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Uma análise da percepção da sociedade brasileira sobre a violência contra a mulher
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A violência contra a mulher é definida em termos de ameaças, ações ou condutas, pautadas no gênero, que culmine em morte ou promova danos ou sofrimento físico, sexual ou psicológico. Diante do caráter estrutural e alarmante deste fenômeno, o presente estudo teve como objetivo geral construir um instrumento de medida capaz de avaliar a Percepção da Violência Contra a Mulher (EPVCM) e reunir evidências de seus parâmetros psicométricos. Em complemento, os objetivos específicos consistiram em adaptar a Acceptance of Myths About Intimate Partner Violence Against Women (AMIVAW) Scale ao contexto brasileiro e investigar se a percepção da violência contra a mulher difere em função de gênero, nível de escolaridade, classe social e orientação política dos indivíduos. No estudo 1, exerceu-se o processo de construção e reunião de evidências de validade de conteúdo da Escala de Percepção da Violência contra a Mulher através da análise de juízes. No segundo estudo, averiguou-se as propriedades psicométricas da EPVCM em uma amostra de indivíduos maiores de 18 anos (N = 318), reunindo evidências de validade de construto, validade convergente-discriminante e consistência interna. Os participantes responderam um questionário online composto por 7 blocos: questões sociodemográficas (bloco 1), Escala de Percepção da Violência contra a Mulher (bloco 2), perguntas sobre ideologia política (bloco 3), perguntas sobre participação nas eleições (bloco 4), Escala de Justificação do Sistema para Relações de Gênero (bloco 5), Inventário de Sexismo Ambivalente (bloco 6) e Escala de Aceitação dos Mitos da violência contra a mulher por parceiro íntimo (bloco 7). A escala final possui 33 itens e se configurou em uma estrutura tetrafatorial: Fator 1 violência psicológica e moral (α =0,96), Fator 2 - violência física (α = 0,89), Fator 3 -violência sexual (α =0,78) e Fator 4 - violência patrimonial (α =0,85). Os escores da percepção da violência contra a mulher demonstraram correlação negativa com a Escala de Justificação do Sistema para Relações de Gênero, Inventário de Sexismo Ambivalente e Escala de Aceitação dos Mitos da Violência Contra a Mulher por Parceiro Íntimo, certificando assim a validade convergente-discriminante. A Escala de Aceitação dos Mitos da Violência Contra a Mulher por Parceiro Íntimo foi adaptada mediante os processos de tradução e retrotadução por 3 voluntários bilíngues, assim como também, foi submetida a análise fatorial exploratória resultando em uma escala unifatorial, composta por 14 itens, e com índice de consistência interna satisfatório (α=0,83). Assim, tais dados sinalizam a sua possibilidade de aplicação em estudos futuros. Os resultados atestaram que a EPVCM acumulou evidências de validade concernente ao conteúdo, estrutura interna e precisão, o que sinaliza seu potencial de uso para averiguar a percepção da sociedade brasileira sobre a violência contra mulheres no Brasil.
Centro de Ensino Unificado de Brasilia
Title: Uma análise da percepção da sociedade brasileira sobre a violência contra a mulher
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A violência contra a mulher é definida em termos de ameaças, ações ou condutas, pautadas no gênero, que culmine em morte ou promova danos ou sofrimento físico, sexual ou psicológico.
Diante do caráter estrutural e alarmante deste fenômeno, o presente estudo teve como objetivo geral construir um instrumento de medida capaz de avaliar a Percepção da Violência Contra a Mulher (EPVCM) e reunir evidências de seus parâmetros psicométricos.
Em complemento, os objetivos específicos consistiram em adaptar a Acceptance of Myths About Intimate Partner Violence Against Women (AMIVAW) Scale ao contexto brasileiro e investigar se a percepção da violência contra a mulher difere em função de gênero, nível de escolaridade, classe social e orientação política dos indivíduos.
No estudo 1, exerceu-se o processo de construção e reunião de evidências de validade de conteúdo da Escala de Percepção da Violência contra a Mulher através da análise de juízes.
No segundo estudo, averiguou-se as propriedades psicométricas da EPVCM em uma amostra de indivíduos maiores de 18 anos (N = 318), reunindo evidências de validade de construto, validade convergente-discriminante e consistência interna.
Os participantes responderam um questionário online composto por 7 blocos: questões sociodemográficas (bloco 1), Escala de Percepção da Violência contra a Mulher (bloco 2), perguntas sobre ideologia política (bloco 3), perguntas sobre participação nas eleições (bloco 4), Escala de Justificação do Sistema para Relações de Gênero (bloco 5), Inventário de Sexismo Ambivalente (bloco 6) e Escala de Aceitação dos Mitos da violência contra a mulher por parceiro íntimo (bloco 7).
A escala final possui 33 itens e se configurou em uma estrutura tetrafatorial: Fator 1 violência psicológica e moral (α =0,96), Fator 2 - violência física (α = 0,89), Fator 3 -violência sexual (α =0,78) e Fator 4 - violência patrimonial (α =0,85).
Os escores da percepção da violência contra a mulher demonstraram correlação negativa com a Escala de Justificação do Sistema para Relações de Gênero, Inventário de Sexismo Ambivalente e Escala de Aceitação dos Mitos da Violência Contra a Mulher por Parceiro Íntimo, certificando assim a validade convergente-discriminante.
A Escala de Aceitação dos Mitos da Violência Contra a Mulher por Parceiro Íntimo foi adaptada mediante os processos de tradução e retrotadução por 3 voluntários bilíngues, assim como também, foi submetida a análise fatorial exploratória resultando em uma escala unifatorial, composta por 14 itens, e com índice de consistência interna satisfatório (α=0,83).
Assim, tais dados sinalizam a sua possibilidade de aplicação em estudos futuros.
Os resultados atestaram que a EPVCM acumulou evidências de validade concernente ao conteúdo, estrutura interna e precisão, o que sinaliza seu potencial de uso para averiguar a percepção da sociedade brasileira sobre a violência contra mulheres no Brasil.
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