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Mário Pedrosa
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Neste livro, Otília reconstitui as grandes linhas de uma trajetória, nada linear, de um dos maiores críticos de arte do Brasil e que acompanhou de perto, ao longo de quase todo o século XX, as idas e vindas da arte internacional. Mário Pedrosa, sem nunca abandonar a militância política, jamais dissociará revolução social e arte a mais avançada, ou arte independente – o que nem sempre interpretou da mesma maneira. Ou seja, apesar de suas reticências iniciais em relação àquela arte moderna que na conferência de 1933, sobre Käthe Kollwitz, identificava como “um jogo pueril de formas”, aos poucos, como político e como revolucionário, foi se dando conta do quanto a luta pela libertação da humanidade passa pela preservação e ampliação daquele mínimo de iniciativa de que ela pode dispor na sociedade capitalista e, portanto, a olhar com outros olhos a arte burguesa e a tentar adivinhar aí a convergência, embora incipiente, entre uma arte que chamou de hermética, confinada na aparência estética, e aquela que ia buscar sua inspiração na “dramática fermentação” da sociedade. Em seu retorno do exílio, em 1945, embora já afastado do trotskismo, mantinha-se fiel à máxima do Manifesto por uma arte independente – “A independência da arte para a revolução e a revolução para a independência da arte” –, encetando uma batalha sem trégua para que o Brasil saísse do isolamento e se alinhasse à arte mais avançada da época. Não há dúvida que esbarrava nos impasses característicos de um país periférico, onde falar de independência artística é algo no mínimo problemático, mas o sopro de ar novo que trouxe obrigou nossos artistas e críticos a porem em discussão o rumo que a arte, em nítido refluxo em relação às conquistas vanguardistas, ia tomando entre nós. Em defesa da arte abstrata, alegava estar ela elaborando os símbolos de uma linguagem plástica inédita, destinada a nos arrancar da atonia perceptiva quotidiana, na esperança de encurtar a distância que nos separa dos “horizontes longínquos da utopia”. O ápice de uma tal empreitada seria Brasília – a grande síntese anunciada pelas vanguardas e reativada pelo projeto construtivo abstrato – cujo feito não apenas registraria, mas defenderia ardorosamente, tendo inclusive promovido um encontro internacional de críticos de arte, em 1959, sob o título “Brasília, síntese das artes”.
Originalmente publicado em 1991, por ocasião dos 10 anos de morte de Mário Pedrosa, republicado em 2004, foi acrescentado o texto “Atualidade de Mário Pedrosa”, escrito por ocasião de seu centenário, situando-o na grande linhagem crítica brasileira. Mantivemos aqui integralmente esta última edição.
Palavras-chave: Mário Pedrosa, Crítica de arte, Arte proletária, Arte abstrata, Concretismo, Neoconcretismo, Gestalt, Pós-Modernismo, Arquitetura Brasileira, Brasília, Bienais
Title: Mário Pedrosa
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Neste livro, Otília reconstitui as grandes linhas de uma trajetória, nada linear, de um dos maiores críticos de arte do Brasil e que acompanhou de perto, ao longo de quase todo o século XX, as idas e vindas da arte internacional.
Mário Pedrosa, sem nunca abandonar a militância política, jamais dissociará revolução social e arte a mais avançada, ou arte independente – o que nem sempre interpretou da mesma maneira.
Ou seja, apesar de suas reticências iniciais em relação àquela arte moderna que na conferência de 1933, sobre Käthe Kollwitz, identificava como “um jogo pueril de formas”, aos poucos, como político e como revolucionário, foi se dando conta do quanto a luta pela libertação da humanidade passa pela preservação e ampliação daquele mínimo de iniciativa de que ela pode dispor na sociedade capitalista e, portanto, a olhar com outros olhos a arte burguesa e a tentar adivinhar aí a convergência, embora incipiente, entre uma arte que chamou de hermética, confinada na aparência estética, e aquela que ia buscar sua inspiração na “dramática fermentação” da sociedade.
Em seu retorno do exílio, em 1945, embora já afastado do trotskismo, mantinha-se fiel à máxima do Manifesto por uma arte independente – “A independência da arte para a revolução e a revolução para a independência da arte” –, encetando uma batalha sem trégua para que o Brasil saísse do isolamento e se alinhasse à arte mais avançada da época.
Não há dúvida que esbarrava nos impasses característicos de um país periférico, onde falar de independência artística é algo no mínimo problemático, mas o sopro de ar novo que trouxe obrigou nossos artistas e críticos a porem em discussão o rumo que a arte, em nítido refluxo em relação às conquistas vanguardistas, ia tomando entre nós.
Em defesa da arte abstrata, alegava estar ela elaborando os símbolos de uma linguagem plástica inédita, destinada a nos arrancar da atonia perceptiva quotidiana, na esperança de encurtar a distância que nos separa dos “horizontes longínquos da utopia”.
O ápice de uma tal empreitada seria Brasília – a grande síntese anunciada pelas vanguardas e reativada pelo projeto construtivo abstrato – cujo feito não apenas registraria, mas defenderia ardorosamente, tendo inclusive promovido um encontro internacional de críticos de arte, em 1959, sob o título “Brasília, síntese das artes”.
Originalmente publicado em 1991, por ocasião dos 10 anos de morte de Mário Pedrosa, republicado em 2004, foi acrescentado o texto “Atualidade de Mário Pedrosa”, escrito por ocasião de seu centenário, situando-o na grande linhagem crítica brasileira.
Mantivemos aqui integralmente esta última edição.
Palavras-chave: Mário Pedrosa, Crítica de arte, Arte proletária, Arte abstrata, Concretismo, Neoconcretismo, Gestalt, Pós-Modernismo, Arquitetura Brasileira, Brasília, Bienais.
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