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ITINERÁRIO DA EVASÃO NA POESIA DE VINÍCIUS DE MORAES
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Este artigo propõe uma leitura crítica da poesia de Vinicius de Moraes a partir do tema da evasão, entendida como impulso de fuga, transcendência ou deslocamento diante das tensões da existência. Ao percorrer oito livros do autor, o estudo identifica como esse movimento aparece de formas distintas, ora associado à religiosidade e ao desejo de redenção, ora ligado à morte, ao devaneio ou à busca de um outro espaço possível para o sujeito lírico. A análise concentra-se especialmente nos poemas “Judeu errante”, “A partida” e “Balada das duas mocinhas de Botafogo”, nos quais a evasão se manifesta como errância eterna, como encenação da própria morte e como saída trágica para o sofrimento social. O ensaio estabelece diálogos com Manuel Bandeira e Álvares de Azevedo, evidenciando aproximações e diferenças na forma como cada poeta constrói a fuga da realidade. Em Bandeira, a evasão se projeta num espaço imaginário libertador; em Azevedo, a morte surge como promessa de outra vida; em Vinicius, a evasão oscila entre transcendência, lucidez e ironia, revelando uma poética marcada por ambivalências. Ao longo do percurso, demonstra-se que a evasão não é apenas tema recorrente, mas verdadeiro eixo estruturante da experiência lírica viniciana. Assim, o estudo contribui para ampliar a compreensão da obra de Vinicius de Moraes e para situá-la em diálogo vivo com tradições literárias brasileiras que fizeram da fuga um gesto estético e existencial.
Title: ITINERÁRIO DA EVASÃO NA POESIA DE VINÍCIUS DE MORAES
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Este artigo propõe uma leitura crítica da poesia de Vinicius de Moraes a partir do tema da evasão, entendida como impulso de fuga, transcendência ou deslocamento diante das tensões da existência.
Ao percorrer oito livros do autor, o estudo identifica como esse movimento aparece de formas distintas, ora associado à religiosidade e ao desejo de redenção, ora ligado à morte, ao devaneio ou à busca de um outro espaço possível para o sujeito lírico.
A análise concentra-se especialmente nos poemas “Judeu errante”, “A partida” e “Balada das duas mocinhas de Botafogo”, nos quais a evasão se manifesta como errância eterna, como encenação da própria morte e como saída trágica para o sofrimento social.
O ensaio estabelece diálogos com Manuel Bandeira e Álvares de Azevedo, evidenciando aproximações e diferenças na forma como cada poeta constrói a fuga da realidade.
Em Bandeira, a evasão se projeta num espaço imaginário libertador; em Azevedo, a morte surge como promessa de outra vida; em Vinicius, a evasão oscila entre transcendência, lucidez e ironia, revelando uma poética marcada por ambivalências.
Ao longo do percurso, demonstra-se que a evasão não é apenas tema recorrente, mas verdadeiro eixo estruturante da experiência lírica viniciana.
Assim, o estudo contribui para ampliar a compreensão da obra de Vinicius de Moraes e para situá-la em diálogo vivo com tradições literárias brasileiras que fizeram da fuga um gesto estético e existencial.
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