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Transgênero no esporte, há evidências robustas?

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É uma grande honra escrever o editorial dessa renomada revista e essa honra vem acompanhada de uma grande responsabilidade. Essa responsabilidade nos traz a abordar um tema que merece atenção e investigação de cientistas e fisiologistas do esporte, que é o atual corpo de evidência sobre o Transgênero no Esporte. O universo das Ciências do Esporte tem sido percorrido por debates que ultrapassam o "˜simples" entendimento em relação aos fatores relacionados ao desempenho. A evolução nesse campo cientí­fico, dá-se em boa parte pelos próprios avanços decorrentes da revolução tecnológica e cientí­fica, mas amplia-se também a partir do momento em que a sociedade se sente parte integrante desse "˜mundo"™ tão palpável e distante, ao mesmo tempo. Como consumidores primários desse espetáculo, essa dí­ade acaba por alterar as duas partes relacionadas, de modo que os últimos debates (iniciados justamente a partir das mudanças na sociedade vigente) têm tendenciado uma alteração no formato de se ver e entender o esporte a partir da participação de transgêneros nessas práticas: Há ou não vantagem no esporte de alto rendimento? Há evidências robustas que embasem a participação dos transgêneros? Inicialmente o teste cromossômico foi adotado para assumir a divisão entre as categorias feminino e masculino no esporte, contudo, algumas alterações gênicas podem modificar a distribuição dos cromossomos e assim se mostraram ineficientes para diferenciação de gênero no esporte [1]. Em 2004 foi promulgado pelo Comitê Olí­mpico Internacional a participação dos atletas trans a partir de um documento chamado Consenso de Estocolmo, esse consenso antecede a estudos que investigam a influência do perí­odo de transição hormonal dos atletas trans [2], o que mostra a decisão em caráter polí­tico/social e não cientí­fica/fisiológica. Duas importantes investigações dão iní­cio a essa fundamentação cientí­fica para nortear a inclusão dos transgêneros no esporte. Inicialmente, tem-se os estudos de Gooren e Bunck [3], seguidos pelo trabalho de Harper [4]. Nesse contexto, vale a pena destacar que ambos apresentam limitações importantes, das quais podem ser citadas: amostra (tipo e quantidade), modelo de estudo, modalidade investigada e conflito de interesse dos autores. Contudo, diversas áreas cientí­ficas têm investigação em estudos limitados metodologicamente, que caracterizam apenas o iní­cio das suas investigações. Não obstante, torna-se imprescindí­vel a análise da temática a partir de duas óticas: 1) quais os fatores relacionados ao desempenho no esporte (aspectos genéticos, fisiológicos e ambientais, relacionados às oportunidades de práticas e demandas impostas ao esporte de alto rendimento) e como eles poderiam (ou não) estar associados a uma sobreposição do homem ou mulher trans na prática esportiva; 2) quais as implicações em relação aos aspectos sócio-polí­tico-culturais dessa (não)participação: qual o peso dessas decisões na sociedade atual? Equalizar questões endócrinas ou mesmo aquelas relacionadas a composição corporal, não serão suficientes para extinguir vantagens antropométricas. Do campo de estudos voltados para a fisiologia emergem a necessidade da realização de pesquisas longitudinais, direcionadas para a relação na remissão da produção de testosterona, IGF-1 e hemoglobina após perí­odo de transição. Quanto a desempenho, necessita-se de investigações em modalidades que a força e suas capacidades relacionadas sejam predominantes. Em adendo, é importante salientar que a equidade de condições é premissa básica do esporte de alto rendimento. Expandir a discussão e pesquisas (quantitativas e qualitativas) sobre o tema se faz fundamental para tomar decisões baseadas em evidências. Posto isso, aconselho fortemente a leitura na í­ntegra dos artigos citados nesse editorial.
Title: Transgênero no esporte, há evidências robustas?
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É uma grande honra escrever o editorial dessa renomada revista e essa honra vem acompanhada de uma grande responsabilidade.
Essa responsabilidade nos traz a abordar um tema que merece atenção e investigação de cientistas e fisiologistas do esporte, que é o atual corpo de evidência sobre o Transgênero no Esporte.
O universo das Ciências do Esporte tem sido percorrido por debates que ultrapassam o "˜simples" entendimento em relação aos fatores relacionados ao desempenho.
A evolução nesse campo cientí­fico, dá-se em boa parte pelos próprios avanços decorrentes da revolução tecnológica e cientí­fica, mas amplia-se também a partir do momento em que a sociedade se sente parte integrante desse "˜mundo"™ tão palpável e distante, ao mesmo tempo.
Como consumidores primários desse espetáculo, essa dí­ade acaba por alterar as duas partes relacionadas, de modo que os últimos debates (iniciados justamente a partir das mudanças na sociedade vigente) têm tendenciado uma alteração no formato de se ver e entender o esporte a partir da participação de transgêneros nessas práticas: Há ou não vantagem no esporte de alto rendimento? Há evidências robustas que embasem a participação dos transgêneros? Inicialmente o teste cromossômico foi adotado para assumir a divisão entre as categorias feminino e masculino no esporte, contudo, algumas alterações gênicas podem modificar a distribuição dos cromossomos e assim se mostraram ineficientes para diferenciação de gênero no esporte [1].
Em 2004 foi promulgado pelo Comitê Olí­mpico Internacional a participação dos atletas trans a partir de um documento chamado Consenso de Estocolmo, esse consenso antecede a estudos que investigam a influência do perí­odo de transição hormonal dos atletas trans [2], o que mostra a decisão em caráter polí­tico/social e não cientí­fica/fisiológica.
Duas importantes investigações dão iní­cio a essa fundamentação cientí­fica para nortear a inclusão dos transgêneros no esporte.
Inicialmente, tem-se os estudos de Gooren e Bunck [3], seguidos pelo trabalho de Harper [4].
Nesse contexto, vale a pena destacar que ambos apresentam limitações importantes, das quais podem ser citadas: amostra (tipo e quantidade), modelo de estudo, modalidade investigada e conflito de interesse dos autores.
Contudo, diversas áreas cientí­ficas têm investigação em estudos limitados metodologicamente, que caracterizam apenas o iní­cio das suas investigações.
Não obstante, torna-se imprescindí­vel a análise da temática a partir de duas óticas: 1) quais os fatores relacionados ao desempenho no esporte (aspectos genéticos, fisiológicos e ambientais, relacionados às oportunidades de práticas e demandas impostas ao esporte de alto rendimento) e como eles poderiam (ou não) estar associados a uma sobreposição do homem ou mulher trans na prática esportiva; 2) quais as implicações em relação aos aspectos sócio-polí­tico-culturais dessa (não)participação: qual o peso dessas decisões na sociedade atual? Equalizar questões endócrinas ou mesmo aquelas relacionadas a composição corporal, não serão suficientes para extinguir vantagens antropométricas.
Do campo de estudos voltados para a fisiologia emergem a necessidade da realização de pesquisas longitudinais, direcionadas para a relação na remissão da produção de testosterona, IGF-1 e hemoglobina após perí­odo de transição.
Quanto a desempenho, necessita-se de investigações em modalidades que a força e suas capacidades relacionadas sejam predominantes.
Em adendo, é importante salientar que a equidade de condições é premissa básica do esporte de alto rendimento.
Expandir a discussão e pesquisas (quantitativas e qualitativas) sobre o tema se faz fundamental para tomar decisões baseadas em evidências.
Posto isso, aconselho fortemente a leitura na í­ntegra dos artigos citados nesse editorial.

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