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A língua portuguesa no espólio de Tommaso Cannizzaro: ferramentas para a tradução
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Se a actividade de tradutor de Tommaso Cannizzaro (1838-1921) foi estudada em trabalhos mais ou menos amplos (Falcone, 1983; Corona, 2017; Santoro, 1999), pouco se encontra feito no âmbito das suas relações com a língua portuguesa, além de um par de contribuições muito gerais ou explorativas (Morabito, 1995; 2023). Com o presente artigo pretende-se, após um mapeamento inicial do material manuscrito e bibliográfico patente em vários acervos (e sobretudo nos dois de Messina), dar uma amostra das estratégias, dos instrumentos e dos meios que estão na base do processo tradutório de Cannizzaro do português para o italiano, através do estudo e da análise das ferramentas utilizadas para ultrapassar as dificuldades e os problemas linguísticos: dicionários e gramáticas, mas sobretudo outros tantos instrumentos auxiliares para a observação do processo tradutório e do grau do envolvimento do tradutor nos mecanismos da língua, como cartas, anotações, glossários e rascunhos presentes nos acervos. A relação epistular com Carlos de Lemos surge portanto como caso paradigmático (mesmo não sendo o único) da tentativa de desenvolvimento dos conhecimentos linguísticos, pois a partir da documentação manuscrita relativa podem-se reconstruir as dúvidas de Cannizzaro e os respectivos esclarecimentos, sobretudo no que respeita ao léxico. O foco central da análise é a tradução das “palavras duvidosas” que se encontram na Georgica (1897), do próprio Lemos, e n’Os Simples (1892), de Guerra Junqueiro, tratando-se de duas obras que, com efeito, apresentam amplos traços de linguagem especializada, sendo relativas à esfera da vida rústica e campestre dos lavradores. As explicações de Lemos sobre essas palavras nem sempre são exaustivas, e ainda menos definitivas, mas são inclusive reelaboradas por Cannizzaro, sendo a versão final sujeita às “norme” (nomeadamente, rítmicas) que este se deu, mais do que à concreta superação de problemas linguísticos.
Title: A língua portuguesa no espólio de Tommaso Cannizzaro: ferramentas para a tradução
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Se a actividade de tradutor de Tommaso Cannizzaro (1838-1921) foi estudada em trabalhos mais ou menos amplos (Falcone, 1983; Corona, 2017; Santoro, 1999), pouco se encontra feito no âmbito das suas relações com a língua portuguesa, além de um par de contribuições muito gerais ou explorativas (Morabito, 1995; 2023).
Com o presente artigo pretende-se, após um mapeamento inicial do material manuscrito e bibliográfico patente em vários acervos (e sobretudo nos dois de Messina), dar uma amostra das estratégias, dos instrumentos e dos meios que estão na base do processo tradutório de Cannizzaro do português para o italiano, através do estudo e da análise das ferramentas utilizadas para ultrapassar as dificuldades e os problemas linguísticos: dicionários e gramáticas, mas sobretudo outros tantos instrumentos auxiliares para a observação do processo tradutório e do grau do envolvimento do tradutor nos mecanismos da língua, como cartas, anotações, glossários e rascunhos presentes nos acervos.
A relação epistular com Carlos de Lemos surge portanto como caso paradigmático (mesmo não sendo o único) da tentativa de desenvolvimento dos conhecimentos linguísticos, pois a partir da documentação manuscrita relativa podem-se reconstruir as dúvidas de Cannizzaro e os respectivos esclarecimentos, sobretudo no que respeita ao léxico.
O foco central da análise é a tradução das “palavras duvidosas” que se encontram na Georgica (1897), do próprio Lemos, e n’Os Simples (1892), de Guerra Junqueiro, tratando-se de duas obras que, com efeito, apresentam amplos traços de linguagem especializada, sendo relativas à esfera da vida rústica e campestre dos lavradores.
As explicações de Lemos sobre essas palavras nem sempre são exaustivas, e ainda menos definitivas, mas são inclusive reelaboradas por Cannizzaro, sendo a versão final sujeita às “norme” (nomeadamente, rítmicas) que este se deu, mais do que à concreta superação de problemas linguísticos.
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