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A REINVENÇÃO DA PAISAGEM EM MIGUEL TORGA

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A pintura de paisagem surge no século XV, e o desenho de paisagem no século seguinte, altura em que os dicionários registram pela primeira vez o termo paisagem, aplicado a uma pintura com cenas do campo. Só em finais do século XVII surge, num dicionário de francês, a concepção de paisagem como a visão de um território que a nossa vista alcança de um determinado ponto de observação, formulação que se manterá até aos nossos dias. No século XVIII, pintam-se paisagens marítimas e de montanhas, além das campestres (e, no século seguinte, florestas e desertos), e académicos relevam a necessidade de um observador para qualificar uma paisagem, elaborando ele próprio, com suas ideias e sentimentos, uma construção mental da paisagem que observa. Na literatura, a temática da paisagem é muito tardia. Nos escritores franceses do século XIX, observam-se diversas qualificações das paisagens que podem ser sinistras, tristes, e a elas se associam sentimentos, personalidades e psiquismos humanos, e até categorias sociais. Dos escritores do século XX, relevamos Miguel Torga, que, revisitando os conceitos históricos do termo, eleva a paisagem a uma realidade com existência e fisiologia próprias que, em alguns casos, como certas paisagens transmontanas e durienses, o homem não tem aparato mental para a descrever. Concordamos com Torga quando afirma que o rio Douro e suas margens são a mais bela paisagem, e pensamos poder associá-la à qualidade da paisagem natural duriense.
Title: A REINVENÇÃO DA PAISAGEM EM MIGUEL TORGA
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A pintura de paisagem surge no século XV, e o desenho de paisagem no século seguinte, altura em que os dicionários registram pela primeira vez o termo paisagem, aplicado a uma pintura com cenas do campo.
Só em finais do século XVII surge, num dicionário de francês, a concepção de paisagem como a visão de um território que a nossa vista alcança de um determinado ponto de observação, formulação que se manterá até aos nossos dias.
No século XVIII, pintam-se paisagens marítimas e de montanhas, além das campestres (e, no século seguinte, florestas e desertos), e académicos relevam a necessidade de um observador para qualificar uma paisagem, elaborando ele próprio, com suas ideias e sentimentos, uma construção mental da paisagem que observa.
Na literatura, a temática da paisagem é muito tardia.
Nos escritores franceses do século XIX, observam-se diversas qualificações das paisagens que podem ser sinistras, tristes, e a elas se associam sentimentos, personalidades e psiquismos humanos, e até categorias sociais.
Dos escritores do século XX, relevamos Miguel Torga, que, revisitando os conceitos históricos do termo, eleva a paisagem a uma realidade com existência e fisiologia próprias que, em alguns casos, como certas paisagens transmontanas e durienses, o homem não tem aparato mental para a descrever.
Concordamos com Torga quando afirma que o rio Douro e suas margens são a mais bela paisagem, e pensamos poder associá-la à qualidade da paisagem natural duriense.

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