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Composição dos cimentos resinosos contemporâneos.

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Introdução/Justificativa: As restaurações estéticas estão cada vez mais presentes na odontologia e dentre as muitas possibilidades, as indiretas e pinos intrarradiculares são constantemente utilizadas na área da prótese e dentística. O fosfato de zinco é um dos agentes cimentantes mais antigos, porém, fatores como sua baixa resistência mecânica e alta solubilidade estimulam a indústria a desenvolver produtos mais eficazes para a cimentação definitiva. Nesse contexto, o surgimento dos cimentos resinosos garantiu características ideais como a capacidade adesiva com estrutura dentária, vedamento marginal entre dente e restauração e estabilidade ao meio bucal. Apesar da versatilidade de cimentos resinosos atuais disponíveis no mercado, as diferenças na sua composição e presença de substâncias específicas podem diferir na indicação dependendo do tipo de substrato dentário e restauração indireta. A polimerização dos cimentos resinosos pode ser fotoativada, por reação química ou ambos. A sua composição é a base de resina composta, contendo uma parte orgânica composta por monômeros e uma parte inorgânica com a presença de partículas de vidro, bário, entre outros. Ademais, os cimentos resinosos podem ser considerados autoadesivos quando dispensa a etapa de aplicação de adesivo possuindo em sua composição monômeros ácidos que penetram em túbulos dentinários garantindo a adesão e diminuição do tempo de trabalho do cirurgião-dentista. Os cimentos resinosos convencionais garantem retenção mecânica, enquanto aos autoadesivos soma-se a retenção química o que garante maior previsibilidade de sucesso previnindo o desenvolvimento de lesões cariosas nas margens da restauração. Em contrapartida, essa característica impede que a restauração seja de fácil remoção quando comparado com peças cimentadas com fosfato de zinco ou ionômero de vidro. Objetivo: Avaliar, através de uma revisão narrativa de literatura, a composição de cimentos resinosos contemporâneos. Metodologia: Foi realizada uma busca através das bases de dados PubMed, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) no dia 19 de setembro de 2023. Como descritores foram utilizados: “resin cement; dental-bonding agents; cementation”, no inglês e português, disponíveis no DECS/MeSH. Dentre os critérios de inclusão, os artigos deveriam estar disponíveis na íntegra e publicados nos últimos cinco anos nos idiomas inglês e português. Foram excluídos aqueles que fugiam do tema, duplicatas e indisponíveis na íntegra. Um total de 334 artigos foram encontrados sendo 8 selecionados para a escrita. Resultados: Em relação aos cimentos resinosos autoadesivos a presença do monômero methacryloxydecyl‐dihydrogen‐phosphate (MDP) tem a capacidade de garantir uma maior estabilidade hidrolítica, devido a composição ácida de sua estrutura sendo ideal para estabilidade de ligação com a dentina. Um outro estudo demonstrou que aqueles cimentos contendo 10-MDP apresentaram valores de resistência ao cisalhamento mais elevados em comparação com os cimentos à base de ionômero de vidro modificado por resina ou com 4-META, outro monômero que interage com a smear layer. A dentina afetada possui características como a exposição de fibrilas colágenas e desmineralização que é um desafio para uma estabilidade adesiva adequada. A escolha do cimento resinoso ideal permite uma maior estabilidade de ligação e previne a descimentação. Cimentos resinosos com a presença de cálcio e fosfato garantem a remineralização da dentina, aumenta a durabilidade da restauração e previne a ocorrência de microinfiltração devido a toxicidade destes íons. Além disso, a obliteração de túbulos dentinários realizada por estes íons diminui a dissolução da smear layer permitindo a formação de uma camada mais estável com os túbulos dentinários expostos.  Cimentos resinosos com a presença de silano promovem uma melhor capacidade adesiva em cerâmicas. Um outro composto, o silicato de cálcio, foi comparado com o cimento à base de silano e demonstrou maior capacidade adesiva devido à formação de cristais de apatita, que aumenta a estrutura mecânica de ligação entre adesivo e dentina. A ligação entre cimento resinoso com a presença de silicato de cálcio apresentou a mesma estabilidade adesiva em dentina sadia e afetada, assim como, menos falha adesiva em comparação com o cimento resinoso autoadesivo sem a presença do silicato de cálcio. Além disso, foi perceptível o aumento da obliteração de túbulos dentinários expostos e remineralização da dentina garantindo maior estabilidade adesiva. Para o sucesso clínico na cimentação, a preparação de dente e da superfície de contato da peça é essencial para criar microretenções. Isto pode ser realizado com o ataque ácido ou jateamento de óxido de alumínio na peça e ácido fosfórico na superfície do dente. Com o desenvolvimento de cerâmicas consideradas inertes a aplicação do ácido, como a zircônia, os fabricantes buscaram alternativas para contornar este problema. Um estudo realizou o acréscimo de partículas de ZrO2 na composição inorgânica de diversos tipos de cimentos, porém, não foi possível encontrar melhorias, o aumento da resistência à flexão somente foi perceptível no grupo de ionômero de vidro modificado por resina. Como efeito negativo este acréscimo aumentou a espessura do cimento o que poderia contribuir para microinfiltrações, além de alta absorção de água. Outro estudo demonstrou que para contornar esta capacidade inerte da zircônia é ideal utilizar um cimento que promova ligações químicas com a cerâmica, como o MDP, já que existem evidências que este monômero é capaz de realizar ligações de hidrogênio com a zircônia. Conclusão: A partir dos dados levantados é evidente que a constante atualização e conhecimento da composição dos cimentos resinosos é fundamental para a escolha do tipo de cimento ideal para cada tipo de restauração. O cimento resinoso autoadesivo tem mostrado ser favorável para a cimentação em dentina devido a sua capacidade de ligação à camada de smear layer, assim como, a presença do silicato de cálcio na composição demonstrou ser uma alternativa a mais para garantir a cimentação neste tipo de substrato devido sua capacidade de aumentar a retenção mecânica.
Title: Composição dos cimentos resinosos contemporâneos.
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Introdução/Justificativa: As restaurações estéticas estão cada vez mais presentes na odontologia e dentre as muitas possibilidades, as indiretas e pinos intrarradiculares são constantemente utilizadas na área da prótese e dentística.
O fosfato de zinco é um dos agentes cimentantes mais antigos, porém, fatores como sua baixa resistência mecânica e alta solubilidade estimulam a indústria a desenvolver produtos mais eficazes para a cimentação definitiva.
Nesse contexto, o surgimento dos cimentos resinosos garantiu características ideais como a capacidade adesiva com estrutura dentária, vedamento marginal entre dente e restauração e estabilidade ao meio bucal.
Apesar da versatilidade de cimentos resinosos atuais disponíveis no mercado, as diferenças na sua composição e presença de substâncias específicas podem diferir na indicação dependendo do tipo de substrato dentário e restauração indireta.
A polimerização dos cimentos resinosos pode ser fotoativada, por reação química ou ambos.
A sua composição é a base de resina composta, contendo uma parte orgânica composta por monômeros e uma parte inorgânica com a presença de partículas de vidro, bário, entre outros.
Ademais, os cimentos resinosos podem ser considerados autoadesivos quando dispensa a etapa de aplicação de adesivo possuindo em sua composição monômeros ácidos que penetram em túbulos dentinários garantindo a adesão e diminuição do tempo de trabalho do cirurgião-dentista.
Os cimentos resinosos convencionais garantem retenção mecânica, enquanto aos autoadesivos soma-se a retenção química o que garante maior previsibilidade de sucesso previnindo o desenvolvimento de lesões cariosas nas margens da restauração.
Em contrapartida, essa característica impede que a restauração seja de fácil remoção quando comparado com peças cimentadas com fosfato de zinco ou ionômero de vidro.
Objetivo: Avaliar, através de uma revisão narrativa de literatura, a composição de cimentos resinosos contemporâneos.
Metodologia: Foi realizada uma busca através das bases de dados PubMed, Scopus e Biblioteca Virtual em Saúde (BVS) no dia 19 de setembro de 2023.
Como descritores foram utilizados: “resin cement; dental-bonding agents; cementation”, no inglês e português, disponíveis no DECS/MeSH.
Dentre os critérios de inclusão, os artigos deveriam estar disponíveis na íntegra e publicados nos últimos cinco anos nos idiomas inglês e português.
Foram excluídos aqueles que fugiam do tema, duplicatas e indisponíveis na íntegra.
Um total de 334 artigos foram encontrados sendo 8 selecionados para a escrita.
 Resultados: Em relação aos cimentos resinosos autoadesivos a presença do monômero methacryloxydecyl‐dihydrogen‐phosphate (MDP) tem a capacidade de garantir uma maior estabilidade hidrolítica, devido a composição ácida de sua estrutura sendo ideal para estabilidade de ligação com a dentina.
Um outro estudo demonstrou que aqueles cimentos contendo 10-MDP apresentaram valores de resistência ao cisalhamento mais elevados em comparação com os cimentos à base de ionômero de vidro modificado por resina ou com 4-META, outro monômero que interage com a smear layer.
A dentina afetada possui características como a exposição de fibrilas colágenas e desmineralização que é um desafio para uma estabilidade adesiva adequada.
A escolha do cimento resinoso ideal permite uma maior estabilidade de ligação e previne a descimentação.
Cimentos resinosos com a presença de cálcio e fosfato garantem a remineralização da dentina, aumenta a durabilidade da restauração e previne a ocorrência de microinfiltração devido a toxicidade destes íons.
Além disso, a obliteração de túbulos dentinários realizada por estes íons diminui a dissolução da smear layer permitindo a formação de uma camada mais estável com os túbulos dentinários expostos.
  Cimentos resinosos com a presença de silano promovem uma melhor capacidade adesiva em cerâmicas.
Um outro composto, o silicato de cálcio, foi comparado com o cimento à base de silano e demonstrou maior capacidade adesiva devido à formação de cristais de apatita, que aumenta a estrutura mecânica de ligação entre adesivo e dentina.
A ligação entre cimento resinoso com a presença de silicato de cálcio apresentou a mesma estabilidade adesiva em dentina sadia e afetada, assim como, menos falha adesiva em comparação com o cimento resinoso autoadesivo sem a presença do silicato de cálcio.
Além disso, foi perceptível o aumento da obliteração de túbulos dentinários expostos e remineralização da dentina garantindo maior estabilidade adesiva.
 Para o sucesso clínico na cimentação, a preparação de dente e da superfície de contato da peça é essencial para criar microretenções.
Isto pode ser realizado com o ataque ácido ou jateamento de óxido de alumínio na peça e ácido fosfórico na superfície do dente.
Com o desenvolvimento de cerâmicas consideradas inertes a aplicação do ácido, como a zircônia, os fabricantes buscaram alternativas para contornar este problema.
Um estudo realizou o acréscimo de partículas de ZrO2 na composição inorgânica de diversos tipos de cimentos, porém, não foi possível encontrar melhorias, o aumento da resistência à flexão somente foi perceptível no grupo de ionômero de vidro modificado por resina.
Como efeito negativo este acréscimo aumentou a espessura do cimento o que poderia contribuir para microinfiltrações, além de alta absorção de água.
Outro estudo demonstrou que para contornar esta capacidade inerte da zircônia é ideal utilizar um cimento que promova ligações químicas com a cerâmica, como o MDP, já que existem evidências que este monômero é capaz de realizar ligações de hidrogênio com a zircônia.
 Conclusão: A partir dos dados levantados é evidente que a constante atualização e conhecimento da composição dos cimentos resinosos é fundamental para a escolha do tipo de cimento ideal para cada tipo de restauração.
O cimento resinoso autoadesivo tem mostrado ser favorável para a cimentação em dentina devido a sua capacidade de ligação à camada de smear layer, assim como, a presença do silicato de cálcio na composição demonstrou ser uma alternativa a mais para garantir a cimentação neste tipo de substrato devido sua capacidade de aumentar a retenção mecânica.

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