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Mulheres, Saberes Práticos, Relações de Gênero e a Floresta
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Este artigo discute o papel das mulheres coletoras de sementes na construção de saberes práticos a partir do contato cotidiano com a floresta, tendo como démarche as relações de gênero como ponto nodal para a reconstrução das divisões social e sexual do trabalho. O locus da pesquisa é a comunidade do Maguari, localizada no interior da Floresta Nacional do Tapajós, no município de Belterra, oeste do Pará. As coletoras de sementes desempenham o papel de apreender, dominar e usufruir os recursos disponíveis na floresta. Esse papel efetiva-se num saber-fazer transmitido ao longo de gerações de mulheres coletoras, pois o contato estreito com a floresta define uma a identidade do grupo social e lhes confere sentido de ser e existir. A propriedade comunitária da floresta – segundo nossa observação em campo – passa a ser constituída através de relações sociais de cooperação entre mateiros e coletoras de sementes. Essa associação é fundamental para que o trabalho de coleta se efetive e possa oferecer a entrada de capital necessário para a reprodução social e, também, assegure a permanência de populações vivendo dentro da floresta. A partir do que foi visto em campo, as diferenciações existentes nas relações de gênero emergem no sentido prático de tornar exequível as tarefas de trabalho dentro da floresta, eclodindo em estratégias sociais eficientes de cooperação entre gêneros, refletindo na prática reflexões discutidas pelo ecofeminismo.
Universidade Federal do Para
Title: Mulheres, Saberes Práticos, Relações de Gênero e a Floresta
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Este artigo discute o papel das mulheres coletoras de sementes na construção de saberes práticos a partir do contato cotidiano com a floresta, tendo como démarche as relações de gênero como ponto nodal para a reconstrução das divisões social e sexual do trabalho.
O locus da pesquisa é a comunidade do Maguari, localizada no interior da Floresta Nacional do Tapajós, no município de Belterra, oeste do Pará.
As coletoras de sementes desempenham o papel de apreender, dominar e usufruir os recursos disponíveis na floresta.
Esse papel efetiva-se num saber-fazer transmitido ao longo de gerações de mulheres coletoras, pois o contato estreito com a floresta define uma a identidade do grupo social e lhes confere sentido de ser e existir.
A propriedade comunitária da floresta – segundo nossa observação em campo – passa a ser constituída através de relações sociais de cooperação entre mateiros e coletoras de sementes.
Essa associação é fundamental para que o trabalho de coleta se efetive e possa oferecer a entrada de capital necessário para a reprodução social e, também, assegure a permanência de populações vivendo dentro da floresta.
A partir do que foi visto em campo, as diferenciações existentes nas relações de gênero emergem no sentido prático de tornar exequível as tarefas de trabalho dentro da floresta, eclodindo em estratégias sociais eficientes de cooperação entre gêneros, refletindo na prática reflexões discutidas pelo ecofeminismo.
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