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Do Diagnóstico Ao Tratamento: Caso Único De Carcinoma De Células Fusiformes Em Equino
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Antecedentes: O carcinoma de células fusiformes (CCF) é uma neoplasia rara, variante do carcinoma espinocelular ou carcinoma de células escamosas (CCE), que comete células de origem epitelial, causando alterações citomorfológicas variáveis, cuja predisposição e critérios de diagnóstico ainda são pouco conhecidos . Objetivamos discordar sobre o único caso documentado de um carcinoma de células fusiformes na espécie equina, demonstrando a importância da inter-relação entre os aspectos clínicos, radiográficos, endoscópicos, histopatológicos e imuno-histoquímicos para a determinação do diagnóstico, bem como, relatamos o sucesso das condutas que culminaram na recuperação do paciente.
Caso: Um cavalo macho de aproximadamente 10 anos de idade, 360 kg, sem padrão de raça definida e pelagem castanha, foi atendido com histórico de intervenção na moderna nasal direita. Além disso, foram descritos “roncos” sempre que o animal participava de competições. O tempo de evolução era desconhecido, veja-se que o animal já havia sido adquirido com a enfermidade. O lúmen da narina direita do paciente ficou obstruído por uma massa fétida, com áreas ulceradas, além da presença de uma função mucopurulenta bilateral contínua. O animal apresentou dispneia inspiratória e sons de roce bilaterais. À percussão sonora, o seio frontal esquerdo e os seios maxilares, expressaram sons levemente maciços. Exames radiográficos e endoscópicos sugeriram inflamação dos seios nasais, assim, foi iniciado um protocolo de meloxicam (0,06 mg/kg), dipirona (20 mg/kg), nebulização com dexametasona, óleo canforado e cloridrato de bromexina diluídos em solução fisiológica, além de penicilina (4.000.000 UI, IV) a cada 48 horas durante 6 dias, e lavagem do seio nasal com solução iodado. O animal passou por procedimentos de exercício da massa e as amostras teciduais da mesma, seguiram para diagnóstico histopatológico. Macroscopicamente, os dois fragmentos mediam 14,1 cm x 8,5 cm x 1,2 cm, e 15,0 cm x 8,5 cm x 1,2 cm, respectivamente; eram macios, amarelados e de aspecto gelatinoso, e com áreas multifocalmente avermelhadas. Microscopicamente, havia matriz mixóide, binucleação de células, regular celular com pleomorfismo e eosinofilia moderados, além de bordas citoplasmáticas indistintas. Seus núcleos eram ovalados e exibiam cromatina pontilhada e nucléolos proeminentes. As células apresentaram imunomarcação positiva para vimentina e citoqueratina pan clone AE1AE3. O paciente foi suspenso sob internação e teve alta hospitalar após sessenta dias de sua internação.
Discussão: Dado que o carcinoma espinocelular tende a ocorrer em resposta a fatores genéticos e exposição solar, é possível que esses mesmos fatores tenham predisposição ao paciente ao desenvolvimento do CCF. Dada a escassez de informações sobre o CCF em animais, o diagnóstico do paciente só foi possível através da associação de metodologias diagnósticas com informações obtidas de relatos em humanos. Baseado apenas na morfologia celular predominantemente fusiforme e abundante matriz mucinosa, o diagnóstico mais provável seria de mixossarcoma, contudo, outros aspectos como a ausência de síndrome paraneoplásica no paciente, a capacidade infiltrativa local da neoplasia e seu aspecto gelatinoso e amarelado, assim como, como imunomarcações simultâneas de vimentina e citoqueratinas, foram achados compatíveis com os que são descritos mais frequentemente nos relatos de CCF em pacientes humanos, reforçando a assertividade do diagnóstico empregado no equino. Seguindo o que é recomendado nesses casos, a neoplasia foi removida cirurgicamente e o paciente foi monitorado, não apresentando sinais de recidiva da mesma após a última reavaliação.
Universidade Federal do Rio Grande do Sul
Title: Do Diagnóstico Ao Tratamento: Caso Único De Carcinoma De Células Fusiformes Em Equino
Description:
Antecedentes: O carcinoma de células fusiformes (CCF) é uma neoplasia rara, variante do carcinoma espinocelular ou carcinoma de células escamosas (CCE), que comete células de origem epitelial, causando alterações citomorfológicas variáveis, cuja predisposição e critérios de diagnóstico ainda são pouco conhecidos .
Objetivamos discordar sobre o único caso documentado de um carcinoma de células fusiformes na espécie equina, demonstrando a importância da inter-relação entre os aspectos clínicos, radiográficos, endoscópicos, histopatológicos e imuno-histoquímicos para a determinação do diagnóstico, bem como, relatamos o sucesso das condutas que culminaram na recuperação do paciente.
Caso: Um cavalo macho de aproximadamente 10 anos de idade, 360 kg, sem padrão de raça definida e pelagem castanha, foi atendido com histórico de intervenção na moderna nasal direita.
Além disso, foram descritos “roncos” sempre que o animal participava de competições.
O tempo de evolução era desconhecido, veja-se que o animal já havia sido adquirido com a enfermidade.
O lúmen da narina direita do paciente ficou obstruído por uma massa fétida, com áreas ulceradas, além da presença de uma função mucopurulenta bilateral contínua.
O animal apresentou dispneia inspiratória e sons de roce bilaterais.
À percussão sonora, o seio frontal esquerdo e os seios maxilares, expressaram sons levemente maciços.
Exames radiográficos e endoscópicos sugeriram inflamação dos seios nasais, assim, foi iniciado um protocolo de meloxicam (0,06 mg/kg), dipirona (20 mg/kg), nebulização com dexametasona, óleo canforado e cloridrato de bromexina diluídos em solução fisiológica, além de penicilina (4.
000.
000 UI, IV) a cada 48 horas durante 6 dias, e lavagem do seio nasal com solução iodado.
O animal passou por procedimentos de exercício da massa e as amostras teciduais da mesma, seguiram para diagnóstico histopatológico.
Macroscopicamente, os dois fragmentos mediam 14,1 cm x 8,5 cm x 1,2 cm, e 15,0 cm x 8,5 cm x 1,2 cm, respectivamente; eram macios, amarelados e de aspecto gelatinoso, e com áreas multifocalmente avermelhadas.
Microscopicamente, havia matriz mixóide, binucleação de células, regular celular com pleomorfismo e eosinofilia moderados, além de bordas citoplasmáticas indistintas.
Seus núcleos eram ovalados e exibiam cromatina pontilhada e nucléolos proeminentes.
As células apresentaram imunomarcação positiva para vimentina e citoqueratina pan clone AE1AE3.
O paciente foi suspenso sob internação e teve alta hospitalar após sessenta dias de sua internação.
Discussão: Dado que o carcinoma espinocelular tende a ocorrer em resposta a fatores genéticos e exposição solar, é possível que esses mesmos fatores tenham predisposição ao paciente ao desenvolvimento do CCF.
Dada a escassez de informações sobre o CCF em animais, o diagnóstico do paciente só foi possível através da associação de metodologias diagnósticas com informações obtidas de relatos em humanos.
Baseado apenas na morfologia celular predominantemente fusiforme e abundante matriz mucinosa, o diagnóstico mais provável seria de mixossarcoma, contudo, outros aspectos como a ausência de síndrome paraneoplásica no paciente, a capacidade infiltrativa local da neoplasia e seu aspecto gelatinoso e amarelado, assim como, como imunomarcações simultâneas de vimentina e citoqueratinas, foram achados compatíveis com os que são descritos mais frequentemente nos relatos de CCF em pacientes humanos, reforçando a assertividade do diagnóstico empregado no equino.
Seguindo o que é recomendado nesses casos, a neoplasia foi removida cirurgicamente e o paciente foi monitorado, não apresentando sinais de recidiva da mesma após a última reavaliação.
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