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Contexto: A hemivértebra é a anomalia vertebral mais frequentemente relacionada à escoliose e cifose congênita, com incidência de 0,1% a 1,0% dos nascidos vivos. A medula espinhal pode ser comprimida devido à perda da curvatura fisiológica normal da coluna, podendo afetar o desenvolvimento e a função do coração ou de outros órgãos. A literatura descreve anomalias associadas em 59,2% a 71,2% dos casos e anormalidades citogenéticas em 5%. Além disso, 25,9% das crianças diagnosticadas no pré-natal com hemivértebra apresentam atraso no desenvolvimento. Hemivértebra envolvendo um dos gêmeos é muito rara, determinando um grande desafio para o diagnóstico pré-natal, assim como na condução desses casos. Nesse contexto, a ressonância magnética pode funcionar como uma ferramenta importante para o detalhamento anatômico desses casos. Descrição do caso: Multípara, 25 anos, sem comorbidades, encaminhada para o serviço de medicina fetal com 30+0 IG devido à gestação gemelar dicoriônica, tendo sido evidenciado: feto 1, feminino, hígido; e feto 2, masculino, exibindo cifose lombar anormal, nunca descrita em exames prévios. Realizada ressonância magnética fetal, que confirmou cifose angular na transição dorsolombar, determinando estreitamento do canal raquiano, sem sinais de disrafismo. Com 36 semanas, foi indicada cesariana devido à ruptura prematura de membranas e apresentação pélvica de ambos os fetos. Ainda na maternidade, foi realizada nova ressonância da coluna vertebral no feto 2, que revelou alteração morfoestrutural do corpo vertebral de L2, com redução da altura moderadamente na porção anterior do mesmo, com leve retroprojeção do muro posterior nesta topografia e discreta cifose, assim como leve compressão sobre o saco dural, sem efeito compressivo sobre a medula. Após a alta, o recém-nascido foi avaliado pela cirurgia pediátrica e aguarda definição quanto à conduta cirúrgica. Comentários: A ultrassonografia fetal é o exame de rastreio utilizado durante a gravidez devido à sua acessibilidade e segurança. No entanto, limitações na identificação de anomalias podem surgir devido à posição fetal e outros fatores, particularmente na gestação múltipla. A ressonância magnética tem se destacado como um complemento valioso para avaliar malformações fetais, especialmente em casos de incerteza diagnóstica. Sua precisão diagnóstica e capacidade de fornecer informações adicionais são fundamentais para um manejo adequado da gravidez. Casos raros como os de hemivértebra em gestações gemelares podem ser beneficiados pelo uso da ressonância para avaliação da compressão do saco dural e suas repercussões.
Zeppelini Editorial e Comunicação
Title: 95
Description:
Contexto: A hemivértebra é a anomalia vertebral mais frequentemente relacionada à escoliose e cifose congênita, com incidência de 0,1% a 1,0% dos nascidos vivos.
A medula espinhal pode ser comprimida devido à perda da curvatura fisiológica normal da coluna, podendo afetar o desenvolvimento e a função do coração ou de outros órgãos.
A literatura descreve anomalias associadas em 59,2% a 71,2% dos casos e anormalidades citogenéticas em 5%.
Além disso, 25,9% das crianças diagnosticadas no pré-natal com hemivértebra apresentam atraso no desenvolvimento.
Hemivértebra envolvendo um dos gêmeos é muito rara, determinando um grande desafio para o diagnóstico pré-natal, assim como na condução desses casos.
Nesse contexto, a ressonância magnética pode funcionar como uma ferramenta importante para o detalhamento anatômico desses casos.
Descrição do caso: Multípara, 25 anos, sem comorbidades, encaminhada para o serviço de medicina fetal com 30+0 IG devido à gestação gemelar dicoriônica, tendo sido evidenciado: feto 1, feminino, hígido; e feto 2, masculino, exibindo cifose lombar anormal, nunca descrita em exames prévios.
Realizada ressonância magnética fetal, que confirmou cifose angular na transição dorsolombar, determinando estreitamento do canal raquiano, sem sinais de disrafismo.
Com 36 semanas, foi indicada cesariana devido à ruptura prematura de membranas e apresentação pélvica de ambos os fetos.
Ainda na maternidade, foi realizada nova ressonância da coluna vertebral no feto 2, que revelou alteração morfoestrutural do corpo vertebral de L2, com redução da altura moderadamente na porção anterior do mesmo, com leve retroprojeção do muro posterior nesta topografia e discreta cifose, assim como leve compressão sobre o saco dural, sem efeito compressivo sobre a medula.
Após a alta, o recém-nascido foi avaliado pela cirurgia pediátrica e aguarda definição quanto à conduta cirúrgica.
Comentários: A ultrassonografia fetal é o exame de rastreio utilizado durante a gravidez devido à sua acessibilidade e segurança.
No entanto, limitações na identificação de anomalias podem surgir devido à posição fetal e outros fatores, particularmente na gestação múltipla.
A ressonância magnética tem se destacado como um complemento valioso para avaliar malformações fetais, especialmente em casos de incerteza diagnóstica.
Sua precisão diagnóstica e capacidade de fornecer informações adicionais são fundamentais para um manejo adequado da gravidez.
Casos raros como os de hemivértebra em gestações gemelares podem ser beneficiados pelo uso da ressonância para avaliação da compressão do saco dural e suas repercussões.

