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Análise Fatorial da Utrecht Gender Dysphoria Scale - Gender Spectrum para Mensuração de Incongruência de Gênero em Pessoas Transgênero
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Introdução: A Incongruência de Gênero (IG), definida como a dissonância entre o gênero experienciado e o atribuído ao nascer, pode levar a taxas mais altas de depressão e ansiedade em pessoas transgênero. Dada a limitação de exames laboratoriais em captar os impactos sociais e emocionais2, instrumentos específicos para mensuração da IG foram desenvolvidos. Entre eles, a Utrecht Gender Dysphoria Scale – Gender Spectrum (UGDS-GS), uma escala neutra e inclusiva3 que possui versão em português. No entanto, não há evidência de validação para esta versão, sendo necessária a realização de análise de sua estrutura fatorial como um primeiro indicador de validade. Objetivo: Determinar a estrutura fatorial da UGDS-GS em sua versão em português na população transgênero brasileira. Métodos: O presente estudo foi realizado entre novembro de 2024 e abril de 2025, em um ambulatório transexualizador. A amostragem foi realizada por conveniência, na qual os participantes foram pessoas transgênero com idade ≥ 18 anos. A Análise Fatorial Exploratória (AFE) foi conduzida no Software R (versão 4.4.3) com o pacote psych (versão 2.5.3)4. A matriz de correlações policóricas foi empregada, sendo adotado o método de extração dos Resíduos Mínimos e rotação Oblimin. A adequação da amostra foi verificada pelo índice de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e pelo Teste de Esfericidade de Bartlett. O número de fatores a serem retidos foi determinado por meio da Análise Paralela. A qualidade do ajuste fatorial foi avaliada a partir dos seguintes índices: Comparative Fit Index (CFI), Tucker-Lewis Index (TLI), Goodness of Fit Index (GFI), Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) e Standardized Root Mean Square Residual (SRMR)5. Resultado e Conclusão: Do total de 96 participantes, 49 (51%) são transgênero masculino; 42 (43,7%) transgênero feminino; 4 (4,2%) não binário, gênero queer ou gênero fluido e 1 (1,1%) preferiu não responder. Destes, 91 indivíduos foram incluídos na realização da AFE. Os dados foram considerados adequados para realização da técnica (KMO = 0,75; pBartlett < 0,001). Deste modo, o resultado da AFE com três fatores, como sugerido após a análise paralela, mostrou que o modelo apresenta índices de adequação considerados bons (RMSR = 0,07; TLI = 0,59; RMSEA = 0,16; χ²/df = 1,37). A matriz de cargas fatoriais revelou que o primeiro fator do instrumento original (afirmação de gênero) foi preservado, sendo composto pelos itens 1, 3, 4 e 5. O segundo fator reuniu os itens 2, 6, 12, 13, 14, 17 e 18 e foi nomeado "aspectos sociais". Já o terceiro fator agrupou os itens 7, 8, 9 ,10, 11, 15 e 16, nomeado "aparência física". Os resultados sugerem uma nova organização teórica para a UGDS-GS em sua versão em português, podendo ser considerada adaptada para a população transgênero brasileira. Apesar disso, são necessários estudos para determinar as demais propriedades psicométricas, como a consistência interna, para verificar se os itens medem o mesmo constructo com precisão.
Jornal de Assistencia Farmaceutica e Farmacoeconomia
Title: Análise Fatorial da Utrecht Gender Dysphoria Scale - Gender Spectrum para Mensuração de Incongruência de Gênero em Pessoas Transgênero
Description:
Introdução: A Incongruência de Gênero (IG), definida como a dissonância entre o gênero experienciado e o atribuído ao nascer, pode levar a taxas mais altas de depressão e ansiedade em pessoas transgênero.
Dada a limitação de exames laboratoriais em captar os impactos sociais e emocionais2, instrumentos específicos para mensuração da IG foram desenvolvidos.
Entre eles, a Utrecht Gender Dysphoria Scale – Gender Spectrum (UGDS-GS), uma escala neutra e inclusiva3 que possui versão em português.
No entanto, não há evidência de validação para esta versão, sendo necessária a realização de análise de sua estrutura fatorial como um primeiro indicador de validade.
Objetivo: Determinar a estrutura fatorial da UGDS-GS em sua versão em português na população transgênero brasileira.
Métodos: O presente estudo foi realizado entre novembro de 2024 e abril de 2025, em um ambulatório transexualizador.
A amostragem foi realizada por conveniência, na qual os participantes foram pessoas transgênero com idade ≥ 18 anos.
A Análise Fatorial Exploratória (AFE) foi conduzida no Software R (versão 4.
4.
3) com o pacote psych (versão 2.
5.
3)4.
A matriz de correlações policóricas foi empregada, sendo adotado o método de extração dos Resíduos Mínimos e rotação Oblimin.
A adequação da amostra foi verificada pelo índice de Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e pelo Teste de Esfericidade de Bartlett.
O número de fatores a serem retidos foi determinado por meio da Análise Paralela.
A qualidade do ajuste fatorial foi avaliada a partir dos seguintes índices: Comparative Fit Index (CFI), Tucker-Lewis Index (TLI), Goodness of Fit Index (GFI), Root Mean Square Error of Approximation (RMSEA) e Standardized Root Mean Square Residual (SRMR)5.
Resultado e Conclusão: Do total de 96 participantes, 49 (51%) são transgênero masculino; 42 (43,7%) transgênero feminino; 4 (4,2%) não binário, gênero queer ou gênero fluido e 1 (1,1%) preferiu não responder.
Destes, 91 indivíduos foram incluídos na realização da AFE.
Os dados foram considerados adequados para realização da técnica (KMO = 0,75; pBartlett < 0,001).
Deste modo, o resultado da AFE com três fatores, como sugerido após a análise paralela, mostrou que o modelo apresenta índices de adequação considerados bons (RMSR = 0,07; TLI = 0,59; RMSEA = 0,16; χ²/df = 1,37).
A matriz de cargas fatoriais revelou que o primeiro fator do instrumento original (afirmação de gênero) foi preservado, sendo composto pelos itens 1, 3, 4 e 5.
O segundo fator reuniu os itens 2, 6, 12, 13, 14, 17 e 18 e foi nomeado "aspectos sociais".
Já o terceiro fator agrupou os itens 7, 8, 9 ,10, 11, 15 e 16, nomeado "aparência física".
Os resultados sugerem uma nova organização teórica para a UGDS-GS em sua versão em português, podendo ser considerada adaptada para a população transgênero brasileira.
Apesar disso, são necessários estudos para determinar as demais propriedades psicométricas, como a consistência interna, para verificar se os itens medem o mesmo constructo com precisão.
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