Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

"Estou no centro escuro de todas as coisas, mas a visão é larga": o impacto do contexto ditatorial na poética de Hilda Hilst

View through CrossRef
O presente trabalho possui como objetivo investigar como a ditadura militar no Brasil (1964-1985) impactou a poesia de Hilda Hilst. Concentrando-se nas obras Presságio (1950) – que gesta temas e simbolismos explorados e ressignificados ao longo de sua produção poética –, Iniciação do poeta (1963-1966) e Cantares de perda e predileção (1983). O estudo busca analisar poemas de Hilst ao longo de um período marcado pela repressão e entender como o extremo conservadorismo e a censura da época levaram a um crescimento do hermetismo de sua linguagem poética. Recorrendo aos estudos culturais de Stuart Hall (2016) e de Judith Butler (2011), o trabalho divide-se em duas partes. Em um primeiro momento, analisamos o impacto do contexto ditatorial na proposta poética de Hilda Hilst, a qual recorreu à autocensura, expressando-se através de simbologias e de analogias, apresentando resistência através da palavra. Pode-se observar que Hilst também resistiu à tradição literária, reivindicando o seu espaço como poeta em um contexto dominado por vozes masculinas, e à incompreensão da crítica literária superficial da época. Para tal, utilizamos, principalmente, os estudos de autores como Octavio Paz (1982, 1994), Jara e Talens (1987), Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (2003). Em seguida, nos dedicamos a analisar a linguagem de Hilst como forma de transgressão, explorando símbolos presentes em sua obra, além das temáticas do erotismo e do misticismo – como formas de alcançar a transcendência, desafiando o forte conservadorismo e as convenções sociais da época. Ademais, buscamos compreender a essência do eu lírico hilstiniano, representado por diferentes vozes femininas que reivindicam o eu e busca, a sua unidade através do Outro. Para tais análises, recorremos, sobretudo, aos estudos de Octavio Paz (1982, 1984, 1994), Dominique Combe (2010) e Ernst Cassirer (1977). Diante das análises realizadas, conclui-se que o contexto ditatorial exerceu significativa influência sobre a poética de Hilst, intensificando o seu hermetismo como forma de resistência ao silenciamento imposto. Ademais, a sua obra articula um eu lírico feminino transgressor que se afirma como sujeito desejante e ativo na busca por unidade por meio do Outro. Palavras-chave: Hilda Hilst; ditadura Militar; poesia; simbolismo; transgressão; hermetismo; misticismo; literatura brasileira
Pro-Reitoria de Pesquisa e Pos-Graduacai - UFV
Title: "Estou no centro escuro de todas as coisas, mas a visão é larga": o impacto do contexto ditatorial na poética de Hilda Hilst
Description:
O presente trabalho possui como objetivo investigar como a ditadura militar no Brasil (1964-1985) impactou a poesia de Hilda Hilst.
Concentrando-se nas obras Presságio (1950) – que gesta temas e simbolismos explorados e ressignificados ao longo de sua produção poética –, Iniciação do poeta (1963-1966) e Cantares de perda e predileção (1983).
O estudo busca analisar poemas de Hilst ao longo de um período marcado pela repressão e entender como o extremo conservadorismo e a censura da época levaram a um crescimento do hermetismo de sua linguagem poética.
Recorrendo aos estudos culturais de Stuart Hall (2016) e de Judith Butler (2011), o trabalho divide-se em duas partes.
Em um primeiro momento, analisamos o impacto do contexto ditatorial na proposta poética de Hilda Hilst, a qual recorreu à autocensura, expressando-se através de simbologias e de analogias, apresentando resistência através da palavra.
Pode-se observar que Hilst também resistiu à tradição literária, reivindicando o seu espaço como poeta em um contexto dominado por vozes masculinas, e à incompreensão da crítica literária superficial da época.
Para tal, utilizamos, principalmente, os estudos de autores como Octavio Paz (1982, 1994), Jara e Talens (1987), Jean Chevalier e Alain Gheerbrant (2003).
Em seguida, nos dedicamos a analisar a linguagem de Hilst como forma de transgressão, explorando símbolos presentes em sua obra, além das temáticas do erotismo e do misticismo – como formas de alcançar a transcendência, desafiando o forte conservadorismo e as convenções sociais da época.
Ademais, buscamos compreender a essência do eu lírico hilstiniano, representado por diferentes vozes femininas que reivindicam o eu e busca, a sua unidade através do Outro.
Para tais análises, recorremos, sobretudo, aos estudos de Octavio Paz (1982, 1984, 1994), Dominique Combe (2010) e Ernst Cassirer (1977).
Diante das análises realizadas, conclui-se que o contexto ditatorial exerceu significativa influência sobre a poética de Hilst, intensificando o seu hermetismo como forma de resistência ao silenciamento imposto.
Ademais, a sua obra articula um eu lírico feminino transgressor que se afirma como sujeito desejante e ativo na busca por unidade por meio do Outro.
Palavras-chave: Hilda Hilst; ditadura Militar; poesia; simbolismo; transgressão; hermetismo; misticismo; literatura brasileira.

Related Results

Pedagogí­a Crí­tica
Pedagogí­a Crí­tica
Bórquez Bustos, Rodolfo Trillas, 2006 El libro presentado por Bórquez muestra un recorrido por las distintas corrientes ideológicas ligadas con la modernidad, primero desde un punt...
O Corpo Conceitual da Psicologia da Diferença e seus Fundamentos: uma Epistemologia
O Corpo Conceitual da Psicologia da Diferença e seus Fundamentos: uma Epistemologia
O tema desta pesquisa e´ o “O arcabouc¸o conceitual da Psicologia da Diferenc¸a e suas relac¸o~es com a Psicologia Poli´tica e a Cli´nica Poli´tica”. A Psicologia Poli´tica diferen...
Crisis social y crítica sociológica
Crisis social y crítica sociológica
<p>En un contexto de crisis &ndash;o encadenamiento de crisis&ndash; distintos soci&oacute;logos con ejercicio acad&eacute;mico en Espa&ntilde;a se emplaz...
HILDA HILST, FOTODOBRAGENS E CONTINUAÇÕES DO CORPO HILDA
HILDA HILST, FOTODOBRAGENS E CONTINUAÇÕES DO CORPO HILDA
Em uma residência artística realizadaem maio de 2017 na Casa do Sol, onde viveu e trabalhou a escritora Hilda Hilst, produziu-se trabalhos em arte que integram a pesquisa de Mestra...
A palavra vermelha: diálogo entre Mariana Paiva e Hilda Hilst
A palavra vermelha: diálogo entre Mariana Paiva e Hilda Hilst
Vermelho-vida, de Mariana Paiva (2018), se constrói em diálogo com a obra de Hilda Hilst. Escrito a partir da residência de Paiva na Casa do Sol ­– onde Hilst viveu e escreveu –, o...
Formation of Behaviorally Active Estrogen in the Dove Brain: Induction of Preoptic Aromatase by Intracranial Testosterone
Formation of Behaviorally Active Estrogen in the Dove Brain: Induction of Preoptic Aromatase by Intracranial Testosterone
The preoptic area (POA) of the male ring dove is a target for specific behavioral effects of estrogen that are separable from those of androgen. Activity of the aromatase system in...
Comunicação e uma poética do erotismo: de Hilda Hilst a Eduardo Nunes
Comunicação e uma poética do erotismo: de Hilda Hilst a Eduardo Nunes
Este estudo tem como questão norteadora a compreensão sobre o modo como o cineasta Eduardo Nunes, em seu filme Unicórnio (2018), comunica a narrativa poética de Hilda Hilst (1930-2...
‘A Casa da Porca’: The Porcine Undoing of Domesticity and Anthropocentrism in Hilda Hilst’s Sensual World
‘A Casa da Porca’: The Porcine Undoing of Domesticity and Anthropocentrism in Hilda Hilst’s Sensual World
Abstract: From an eco-feminist perspective sympathetic to more-than-human life, this article proposes to explore, in a number of interrelated ways, the specificities and ambiguitie...

Back to Top