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Viver a teoria
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O artigo apresenta uma leitura do Antropoceno como o tempo das catástrofes e da intrusão de Gaia, conforme a concepção de Isabelle Stengers. Em seguida, discute as limitações da literatura face aos problemas ecológicos do Antropoceno, seguindo as impressões de Amitav Ghosh, para quem a produção literária contemporânea oculta os desastres ecológicos e os desafios políticos resultantes do aquecimento global e de seus corolários. A partir disso, o artigo demonstra como o livro Croire aux fauves, da antropóloga francesa Nastassja Martin, pode ser considerado uma literatura que reflete sobre o Antropoceno, por meio do registro autobiográfico da autora e das considerações teóricas sobre a comunidade even, população indígena do Ártico russo. Com base na narração do episódio verídico central do livro, em que a autora foi atacada por um urso nas montanhas de Kamtchátka, na Rússia, sustenta-se que a obra está estruturada em uma composição híbrida: há, por um lado, a combinação entre autobiografia e relatório de pesquisa, e, por outro, a mescla de narrativa trágica com literatura especulativa. O hibridismo formal do livro está relacionado à dicotomia entre naturalismo e animismo, segundo o antropólogo Philippe Descola, de modo a demonstrar como a oscilação entre essas duas correntes de pensamento limita, primeiramente, a interpretação de que o ataque do urso à autora pode ser compreendido sob a ótica naturalista do acidente e do trágico. Em segundo lugar, essa ambiguidade abre caminho para uma interpretação sob a perspectiva imanentista do evento, a partir daquilo que a autora denomina de pragmática animista.
Title: Viver a teoria
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O artigo apresenta uma leitura do Antropoceno como o tempo das catástrofes e da intrusão de Gaia, conforme a concepção de Isabelle Stengers.
Em seguida, discute as limitações da literatura face aos problemas ecológicos do Antropoceno, seguindo as impressões de Amitav Ghosh, para quem a produção literária contemporânea oculta os desastres ecológicos e os desafios políticos resultantes do aquecimento global e de seus corolários.
A partir disso, o artigo demonstra como o livro Croire aux fauves, da antropóloga francesa Nastassja Martin, pode ser considerado uma literatura que reflete sobre o Antropoceno, por meio do registro autobiográfico da autora e das considerações teóricas sobre a comunidade even, população indígena do Ártico russo.
Com base na narração do episódio verídico central do livro, em que a autora foi atacada por um urso nas montanhas de Kamtchátka, na Rússia, sustenta-se que a obra está estruturada em uma composição híbrida: há, por um lado, a combinação entre autobiografia e relatório de pesquisa, e, por outro, a mescla de narrativa trágica com literatura especulativa.
O hibridismo formal do livro está relacionado à dicotomia entre naturalismo e animismo, segundo o antropólogo Philippe Descola, de modo a demonstrar como a oscilação entre essas duas correntes de pensamento limita, primeiramente, a interpretação de que o ataque do urso à autora pode ser compreendido sob a ótica naturalista do acidente e do trágico.
Em segundo lugar, essa ambiguidade abre caminho para uma interpretação sob a perspectiva imanentista do evento, a partir daquilo que a autora denomina de pragmática animista.
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