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1000 dias: o guia prático da LISMI sobre materno-infantil

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A proposta de dialogar com os assuntos interligados à saúde materno-infantil direciona para temas iniciais de uma vivência que remete a alegrias e sofrimentos. Historicamente, buscamos captar diálogos dos mais simples a alguns complexos no primeiro volume deste livro escrito por estudantes de medicina da Liga de Saúde Materno Infantil. Primeiramente, precisamos refletir que por anos a mulher foi vista socialmente pelo seu papel de esposa e mãe, com o dever de cuidar da família, da casa, educar os filhos e assumir um papel submisso ao companheiro. Não obstante, os primeiros programas voltados à saúde dessa população, mais precisamente nas décadas de 30 a 70, tratavam exclusivamente do ciclo gravídico-puerperal ou materno-infantil, contemplando algumas ações em saúde da criança, gestacional e de planejamento familiar. Assim, a mulher só tinha acesso aos serviços de saúde durante a gravidez e o puerpério. Somente através das lutas em buscas por direitos iniciadas pelo movimento feminista no auge da reforma sanitária, nas décadas de 70 e 80, começaram os debates para garantia de direitos assistenciais e constitucionais igualitários entre homens e mulheres, o que culminou com diversas reivindicações para uma assistência integral em todas as fases da vida, com respeito à concepção, acesso a métodos contraceptivos, tratamento para infertilidade e infecções sexualmente transmissíveis, e garantia de direitos trabalhistas. Nesse período, mais precisamente em 1973, foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI), destacando-se como uma excelente estratégia para combater epidemias que assolavam o Brasil e aumentavam assustadoramente a mortalidade materna e infantil. Frente às reclamações da sociedade civil, o Ministério da Saúde criou, em 1984, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) com a proposta de promover atenção primária global a essa população, agregando-se à Constituição Federal em 1988, garantindo o planejamento familiar como livre decisão do casal, a autonomia feminina no planejamento reprodutivo e assistência médica em todos os ciclos da saúde da mulher. Na década de 90, as ações da Estratégia de Saúde da Família (ESF) fortaleceram essa assistência aliada à Rede Cegonha e a outros projetos importantíssimos do Ministério da Saúde, em prol da saúde materno infantil, reduzindo de forma significativa a mortalidade infantil, materna e puerperal. Em 2004, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), considerando a saúde da mulher como uma prioridade, uma vez que elas correspondem à maior parcela da população brasileira e são as principais usuárias do SUS. Com a criação de novos programas, temos atualmente uma Rede de Atenção Materno Infantil (RAMI) que ampliou o atendimento para mães e bebês no SUS. Merece destaque também a nova Política de Planejamento Familiar, que proporcionou um maior empoderamento da mulher e determinou prazos para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas, bem como disciplinou condições para esterilização voluntária sem autorização do parceiro. Sendo assim, dialogar com tais temáticas, incluindo a promoção da saúde no enfrentamento à violência contra a mulher e à violência obstétrica, além de assuntos como a depressão pós-parto, Infecções Sexualmente Transmissíveis, gravidez solo como escolha e outros temas, traz um leque de oportunidades para despertar no leitor um novo olhar que direcione a saúde materno infantil a um patamar mais digno de ser vivido.
EdUNICHRISTUS
Title: 1000 dias: o guia prático da LISMI sobre materno-infantil
Description:
A proposta de dialogar com os assuntos interligados à saúde materno-infantil direciona para temas iniciais de uma vivência que remete a alegrias e sofrimentos.
Historicamente, buscamos captar diálogos dos mais simples a alguns complexos no primeiro volume deste livro escrito por estudantes de medicina da Liga de Saúde Materno Infantil.
Primeiramente, precisamos refletir que por anos a mulher foi vista socialmente pelo seu papel de esposa e mãe, com o dever de cuidar da família, da casa, educar os filhos e assumir um papel submisso ao companheiro.
Não obstante, os primeiros programas voltados à saúde dessa população, mais precisamente nas décadas de 30 a 70, tratavam exclusivamente do ciclo gravídico-puerperal ou materno-infantil, contemplando algumas ações em saúde da criança, gestacional e de planejamento familiar.
Assim, a mulher só tinha acesso aos serviços de saúde durante a gravidez e o puerpério.
Somente através das lutas em buscas por direitos iniciadas pelo movimento feminista no auge da reforma sanitária, nas décadas de 70 e 80, começaram os debates para garantia de direitos assistenciais e constitucionais igualitários entre homens e mulheres, o que culminou com diversas reivindicações para uma assistência integral em todas as fases da vida, com respeito à concepção, acesso a métodos contraceptivos, tratamento para infertilidade e infecções sexualmente transmissíveis, e garantia de direitos trabalhistas.
Nesse período, mais precisamente em 1973, foi criado o Programa Nacional de Imunização (PNI), destacando-se como uma excelente estratégia para combater epidemias que assolavam o Brasil e aumentavam assustadoramente a mortalidade materna e infantil.
Frente às reclamações da sociedade civil, o Ministério da Saúde criou, em 1984, o Programa de Assistência Integral à Saúde da Mulher (PAISM) com a proposta de promover atenção primária global a essa população, agregando-se à Constituição Federal em 1988, garantindo o planejamento familiar como livre decisão do casal, a autonomia feminina no planejamento reprodutivo e assistência médica em todos os ciclos da saúde da mulher.
Na década de 90, as ações da Estratégia de Saúde da Família (ESF) fortaleceram essa assistência aliada à Rede Cegonha e a outros projetos importantíssimos do Ministério da Saúde, em prol da saúde materno infantil, reduzindo de forma significativa a mortalidade infantil, materna e puerperal.
Em 2004, o Ministério da Saúde lançou a Política Nacional de Atenção Integral à Saúde da Mulher (PNAISM), considerando a saúde da mulher como uma prioridade, uma vez que elas correspondem à maior parcela da população brasileira e são as principais usuárias do SUS.
Com a criação de novos programas, temos atualmente uma Rede de Atenção Materno Infantil (RAMI) que ampliou o atendimento para mães e bebês no SUS.
Merece destaque também a nova Política de Planejamento Familiar, que proporcionou um maior empoderamento da mulher e determinou prazos para oferecimento de métodos e técnicas contraceptivas, bem como disciplinou condições para esterilização voluntária sem autorização do parceiro.
Sendo assim, dialogar com tais temáticas, incluindo a promoção da saúde no enfrentamento à violência contra a mulher e à violência obstétrica, além de assuntos como a depressão pós-parto, Infecções Sexualmente Transmissíveis, gravidez solo como escolha e outros temas, traz um leque de oportunidades para despertar no leitor um novo olhar que direcione a saúde materno infantil a um patamar mais digno de ser vivido.

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