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Fatores clínicos associados à urticária crônica
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Introdução: A urticária crônica acomete pelo menos 0,1% da população, pode durar vários anos, ser de difícil controle e requerer seguimento adequado. Métodos: Estudo retrospectivo transversal de prontuários de pacientes com a enfermidade no Serviço de Alergia e Imunologia do IAMSPE atendidos de janeiro a julho de 2024, com análise estatística para variáveis descritivas e quantitativas. Resultados: Revisados 76 prontuários, com idades entre 16 e 82 (média 47,7 anos), sendo 73,7% do sexo feminino. As comorbidades mais comuns foram atopias (46%), hipertensão arterial (30,2%) e tireoidopatias (22,4%). Os gatilhos relatados foram: estímulo físico (23,7%), estresse (17,1%), alimentos (17,1%) e medicamentos (15,7%). O angioedema foi referido em 47,4%. O diagnóstico de urticária crônica espontânea isolada foi visto em 20%, urticária crônica induzida referida em 28% e induzida referida associada à urticária crônica espontânea em 52%. Dos 33 pacientes que referiram urticária crônica induzida, 75,7% realizaram teste de urticária física. Os principais indutores físicos referidos e confirmados foram, respectivamente: dermografismo, pressão, frio. Em 6,5% das urticárias crônicas houve a suspeição de medicamento (n=5). A piora com anti-inflamatórios não hormonais ocorreu em 28,9%. Do total, 51,4% passaram em pronto-socorro. Após atendimento na especialidade, todos utilizaram anti-H1 de 2a geração e 1,3% utilizaram omalizumabe. A remissão da doença ocorreu em 21,1%, (média de 1,7 anos). Não houve diferença significativa no escore de atividade da urticária em 7 dias(máximo) e nem na dose máxima de anti-H1 nos grupos com ou sem angioedema, mas a duração média do quadro foi maior nos pacientes com angioedema. Conclusão: Verificamos que urticária crônica afeta mais mulheres na meia idade, frequentemente associada a angioedema. Embora a percepção da causa deva ser valorizada, é necessária investigação para confirmar etiologia. Durante o seguimento com especialista, houve necessidade de mais de 1 dose diária de anti-histamínico para a maioria dos pacientes. A suspensão de antiinflamatório não hormonal foi indicada em cerca de um terço dos pacientes. O angioedema não influenciou o escore de atividade de urticária-7 nem a resposta ao tratamento, mas a duração do quadro foi 2,3 vezes maior neste grupo. Mais da metade dos pacientes com a moléstia procurou o pronto-socorro em algum momento do quadro, o que evidencia impacto sobrea rotina pessoal e no sistema de saúde.
Centro de Desenvolvimento de Ensino e Pesquisa
Title: Fatores clínicos associados à urticária crônica
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Introdução: A urticária crônica acomete pelo menos 0,1% da população, pode durar vários anos, ser de difícil controle e requerer seguimento adequado.
Métodos: Estudo retrospectivo transversal de prontuários de pacientes com a enfermidade no Serviço de Alergia e Imunologia do IAMSPE atendidos de janeiro a julho de 2024, com análise estatística para variáveis descritivas e quantitativas.
Resultados: Revisados 76 prontuários, com idades entre 16 e 82 (média 47,7 anos), sendo 73,7% do sexo feminino.
As comorbidades mais comuns foram atopias (46%), hipertensão arterial (30,2%) e tireoidopatias (22,4%).
Os gatilhos relatados foram: estímulo físico (23,7%), estresse (17,1%), alimentos (17,1%) e medicamentos (15,7%).
O angioedema foi referido em 47,4%.
O diagnóstico de urticária crônica espontânea isolada foi visto em 20%, urticária crônica induzida referida em 28% e induzida referida associada à urticária crônica espontânea em 52%.
Dos 33 pacientes que referiram urticária crônica induzida, 75,7% realizaram teste de urticária física.
Os principais indutores físicos referidos e confirmados foram, respectivamente: dermografismo, pressão, frio.
Em 6,5% das urticárias crônicas houve a suspeição de medicamento (n=5).
A piora com anti-inflamatórios não hormonais ocorreu em 28,9%.
Do total, 51,4% passaram em pronto-socorro.
Após atendimento na especialidade, todos utilizaram anti-H1 de 2a geração e 1,3% utilizaram omalizumabe.
A remissão da doença ocorreu em 21,1%, (média de 1,7 anos).
Não houve diferença significativa no escore de atividade da urticária em 7 dias(máximo) e nem na dose máxima de anti-H1 nos grupos com ou sem angioedema, mas a duração média do quadro foi maior nos pacientes com angioedema.
Conclusão: Verificamos que urticária crônica afeta mais mulheres na meia idade, frequentemente associada a angioedema.
Embora a percepção da causa deva ser valorizada, é necessária investigação para confirmar etiologia.
Durante o seguimento com especialista, houve necessidade de mais de 1 dose diária de anti-histamínico para a maioria dos pacientes.
A suspensão de antiinflamatório não hormonal foi indicada em cerca de um terço dos pacientes.
O angioedema não influenciou o escore de atividade de urticária-7 nem a resposta ao tratamento, mas a duração do quadro foi 2,3 vezes maior neste grupo.
Mais da metade dos pacientes com a moléstia procurou o pronto-socorro em algum momento do quadro, o que evidencia impacto sobrea rotina pessoal e no sistema de saúde.
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