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Gestação molar em primigesta evoluindo com mola invasora
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Introdução: A doença trofoblástica gestacional (DTG) caracteriza-se pela proliferação do epitélio trofoblástico placentário. A manifestação benigna da DTG pode ser representada pela mola hidatiforme parcial (MHP), um tumor com parte de tecido fetal, que pode, em 20% dos casos, evoluir para uma neoplasia trofoblástica gestacional (NTG). Entre as neoplasias, destaca-se a mola invasora, uma evolução da MHP, a qual acomete apenas 1% dos casos, indicada pela persistência do hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG) após esvaziamento uterino, demonstrando a possibilidade de uma invasão da parede uterina. Dessa forma, considerando-se a necessidade de identificar manifestações da DTG, o presente estudo aborda um caso incomum de evolução da MHP para mola invasora. Relato de caso: Mulher, 21 anos, hígida, com exame de β-HCG qualitativo positivo. Primigesta. Queixa-se de sangramento vaginal vermelho escuro em pequena quantidade há dois dias. Nega dor. Por meio de exame especular observou-se a presença de sangramento ativo em pequena quantidade pelo orifício externo do colo uterino. Solicitou-se ultrassonografia transvaginal (USG TV), a qual mostrou um material heterogêneo de aspecto multicístico na região do fundo do corpo uterino. Exame de β-HCG igual a 20.443 mUI/mL. Foi indicado esvaziamento uterino por aspiração manual intrauterina (AMIU) e encaminhamento à patologia. Após 48 horas, o exame do β-HCG quantitativo resultou em 2.562 mUI/mL. O anatomopatológico concluiu mola hidatiforme parcial (MHP). Após acompanhamento semanal do β-HCG, verificou-se uma ascensão dos valores. Foram iniciados investigação e estadiamento com exames de imagem, laboratoriais. A RNM de pelve exibiu espaçamento da cavidade endometrial no fundo uterino, formação nodular estendendo-se até a superfície serosa do útero e cistos tecaluteínicos nos ovários. Diagnosticou-se mola invasora com estadiamento de NTG confinada ao útero, estágio I. O tratamento clínico iniciou-se com quatro ciclos de metotrexato (MTX) 1 mg/kg intramuscular, intercalados com ácido folínico (AF) 15 mg. O seguimento deu-se com dosagem de β-HCG quantitativo, da qual o nível de 676,5 mUI/mL após a última aplicação de MTX decaiu para 132 mUI/mL em sete dias, seguindo semanalmente até negativar, além de se obter a regressão da lesão. Conclusão: Entende-se que a evolução da MHP para mola invasora é atípica. O seguimento até a negativação do β-HCG é indispensável para confirmar a cura. Logo, um aumento do hCG, mesmo após AMIU, caracteriza uma evolução para NTG. Neste caso a mola invasora foi confinada ao útero, sendo possível descartar coriocarcinoma. O tratamento constituído de MTX alternando com AF foi imprescindível para manter a fertilidade da paciente, já que o MTX inibe o metabolismo do folato. O acompanhamento regular de hCG assegurou o sucesso no tratamento.
Title: Gestação molar em primigesta evoluindo com mola invasora
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Introdução: A doença trofoblástica gestacional (DTG) caracteriza-se pela proliferação do epitélio trofoblástico placentário.
A manifestação benigna da DTG pode ser representada pela mola hidatiforme parcial (MHP), um tumor com parte de tecido fetal, que pode, em 20% dos casos, evoluir para uma neoplasia trofoblástica gestacional (NTG).
Entre as neoplasias, destaca-se a mola invasora, uma evolução da MHP, a qual acomete apenas 1% dos casos, indicada pela persistência do hormônio gonadotrofina coriônica humana (hCG) após esvaziamento uterino, demonstrando a possibilidade de uma invasão da parede uterina.
Dessa forma, considerando-se a necessidade de identificar manifestações da DTG, o presente estudo aborda um caso incomum de evolução da MHP para mola invasora.
Relato de caso: Mulher, 21 anos, hígida, com exame de β-HCG qualitativo positivo.
Primigesta.
Queixa-se de sangramento vaginal vermelho escuro em pequena quantidade há dois dias.
Nega dor.
Por meio de exame especular observou-se a presença de sangramento ativo em pequena quantidade pelo orifício externo do colo uterino.
Solicitou-se ultrassonografia transvaginal (USG TV), a qual mostrou um material heterogêneo de aspecto multicístico na região do fundo do corpo uterino.
Exame de β-HCG igual a 20.
443 mUI/mL.
Foi indicado esvaziamento uterino por aspiração manual intrauterina (AMIU) e encaminhamento à patologia.
Após 48 horas, o exame do β-HCG quantitativo resultou em 2.
562 mUI/mL.
O anatomopatológico concluiu mola hidatiforme parcial (MHP).
Após acompanhamento semanal do β-HCG, verificou-se uma ascensão dos valores.
Foram iniciados investigação e estadiamento com exames de imagem, laboratoriais.
A RNM de pelve exibiu espaçamento da cavidade endometrial no fundo uterino, formação nodular estendendo-se até a superfície serosa do útero e cistos tecaluteínicos nos ovários.
Diagnosticou-se mola invasora com estadiamento de NTG confinada ao útero, estágio I.
O tratamento clínico iniciou-se com quatro ciclos de metotrexato (MTX) 1 mg/kg intramuscular, intercalados com ácido folínico (AF) 15 mg.
O seguimento deu-se com dosagem de β-HCG quantitativo, da qual o nível de 676,5 mUI/mL após a última aplicação de MTX decaiu para 132 mUI/mL em sete dias, seguindo semanalmente até negativar, além de se obter a regressão da lesão.
Conclusão: Entende-se que a evolução da MHP para mola invasora é atípica.
O seguimento até a negativação do β-HCG é indispensável para confirmar a cura.
Logo, um aumento do hCG, mesmo após AMIU, caracteriza uma evolução para NTG.
Neste caso a mola invasora foi confinada ao útero, sendo possível descartar coriocarcinoma.
O tratamento constituído de MTX alternando com AF foi imprescindível para manter a fertilidade da paciente, já que o MTX inibe o metabolismo do folato.
O acompanhamento regular de hCG assegurou o sucesso no tratamento.
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