulou a manifestação das potencialidades, da comunicação e da autonomia.
A participação das mulheres nas oficinas propiciou momentos de imersão na problemática em que vivem, permitindo destacar as produções de sentidos e sentimentos distantes do crime, da vivência carcerária, do abandono e da privação e do resgate da autoestima de mulheres reclusas.

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