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A questão da natureza na Júlia ou a Nova Heloísa
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Cumpre-se pensar a questão da natureza em Jean-Jacques Rousseau tendo a Júlia ou a Nova Heloísa, sua obra epistolar, como referência. Para isso, busca-se, de forma descritiva, refletir sobre as possibilidades mais diversas do pensar sobre o que seja natural, ou seja, trata-se de refletir, a partir de uma descrição fenomenológica, sobre os possíveis conceitos de natureza que faz de Rousseau o Iluminista que insere no Iluminismo a questão da Natureza, como um dos focos principais para o qual se deveria voltar o ser humano em sua busca do conhecer-se a si mesmo. Parte-se, então, do exposto como prefácio, estendendo-se, passo a passo, a diferentes Cartas, onde se encontram referências à Natureza. A que são remetidas quando a questão da natureza, quando vem à tona essas referências? Esta é a questão que se coloca ao se debruçar sobre as mensagens e narrativas das epistolas de Júlia e Saint-Preux, bem como de outros personagens dessa obra de Rousseau, como são o caso de Clara e Wolmar. Casada com Wolmar, para que se cumprisse a convenção social, que dizia ser a afirmação do casamento segundo a vontade do pai, Júlia continua enamorada de Saint-Preux, contrariando-se assim a natureza que se identificasse com a essência humana, enquanto natureza que se diferencia no homem e na mulher, acenando-se para o que, posteriormente, fora desenvolvido ao tratar da relação entre Emílio e Sofia, guardando-se as diferenças entre Sofia e Júlia. Vê-se, pois, que, na Carta X, Saint-Preux se dirige a Milorde Eduardo para lhe dizer das conclusões a que chegou Júlia a respeito da relação entre os cônjuges, considerando as diferenças naturais entre os sexos. Por isso afirma que, na França, faz-se o contrário do que é proposto pela própria natureza: a separação dos sexos por meio de suas ocupações distintas, evitando-se as relações cotidianas entre homens e mulheres. Deste modo, é possível constatar o distanciamento dos costumes franceses de sua época com o que era proposto pela natureza, o que muito bem se fez notável na separação do próprio Saint-Preux e Júlia, para que se fizesse a vontade do pai dessa última que, por sua vez, impôs as determinações da tradição como expressão das convenções contrárias à natureza.
Title: A questão da natureza na Júlia ou a Nova Heloísa
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Cumpre-se pensar a questão da natureza em Jean-Jacques Rousseau tendo a Júlia ou a Nova Heloísa, sua obra epistolar, como referência.
Para isso, busca-se, de forma descritiva, refletir sobre as possibilidades mais diversas do pensar sobre o que seja natural, ou seja, trata-se de refletir, a partir de uma descrição fenomenológica, sobre os possíveis conceitos de natureza que faz de Rousseau o Iluminista que insere no Iluminismo a questão da Natureza, como um dos focos principais para o qual se deveria voltar o ser humano em sua busca do conhecer-se a si mesmo.
Parte-se, então, do exposto como prefácio, estendendo-se, passo a passo, a diferentes Cartas, onde se encontram referências à Natureza.
A que são remetidas quando a questão da natureza, quando vem à tona essas referências? Esta é a questão que se coloca ao se debruçar sobre as mensagens e narrativas das epistolas de Júlia e Saint-Preux, bem como de outros personagens dessa obra de Rousseau, como são o caso de Clara e Wolmar.
Casada com Wolmar, para que se cumprisse a convenção social, que dizia ser a afirmação do casamento segundo a vontade do pai, Júlia continua enamorada de Saint-Preux, contrariando-se assim a natureza que se identificasse com a essência humana, enquanto natureza que se diferencia no homem e na mulher, acenando-se para o que, posteriormente, fora desenvolvido ao tratar da relação entre Emílio e Sofia, guardando-se as diferenças entre Sofia e Júlia.
Vê-se, pois, que, na Carta X, Saint-Preux se dirige a Milorde Eduardo para lhe dizer das conclusões a que chegou Júlia a respeito da relação entre os cônjuges, considerando as diferenças naturais entre os sexos.
Por isso afirma que, na França, faz-se o contrário do que é proposto pela própria natureza: a separação dos sexos por meio de suas ocupações distintas, evitando-se as relações cotidianas entre homens e mulheres.
Deste modo, é possível constatar o distanciamento dos costumes franceses de sua época com o que era proposto pela natureza, o que muito bem se fez notável na separação do próprio Saint-Preux e Júlia, para que se fizesse a vontade do pai dessa última que, por sua vez, impôs as determinações da tradição como expressão das convenções contrárias à natureza.
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