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Editorial
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Receber a proposta de Mateus Thomaz Bayer, Arthur Arruda Leal Ferreira e César Pessoa Pimentel para a Mnemosine abrigar este dossiê foi, logo de início, uma alegria imensa. Celebrar os cinquenta anos da publicação de Vigiar e punir, de Michel Foucault – ou “careca”, para quem sempre acompanhou Heliana Conde – com um conjunto tão qualificado de textos é, sem dúvida, um presente para a nossa “nanica”. Um presente que chega em excelente hora.
Não é trivial que este dossiê marque também um momento especial da revista. Conforme já anunciado, a Mnemosine atravessa um processo de reorganização e reestruturação, após uma paralisação temporária de suas atividades em decorrência do falecimento de nossa querida e saudosa Heliana, em 2023. Retomar a publicação com essa edição dedicada a uma obra incontornável, que transformou de modo decisivo as ciências humanas e sociais, parece-nos mais do que apropriado: é um gesto alinhado ao rigor e à ousadia crítica que sempre caracterizaram a Mnemosine. Este número se inscreve em uma tradição que a revista cultiva com gosto: a de tomar datas comemorativas não como pretexto para homenagens protocolares, mas como ocasião para reler, tensionar, deslocar e atualizar pensamentos que seguem nos desacomodando.
Os textos reunidos aqui fazem exatamente isso. Escritos por autoras e autores do Brasil, do Chile e da Alemanha, eles expressam a amplitude do alcance de Vigiar e punir. A envergadura temática e teórica das contribuições revela como a análise foucaultiana da punição, da disciplina, da vigilância e dos processos de subjetivação segue operando como uma caixa de ferramentas potente para pensar os dispositivos contemporâneos de poder — por vezes mais discretos, por vezes mais sofisticados, mas não menos violentos.
Ao percorrer os artigos deste número, o leitor encontrará diálogos com campos variados, como a psicologia, a saúde mental, o direito, a segurança pública, a política e a história, entre outros. Assim como com autores diversos. Tal pluralidade não dilui a obra de Foucault; ao contrário, evidencia sua capacidade de cruzar fronteiras disciplinares e de seguir produzindo efeitos críticos, cinquenta anos depois de sua publicação.
Este é o primeiro de dois números que compõem o dossiê especial Vigiar e punir: 50 anos depois. A segunda parte será publicada em janeiro, como número 2 do volume 21 da Mnemosine. Os leitores, portanto, não perdem por esperar: o diálogo com Foucault e com os desdobramentos contemporâneos de sua obra ainda reserva novos encontros, provocações e deslocamentos.
Agradecemos aos organizadores e aos autores envolvidos, que aceitaram o desafio de pensar — criticamente e sem reverência excessiva — uma obra que continua a nos desassossegar. Que esta retomada da Mnemosine seja, como Vigiar e punir, um convite permanente a desconfiar do óbvio, a interrogar o presente e a exercitar, com rigor e imaginação, outras formas de pensar e viver.
Desejamos a todas, todos e todes uma excelente leitura.
Title: Editorial
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Receber a proposta de Mateus Thomaz Bayer, Arthur Arruda Leal Ferreira e César Pessoa Pimentel para a Mnemosine abrigar este dossiê foi, logo de início, uma alegria imensa.
Celebrar os cinquenta anos da publicação de Vigiar e punir, de Michel Foucault – ou “careca”, para quem sempre acompanhou Heliana Conde – com um conjunto tão qualificado de textos é, sem dúvida, um presente para a nossa “nanica”.
Um presente que chega em excelente hora.
Não é trivial que este dossiê marque também um momento especial da revista.
Conforme já anunciado, a Mnemosine atravessa um processo de reorganização e reestruturação, após uma paralisação temporária de suas atividades em decorrência do falecimento de nossa querida e saudosa Heliana, em 2023.
Retomar a publicação com essa edição dedicada a uma obra incontornável, que transformou de modo decisivo as ciências humanas e sociais, parece-nos mais do que apropriado: é um gesto alinhado ao rigor e à ousadia crítica que sempre caracterizaram a Mnemosine.
Este número se inscreve em uma tradição que a revista cultiva com gosto: a de tomar datas comemorativas não como pretexto para homenagens protocolares, mas como ocasião para reler, tensionar, deslocar e atualizar pensamentos que seguem nos desacomodando.
Os textos reunidos aqui fazem exatamente isso.
Escritos por autoras e autores do Brasil, do Chile e da Alemanha, eles expressam a amplitude do alcance de Vigiar e punir.
A envergadura temática e teórica das contribuições revela como a análise foucaultiana da punição, da disciplina, da vigilância e dos processos de subjetivação segue operando como uma caixa de ferramentas potente para pensar os dispositivos contemporâneos de poder — por vezes mais discretos, por vezes mais sofisticados, mas não menos violentos.
Ao percorrer os artigos deste número, o leitor encontrará diálogos com campos variados, como a psicologia, a saúde mental, o direito, a segurança pública, a política e a história, entre outros.
Assim como com autores diversos.
Tal pluralidade não dilui a obra de Foucault; ao contrário, evidencia sua capacidade de cruzar fronteiras disciplinares e de seguir produzindo efeitos críticos, cinquenta anos depois de sua publicação.
Este é o primeiro de dois números que compõem o dossiê especial Vigiar e punir: 50 anos depois.
A segunda parte será publicada em janeiro, como número 2 do volume 21 da Mnemosine.
Os leitores, portanto, não perdem por esperar: o diálogo com Foucault e com os desdobramentos contemporâneos de sua obra ainda reserva novos encontros, provocações e deslocamentos.
Agradecemos aos organizadores e aos autores envolvidos, que aceitaram o desafio de pensar — criticamente e sem reverência excessiva — uma obra que continua a nos desassossegar.
Que esta retomada da Mnemosine seja, como Vigiar e punir, um convite permanente a desconfiar do óbvio, a interrogar o presente e a exercitar, com rigor e imaginação, outras formas de pensar e viver.
Desejamos a todas, todos e todes uma excelente leitura.
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