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Capítulo 6 – HIV-AIDS, como tratar, o que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
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A infecção pelo vírus do HIV pode ocorrer de diversas maneiras, tendo sua principal forma a via sexual por meio do sexo desprotegido. O vírus do HIV fica em um período de incubação por até 90 dias (que é o intervalo entre a data do primeiro contato com o patógeno até o início dos sinais e sintomas), calma aí, sei que você deve estar se perguntando o que é tudo isso, então vamos lá.
O que é o HIV?
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus que ataca o sistema imunológico, que é como um “escudo” ou como também conhecidos “os soldadinhos” do sistema imunológico, são esses soldadinhos, os CD4, que nos protegem das doenças.
Desta forma, o HIV apresenta 5 tipos evolutivos até que se chegue à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (da sigla em inglês AIDS). A partir disto, a AIDS é considerada a disfunção do sistema imunológico gerada pela infecção do HIV sem tratamento, que causa a destruição das células T-CD4+, responsáveis pela regulação imunológica no reconhecimento de antígenos e resposta imunológica adaptativa.
Mas o que é AIDS?
A AIDS, nada mais é do que uma doença causada por co-infecções (essas co-infecções, são doenças como pneumonias, tuberculose, doenças fúngicas e outras…) quando o HIV já deixou o corpo bem fraco. Mas vou te contar uma coisa, você sabia que nem toda pessoa que possui o HIV tem AIDS? Pera aí, segura um pouco a ansiedade e vamos falar disso nos próximos takes sobre a HIV e da AIDS.
Já falamos no início, uma das formas de “pegar” O HIV, mas agora você vai ler com todo carinho e atenção, as diversas formas de se contrair e como não se contrai o vírus.
Como se “pega” o HIV?
O HIV pode ser passado pela principal forma, que é através das relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativos tanto masculinos quanto femininos), essas relações podem ser tanto através do sexo oral, vaginal ou anal. Outra forma é através de compartilhamento de seringas, de mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação (se a pessoa não estiver se tratando direitinho).
Você pode se perguntar “Mas o beijo, pelo beijo pega?” Não, o beijo não é porta de entrada para o vírus. Mas em alguns casos, se a pessoa tiver algum ferimento nos lábios ou na parte interna da boca e estiver sangrenta, pode ser possível pegar o HIV.
“E sentar, sentar em locais públicos, pega?”
Não, sentar em locais públicos não é uma forma de transmissão do HIV, nunca foi comprovada em estudos de que o HIV se transmite dessa forma.
Mas o que acontece realmente para que a pessoa se infecte?
Para que vocês entendam como ocorre é necessário eu explicar sobre a fisiopatologia (é como se fosse o ciclo desse vírus), então vamos lá! Quando gostamos de alguém e começamos a sentir algo, às vezes ocorre de ter-se relações com essa pessoa. Mas, não sabemos com quem ou como a saúde íntima dessa pessoa pode estar. O vírus é silencioso e muito discreto no início, então a pessoa pode saber que não tem e você acabar tendo relações desprotegidas com ela/ele.
Agora eu vou te explicar através de uma história pra você poder entender a fisiopatologia. Quando se tem relação sexual com uma pessoa que possa estar com HIV, ela acaba transmitindo o vírus para a outra pessoa. Isso acontece porque o vírus tem tropismo(afinidade) com as células da mucosa das genitálias.
O vírus HIV-1 possui uma membrana lipoprotéica em que cada partícula viral contém 72 complexos de glicoproteína. O vírus após contato com o ser humano, atravessa o epitélio genital e na submucosa procura os linfócitos TCD4+ (os soldadinhos), isso ocorre quando a glicoproteína gp120(essas glicoproteínas funcionam como chaves) se liga a essas células dendríticas por meio de adsorção onde a gp41 que é uma proteína de fusão, facilita a entrada do envelope viral com a membrana da célula através dos co-receptores (CCR5) na superfície da célula humana (esses co-receptores funcionam como uma fechadura). Todo esse processo facilita a entrada do vírus na célula.
Quando isso acontece, o vírus começa a se multiplicar dentro das células de defesa do organismo e acaba as matando, ela literalmente é uma serial killer. Agora imagina, tá imaginando? Pois é, as células que nos defendem de outras doenças estão morrendo, como que uma pessoa que está infectada pelo vírus consegue se proteger de se essas células estão comprometidas?
Quando uma pessoa é acometida pelo HIV e não descobre a tempo de aa vírus a deixar fraca e sem imunidade para combater outras doenças, essa pessoa está imunossuprimida e com facilidade de ter AIDS.
Como fator definidor da AIDS, tem-se o aparecimento de infecções oportunistas, sendo as mais frequentes a pneumocistose, a toxoplasmose, tuberculose pulmonar e disseminada e a meningite criptococose, além do surgimento de neoplasias como o Linfoma não Hodgkin e o Sarcoma de Kaposi. Na AIDS propriamente dita ainda há o aumento dos fatores inflamatórios a órgãos nobres causado pelo vírus do HIV, gerando maior dano ao sistema imunológico das pessoas acometidas. (BRASIL, 2023)
Foto: Bentes, 2025
De acordo com o boletim epidemiológico gerado pelo Ministério Da Saúde em 2023, foram registrados 1.124.063 casos de aids no Brasil entre os anos de 1980 e 2023, apresentando uma média de 35,9 mil novos casos de aids por ano nos últimos 5 anos. Estes dados provenientes do SINAN revelam a grande incidência destes casos na região Sudeste e Sul do Brasil. Desde o ano de 2013 há a redução na notificação de casos da AIDS, onde há diversos fatores determinantes para estes dados, como a subnotificação e a real baixa na taxa de evolução para a síndrome da imunodeficiência adquirida. Porém, vale ressaltar que mesmo com estes dados, a AIDS continua a ser uma doença de notificação compulsória é uma questão de saúde pública, então se liga, tem que se cuidar direitinho tá!
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma condição decorrente da infecção prévia pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV). O processo fisiopatológico da AIDS inicia-se com a infecção do organismo pelo HIV, que invade e destrói as células CD4 +, essenciais para a função imunológica. Na fase aguda há uma rápida replicação viral, resultando em elevada carga viral e sintomas semelhantes ao de uma gripe. Após essa fase inicial, a infecção entra em uma fase crônica assintomática, na qual o vírus continua a replicação mais lentamente, destruindo de forma progressiva as células de defesa. Ao longo do tempo, essa destruição resulta em uma imunodeficiência progressiva, comprometendo a capacidade do sistema imunológico de combater infecções. A AIDS é diagnosticada quando a contagem de células CD4+ cai abaixo de 200 células/mm³ ou quando surgem infecções oportunistas graves, tais como pneumonia por Pneumocystis jirovecii, toxoplasmose cerebral e tuberculose, além de neoplasias específicas como o sarcoma de Kaposi e linfomas (SANTOS; PEREIRA, 2019).
Mas existe tratamento para o HIV?
Claro que existe! Existem tratamentos com remédios que ajudam o corpo a se defender do vírus. Esses remédios não curam o HIV, mas deixam a pessoa forte e saudável, e o melhor, esses remédios são disponibilizados de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), basta você apresentar sua receita e pegar o tratamento no posto de saúde mais próximo que seja referência para o tratamento de HIV/AIDS.
A pessoa para ficar saudável e ter uma vida normalmente comum, precisa tomar os remédios todos os dias. Esses remédios são chamados de antirretrovirais. Eles impedem que o vírus se multiplique dentro do corpo.
Mas como se proteger do vírus do HIV?
Foto: Bentes, 2024
Para se proteger, cientistas desenvolveram a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), elas são estratégias essenciais na prevenção do HIV. A PrEP envolve o uso diário de medicamentos antirretrovirais por pessoas não infectadas, mas com alto risco de contrair HIV, enquanto a PEP é usada em situações de emergência após possível exposição ao vírus, devendo ser iniciada dentro de 72 horas. Ambos os métodos têm mostrado alta eficácia na prevenção do HIV quando utilizados corretamente (SILVA et al., 2022).
O que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
A primeira coisa que você não pode fazer é deixar de tomar a medicação. Se a pessoa parar de tomar o remédio o vírus pode ficar muito mais forte e você pode ficar muito doente e a sua medicação pode já não funcionar para o seu organismo e você precisará de outras novas medicações.
Outra forma é manter o acompanhamento com o médico. O médico e o enfermeiro são seus principais aliados nessa fase de tratamento, o médico vai te ajudar no controle da carga viral solicitando exames e monitorando através da carga viral e de CD4 a eficácia do tratamento.
Além de seguir com o tratamento e as consultas médicas, é essencial a pessoa adotar hábitos saudáveis como, ter uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas, tentar manter uma rotina de sono adequada para ajudar a fortalecer o sistema imunológico.
O uso de preservativos também é super importante não só durante o tratamento como também para evitar novas infecções que são contraídas por relações sexuais. Ela é simples e pode ser encontrada de forma gratuita nas unidades básicas de saúde, sem nenhum custo oferecido pelo Sistema Único de Saúde.
Esse momento é muito importante para a pessoa vivendo com HIV, é um momento de levantar a cabeça e seguir em frente, e lembrar que você é o personagem principal dessa história, manter a cabeça e os pensamentos firmes é essencial para que o tratamento seja feito de forma correta. Nesse cenário, o profissional de saúde mental é essencial para ajudar nesse processo, um psicólogo, um psiquiatra, o enfermeiro especialista em saúde mental, esses profissionais são uma chave importante no seu processo de autoajuda, onde podem te aconselhar, e ajudar a entender toda a trajetória e até mesmo sobre a estigmatização da doença.
Essa estigmatização é quando uma pessoa é tratada com preconceito, medi ou rejeição só por estar vivendo com uma doença, principalmente quando as pessoas escutam a palavra “HIV”. Isso pode acontecer por falta de informação, medo ou até por ideias antigas que não são mais verdadeiras. E como isso afeta quem tem o HIV? A vergonha e a culpa se apoderam da pessoa, deixando-a triste, com a autoestima baixa e fazendo com que aconteça o pior, a falta de adesão ao tratamento.
O maior inimigo de quem vive com HIV nem sempre é o vírus, mas sim o preconceito das pessoas. A falta de informação faz com que muitos ainda tratem quem tem HIV com medo ou desprezo, e isso é errado. Com conhecimento, respeito e carinho, podemos acabar com o estigma e ajudar a criar um mundo onde todos se sintam seguros para viver, se cuidar e serem quem são.
Quem tem HIV é uma pessoa como qualquer outra. Com o tratamento, pode viver bem, ter filhos, estudar e ser feliz. Ninguém merece ser maltratado por causa de uma condição de saúde.
Respeitar quem vive com HIV é sinal de maturidade, solidariedade e amor ao próximo. Ter o HIV não é o fim da vida, é o começo de um novo jeito de se cuidar e cuidar dos outros.
Tenho dúvidas ou curiosidades sobre o assunto!?1?!?!
REFERÊNCIAS
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis. Boletim Epidemiológico HIV e AIDS 2023 - Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente. Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde e Ambiente. Guia de vigilância em saúde: volume 2 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde e Ambiente. – 6. ed. – Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL. MINISTÉRIO DA SAÚDE. HIV/AIDS. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv>. Acesso em: ago. 2024.
FERREIRA, M. G.; SOUZA, L. P.; ALMEIDA, R. S. Vigilância e monitoramento do HIV. Revista Brasileira de Enfermagem, v. 75, n. 6, p. 789-798, 2022.
GONÇALVES, J. A.; ALMEIDA, M. C. Práticas de enfermagem em HIV. Revista de Enfermagem Contemporânea, v. 51, n. 4, p. 345-356, 2020.
LADEIA, D. N. et al. Fisiopatologia da pneumocistose em pacientes HIV positivo: revisão narrativa. Revista Eletrônica Acervo Saúde, v. 12, n. 10, p. e3924, 6 ago. 2020.
LOPES, A. O. L. et al. Aspectos epidemiológicos e clínicos de pacientes infectados por HIV. Revista Brasileira de Análises Clínicas, v. 51, n. 4, 2020.
OBEAGU, E. I. et al. Translation of HIV/AIDS knowledge into behavior change among secondary school adolescents in Uganda: A review. Medicine, v. 102, n. 49, p. e36599, 8 dez. 2023.
OBEAGU, E. I. A REVIEW OF CHALLENGES AND COPING STRATEGIES FACED BY HIV/AIDS DISCORDANT COUPLES. Madonna University journal of Medicine and Health Sciences ISSN: 2814-3035, v. 3, n. 1, p. 7-12, 1 Jan. 2023.
SANTOS, A. P.; PEREIRA, T. S. Políticas sociais e de saúde. Cadernos de Saúde Pública, v. 35, n. 3, p. 245-254, 2019.
SAX, P. E. et al. Weight Gain Following Initiation of Antiretroviral Therapy: Risk Factors in Randomized Comparative Clinical Trials. Clinical Infectious Diseases, 14 out. 2019.
SILVA, N. M. DA et al. Nível de Conhecimento de Adolescentes Sobre a Infecção Pelo HIV: Uma Relação Com Autocuidado e Comportamentos de Risco. Enfermería Actual en Costa Rica, n. 43, 22 jun. 2022.
Pontifícia Universidade Católica de São Paulo
Title: Capítulo 6 – HIV-AIDS, como tratar, o que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
Description:
A infecção pelo vírus do HIV pode ocorrer de diversas maneiras, tendo sua principal forma a via sexual por meio do sexo desprotegido.
O vírus do HIV fica em um período de incubação por até 90 dias (que é o intervalo entre a data do primeiro contato com o patógeno até o início dos sinais e sintomas), calma aí, sei que você deve estar se perguntando o que é tudo isso, então vamos lá.
O que é o HIV?
O HIV (Vírus da Imunodeficiência Humana) é um vírus que ataca o sistema imunológico, que é como um “escudo” ou como também conhecidos “os soldadinhos” do sistema imunológico, são esses soldadinhos, os CD4, que nos protegem das doenças.
Desta forma, o HIV apresenta 5 tipos evolutivos até que se chegue à Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (da sigla em inglês AIDS).
A partir disto, a AIDS é considerada a disfunção do sistema imunológico gerada pela infecção do HIV sem tratamento, que causa a destruição das células T-CD4+, responsáveis pela regulação imunológica no reconhecimento de antígenos e resposta imunológica adaptativa.
Mas o que é AIDS?
A AIDS, nada mais é do que uma doença causada por co-infecções (essas co-infecções, são doenças como pneumonias, tuberculose, doenças fúngicas e outras…) quando o HIV já deixou o corpo bem fraco.
Mas vou te contar uma coisa, você sabia que nem toda pessoa que possui o HIV tem AIDS? Pera aí, segura um pouco a ansiedade e vamos falar disso nos próximos takes sobre a HIV e da AIDS.
Já falamos no início, uma das formas de “pegar” O HIV, mas agora você vai ler com todo carinho e atenção, as diversas formas de se contrair e como não se contrai o vírus.
Como se “pega” o HIV?
O HIV pode ser passado pela principal forma, que é através das relações sexuais desprotegidas (sem uso de preservativos tanto masculinos quanto femininos), essas relações podem ser tanto através do sexo oral, vaginal ou anal.
Outra forma é através de compartilhamento de seringas, de mãe para o bebê durante a gravidez, parto ou amamentação (se a pessoa não estiver se tratando direitinho).
Você pode se perguntar “Mas o beijo, pelo beijo pega?” Não, o beijo não é porta de entrada para o vírus.
Mas em alguns casos, se a pessoa tiver algum ferimento nos lábios ou na parte interna da boca e estiver sangrenta, pode ser possível pegar o HIV.
“E sentar, sentar em locais públicos, pega?”
Não, sentar em locais públicos não é uma forma de transmissão do HIV, nunca foi comprovada em estudos de que o HIV se transmite dessa forma.
Mas o que acontece realmente para que a pessoa se infecte?
Para que vocês entendam como ocorre é necessário eu explicar sobre a fisiopatologia (é como se fosse o ciclo desse vírus), então vamos lá! Quando gostamos de alguém e começamos a sentir algo, às vezes ocorre de ter-se relações com essa pessoa.
Mas, não sabemos com quem ou como a saúde íntima dessa pessoa pode estar.
O vírus é silencioso e muito discreto no início, então a pessoa pode saber que não tem e você acabar tendo relações desprotegidas com ela/ele.
Agora eu vou te explicar através de uma história pra você poder entender a fisiopatologia.
Quando se tem relação sexual com uma pessoa que possa estar com HIV, ela acaba transmitindo o vírus para a outra pessoa.
Isso acontece porque o vírus tem tropismo(afinidade) com as células da mucosa das genitálias.
O vírus HIV-1 possui uma membrana lipoprotéica em que cada partícula viral contém 72 complexos de glicoproteína.
O vírus após contato com o ser humano, atravessa o epitélio genital e na submucosa procura os linfócitos TCD4+ (os soldadinhos), isso ocorre quando a glicoproteína gp120(essas glicoproteínas funcionam como chaves) se liga a essas células dendríticas por meio de adsorção onde a gp41 que é uma proteína de fusão, facilita a entrada do envelope viral com a membrana da célula através dos co-receptores (CCR5) na superfície da célula humana (esses co-receptores funcionam como uma fechadura).
Todo esse processo facilita a entrada do vírus na célula.
Quando isso acontece, o vírus começa a se multiplicar dentro das células de defesa do organismo e acaba as matando, ela literalmente é uma serial killer.
Agora imagina, tá imaginando? Pois é, as células que nos defendem de outras doenças estão morrendo, como que uma pessoa que está infectada pelo vírus consegue se proteger de se essas células estão comprometidas?
Quando uma pessoa é acometida pelo HIV e não descobre a tempo de aa vírus a deixar fraca e sem imunidade para combater outras doenças, essa pessoa está imunossuprimida e com facilidade de ter AIDS.
Como fator definidor da AIDS, tem-se o aparecimento de infecções oportunistas, sendo as mais frequentes a pneumocistose, a toxoplasmose, tuberculose pulmonar e disseminada e a meningite criptococose, além do surgimento de neoplasias como o Linfoma não Hodgkin e o Sarcoma de Kaposi.
Na AIDS propriamente dita ainda há o aumento dos fatores inflamatórios a órgãos nobres causado pelo vírus do HIV, gerando maior dano ao sistema imunológico das pessoas acometidas.
(BRASIL, 2023)
Foto: Bentes, 2025
De acordo com o boletim epidemiológico gerado pelo Ministério Da Saúde em 2023, foram registrados 1.
124.
063 casos de aids no Brasil entre os anos de 1980 e 2023, apresentando uma média de 35,9 mil novos casos de aids por ano nos últimos 5 anos.
Estes dados provenientes do SINAN revelam a grande incidência destes casos na região Sudeste e Sul do Brasil.
Desde o ano de 2013 há a redução na notificação de casos da AIDS, onde há diversos fatores determinantes para estes dados, como a subnotificação e a real baixa na taxa de evolução para a síndrome da imunodeficiência adquirida.
Porém, vale ressaltar que mesmo com estes dados, a AIDS continua a ser uma doença de notificação compulsória é uma questão de saúde pública, então se liga, tem que se cuidar direitinho tá!
A Síndrome da Imunodeficiência Adquirida (AIDS) é uma condição decorrente da infecção prévia pelo Vírus da Imunodeficiência Humana (HIV).
O processo fisiopatológico da AIDS inicia-se com a infecção do organismo pelo HIV, que invade e destrói as células CD4 +, essenciais para a função imunológica.
Na fase aguda há uma rápida replicação viral, resultando em elevada carga viral e sintomas semelhantes ao de uma gripe.
Após essa fase inicial, a infecção entra em uma fase crônica assintomática, na qual o vírus continua a replicação mais lentamente, destruindo de forma progressiva as células de defesa.
Ao longo do tempo, essa destruição resulta em uma imunodeficiência progressiva, comprometendo a capacidade do sistema imunológico de combater infecções.
A AIDS é diagnosticada quando a contagem de células CD4+ cai abaixo de 200 células/mm³ ou quando surgem infecções oportunistas graves, tais como pneumonia por Pneumocystis jirovecii, toxoplasmose cerebral e tuberculose, além de neoplasias específicas como o sarcoma de Kaposi e linfomas (SANTOS; PEREIRA, 2019).
Mas existe tratamento para o HIV?
Claro que existe! Existem tratamentos com remédios que ajudam o corpo a se defender do vírus.
Esses remédios não curam o HIV, mas deixam a pessoa forte e saudável, e o melhor, esses remédios são disponibilizados de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), basta você apresentar sua receita e pegar o tratamento no posto de saúde mais próximo que seja referência para o tratamento de HIV/AIDS.
A pessoa para ficar saudável e ter uma vida normalmente comum, precisa tomar os remédios todos os dias.
Esses remédios são chamados de antirretrovirais.
Eles impedem que o vírus se multiplique dentro do corpo.
Mas como se proteger do vírus do HIV?
Foto: Bentes, 2024
Para se proteger, cientistas desenvolveram a profilaxia pré-exposição (PrEP) e a profilaxia pós-exposição (PEP), elas são estratégias essenciais na prevenção do HIV.
A PrEP envolve o uso diário de medicamentos antirretrovirais por pessoas não infectadas, mas com alto risco de contrair HIV, enquanto a PEP é usada em situações de emergência após possível exposição ao vírus, devendo ser iniciada dentro de 72 horas.
Ambos os métodos têm mostrado alta eficácia na prevenção do HIV quando utilizados corretamente (SILVA et al.
, 2022).
O que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
A primeira coisa que você não pode fazer é deixar de tomar a medicação.
Se a pessoa parar de tomar o remédio o vírus pode ficar muito mais forte e você pode ficar muito doente e a sua medicação pode já não funcionar para o seu organismo e você precisará de outras novas medicações.
Outra forma é manter o acompanhamento com o médico.
O médico e o enfermeiro são seus principais aliados nessa fase de tratamento, o médico vai te ajudar no controle da carga viral solicitando exames e monitorando através da carga viral e de CD4 a eficácia do tratamento.
Além de seguir com o tratamento e as consultas médicas, é essencial a pessoa adotar hábitos saudáveis como, ter uma alimentação balanceada, praticar atividades físicas, tentar manter uma rotina de sono adequada para ajudar a fortalecer o sistema imunológico.
O uso de preservativos também é super importante não só durante o tratamento como também para evitar novas infecções que são contraídas por relações sexuais.
Ela é simples e pode ser encontrada de forma gratuita nas unidades básicas de saúde, sem nenhum custo oferecido pelo Sistema Único de Saúde.
Esse momento é muito importante para a pessoa vivendo com HIV, é um momento de levantar a cabeça e seguir em frente, e lembrar que você é o personagem principal dessa história, manter a cabeça e os pensamentos firmes é essencial para que o tratamento seja feito de forma correta.
Nesse cenário, o profissional de saúde mental é essencial para ajudar nesse processo, um psicólogo, um psiquiatra, o enfermeiro especialista em saúde mental, esses profissionais são uma chave importante no seu processo de autoajuda, onde podem te aconselhar, e ajudar a entender toda a trajetória e até mesmo sobre a estigmatização da doença.
Essa estigmatização é quando uma pessoa é tratada com preconceito, medi ou rejeição só por estar vivendo com uma doença, principalmente quando as pessoas escutam a palavra “HIV”.
Isso pode acontecer por falta de informação, medo ou até por ideias antigas que não são mais verdadeiras.
E como isso afeta quem tem o HIV? A vergonha e a culpa se apoderam da pessoa, deixando-a triste, com a autoestima baixa e fazendo com que aconteça o pior, a falta de adesão ao tratamento.
O maior inimigo de quem vive com HIV nem sempre é o vírus, mas sim o preconceito das pessoas.
A falta de informação faz com que muitos ainda tratem quem tem HIV com medo ou desprezo, e isso é errado.
Com conhecimento, respeito e carinho, podemos acabar com o estigma e ajudar a criar um mundo onde todos se sintam seguros para viver, se cuidar e serem quem são.
Quem tem HIV é uma pessoa como qualquer outra.
Com o tratamento, pode viver bem, ter filhos, estudar e ser feliz.
Ninguém merece ser maltratado por causa de uma condição de saúde.
Respeitar quem vive com HIV é sinal de maturidade, solidariedade e amor ao próximo.
Ter o HIV não é o fim da vida, é o começo de um novo jeito de se cuidar e cuidar dos outros.
Tenho dúvidas ou curiosidades sobre o assunto!?1?!?!
REFERÊNCIAS
BRASIL.
MINISTÉRIO DA SAÚDE Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente Departamento de HIV, Aids, Tuberculose, Hepatites Virais e Infecções Sexualmente Transmissíveis.
Boletim Epidemiológico HIV e AIDS 2023 - Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL.
Ministério da Saúde.
Secretaria de Vigilância em Saúde e Ambiente.
Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde e Ambiente.
Guia de vigilância em saúde: volume 2 [recurso eletrônico] / Ministério da Saúde, Departamento de Articulação Estratégica de Vigilância em Saúde e Ambiente.
– 6.
ed.
– Brasília: Ministério da Saúde, 2023.
BRASIL.
MINISTÉRIO DA SAÚDE.
HIV/AIDS.
Disponível em: <https://www.
gov.
br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/a/aids-hiv>.
Acesso em: ago.
2024.
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Revista Brasileira de Enfermagem, v.
75, n.
6, p.
789-798, 2022.
GONÇALVES, J.
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Práticas de enfermagem em HIV.
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51, n.
4, p.
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LADEIA, D.
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et al.
Fisiopatologia da pneumocistose em pacientes HIV positivo: revisão narrativa.
Revista Eletrônica Acervo Saúde, v.
12, n.
10, p.
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2020.
LOPES, A.
O.
L.
et al.
Aspectos epidemiológicos e clínicos de pacientes infectados por HIV.
Revista Brasileira de Análises Clínicas, v.
51, n.
4, 2020.
OBEAGU, E.
I.
et al.
Translation of HIV/AIDS knowledge into behavior change among secondary school adolescents in Uganda: A review.
Medicine, v.
102, n.
49, p.
e36599, 8 dez.
2023.
OBEAGU, E.
I.
A REVIEW OF CHALLENGES AND COPING STRATEGIES FACED BY HIV/AIDS DISCORDANT COUPLES.
Madonna University journal of Medicine and Health Sciences ISSN: 2814-3035, v.
3, n.
1, p.
7-12, 1 Jan.
2023.
SANTOS, A.
P.
; PEREIRA, T.
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Políticas sociais e de saúde.
Cadernos de Saúde Pública, v.
35, n.
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SAX, P.
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Weight Gain Following Initiation of Antiretroviral Therapy: Risk Factors in Randomized Comparative Clinical Trials.
Clinical Infectious Diseases, 14 out.
2019.
SILVA, N.
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DA et al.
Nível de Conhecimento de Adolescentes Sobre a Infecção Pelo HIV: Uma Relação Com Autocuidado e Comportamentos de Risco.
Enfermería Actual en Costa Rica, n.
43, 22 jun.
2022.
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Capítulo 3. Mecanismo ...
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