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ENSAIO: UM OUTRO MODO DE DIZER AMIGO
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Parece fundamental ou mesmo incontornável recorrer aos Ensaios, de Michel de Montaigne, quando se trata de pensar o ensaio como um gênero específico. Publicado a partir de 1580 e tendo grande repercussão à época, com esse livro Montaigne inaugura simultaneamente um gênero e um modo de pensar. Um dos modos de ler a singularidade do ensaio enquanto forma pode se dar a partir da chave da amizade – particularmente daquela vivida por Michel de Montaigne e Étienne de La Boétie. A história dessa amizade é amplamente conhecida e tematizada na história da filosofia e, nesse contexto, o ensaio Da amizade é testemunho emblemático dessa relação. Fazendo da relação particular de amizade com La Boétie um paradigma de amizade, nesse ensaio o absoluto funda-se num caso particular, o que faz com que a verdade passe a ter relação de fundamento não com o método da prova, mas sim com o testemunho
de uma singularidade. É possível projetar esse procedimento de fundamentação (particular e não geral) para o modo próprio de construção de cada texto dos Ensaios, transformando a atenção à particularidade do absoluto fundado cada vez numa característica do gênero na história da filosofia. Nesse artigo, trata-se de pensar o ensaio enquanto um gênero radicalmente filosófico a partir da perspectiva da amizade como enunciada em Montaigne.
Title: ENSAIO: UM OUTRO MODO DE DIZER AMIGO
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Parece fundamental ou mesmo incontornável recorrer aos Ensaios, de Michel de Montaigne, quando se trata de pensar o ensaio como um gênero específico.
Publicado a partir de 1580 e tendo grande repercussão à época, com esse livro Montaigne inaugura simultaneamente um gênero e um modo de pensar.
Um dos modos de ler a singularidade do ensaio enquanto forma pode se dar a partir da chave da amizade – particularmente daquela vivida por Michel de Montaigne e Étienne de La Boétie.
A história dessa amizade é amplamente conhecida e tematizada na história da filosofia e, nesse contexto, o ensaio Da amizade é testemunho emblemático dessa relação.
Fazendo da relação particular de amizade com La Boétie um paradigma de amizade, nesse ensaio o absoluto funda-se num caso particular, o que faz com que a verdade passe a ter relação de fundamento não com o método da prova, mas sim com o testemunho
de uma singularidade.
É possível projetar esse procedimento de fundamentação (particular e não geral) para o modo próprio de construção de cada texto dos Ensaios, transformando a atenção à particularidade do absoluto fundado cada vez numa característica do gênero na história da filosofia.
Nesse artigo, trata-se de pensar o ensaio enquanto um gênero radicalmente filosófico a partir da perspectiva da amizade como enunciada em Montaigne.
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