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Ironia
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Aleksandr Aleksandrovitch Blok, poeta simbolista russo da Era de Prata, manifestou em prosa, num artigo publicado no jornal “Retch”, em 7 de dezembro de 1908, sua opinião negativa a respeito da ironia com que a intelectualidade da época tratava tudo a seu redor, e que inundava as respectivas obras. Reação natural das almas sensíveis a um século aterrorizante como o Século XIX, segundo Blok, essa mesma ironia, exacerbada, levava à insensibilidade, embotando a capacidade de discernir entre bem e mal, e desacreditando o próprio piadista, cujo pedido de socorro não era captado pelos demais, iludidos pelo riso compulsivo com que ele disfarçava o desespero. Chamando essa condição de “doença contagiosa”, e reconhecendo-se, ele mesmo, vítima de tal epidemia desumanizadora, Blok encontra a causa da “doença” no individualismo e no apego secreto dos escritores aos objetos de suas sátiras, e aponta a renúncia ao próprio egoísmo como única cura viável.
Universidade de Sao Paulo, Agencia USP de Gestao da Informacao Academica (AGUIA)
Title: Ironia
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Aleksandr Aleksandrovitch Blok, poeta simbolista russo da Era de Prata, manifestou em prosa, num artigo publicado no jornal “Retch”, em 7 de dezembro de 1908, sua opinião negativa a respeito da ironia com que a intelectualidade da época tratava tudo a seu redor, e que inundava as respectivas obras.
Reação natural das almas sensíveis a um século aterrorizante como o Século XIX, segundo Blok, essa mesma ironia, exacerbada, levava à insensibilidade, embotando a capacidade de discernir entre bem e mal, e desacreditando o próprio piadista, cujo pedido de socorro não era captado pelos demais, iludidos pelo riso compulsivo com que ele disfarçava o desespero.
Chamando essa condição de “doença contagiosa”, e reconhecendo-se, ele mesmo, vítima de tal epidemia desumanizadora, Blok encontra a causa da “doença” no individualismo e no apego secreto dos escritores aos objetos de suas sátiras, e aponta a renúncia ao próprio egoísmo como única cura viável.
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