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Arquitetura francesa em dois tempos
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Pouco mais de 25 anos separam os dois ensaios que compõem este volume. O primeiro foi redigido e publicado em 1988. O segundo, embora escrito em 2014, permanecia inédito. Reunidos agora na intenção de um balanço, pretendem sobretudo dar conta das transformações da arquitetura na França através de dois momentos, embora de grande animação, extremamente diferentes. Ou seja, que vão do rescaldo de 1968, do qual o Beaubourg (1976) é a expressão mais acabada, quando o Estado elege a cultura como política oficial — os grandes (e vistosos) equipamentos culturais (em especial os Grandes Projetos da Era Mitterand), acompanhados de seu contraponto complementar de valorização patrimonial e de uma arquitetura “modesta” e contextual—, a um novo surto no qual a França, e sobretudo Paris e seu entorno, cedem à corrida global pelos ativos imobiliários, de alto bordo, disputados pelas construtoras e os escritórios de ponta, que passaram, ao menos desde a virada de século, a dar as cartas (mesmo quando subsidiadas pelo Estado). Momento este em que a convergência entre cultura e mundo dos negócios (já presente obviamente na primeira fase — “a cultura é o nosso petróleo”, dizia o Ministro Jacques Lang) cede de vez às estritas imposições desse último e, neste vale tudo, novas frentes vão obrigatoriamente se abrindo, os inúmeros centros culturais sendo substituídos paulatinamente por butiques (mesmo quando butiques museus), prédios corporativos, edifícios públicos (ou que por natureza deveriam sê-lo), vinícolas, shoppings ou equipamentos esportivos. Nestes novos projetos, como dizia com pertinência François Chaslin, “as equipes são impressionantes; os aspectos financeiros, fundamentais, e as questões arquitetônicas relativamente secundárias”. Onda global, sem dúvida, mas em que a França, de sua posição de inegável vanguarda, ao menos em relação à grande virada cultural do último quarto do século XX, passa à de mera caudatária. Este duplo balanço, o primeiro elaborado às vésperas do bicentenário da Revolução Francesa e no auge do mandato de Mitterand, o segundo, ao se encerrar o ciclo conservador com Sarkozy na presidência, serve também de pretexto para ilustrar os caminhos e descaminhos da arquitetura mundial em meio século: dos grandes ideais (e projetos) aos grandes negócios — quando ela passa a obedecer antes de tudo aos imperativos do mercado, patinando nos excessos da irrelevância estética (apesar das extravagâncias formais). O percurso desses textos vai assim do Beaubourg à Fundação Vuitton e suas variantes mais prosaicas.
Palavras-chave: Animação cultural, Arquitetura modesta, Beaubourg, Bernard Huet, François Chesnais, Gaudin, Gehry, Grand Louvre, Grandes Projetos, Grumbach, Jacques Lang, Jean Nouvel, La Défense, Mitterrand, Movimento Moderno, Patrimônio, Pei, Perrault, Portzamparc, Renzo Piano, Ricciotti, Rogers, Sarkozy
Title: Arquitetura francesa em dois tempos
Description:
Pouco mais de 25 anos separam os dois ensaios que compõem este volume.
O primeiro foi redigido e publicado em 1988.
O segundo, embora escrito em 2014, permanecia inédito.
Reunidos agora na intenção de um balanço, pretendem sobretudo dar conta das transformações da arquitetura na França através de dois momentos, embora de grande animação, extremamente diferentes.
Ou seja, que vão do rescaldo de 1968, do qual o Beaubourg (1976) é a expressão mais acabada, quando o Estado elege a cultura como política oficial — os grandes (e vistosos) equipamentos culturais (em especial os Grandes Projetos da Era Mitterand), acompanhados de seu contraponto complementar de valorização patrimonial e de uma arquitetura “modesta” e contextual—, a um novo surto no qual a França, e sobretudo Paris e seu entorno, cedem à corrida global pelos ativos imobiliários, de alto bordo, disputados pelas construtoras e os escritórios de ponta, que passaram, ao menos desde a virada de século, a dar as cartas (mesmo quando subsidiadas pelo Estado).
Momento este em que a convergência entre cultura e mundo dos negócios (já presente obviamente na primeira fase — “a cultura é o nosso petróleo”, dizia o Ministro Jacques Lang) cede de vez às estritas imposições desse último e, neste vale tudo, novas frentes vão obrigatoriamente se abrindo, os inúmeros centros culturais sendo substituídos paulatinamente por butiques (mesmo quando butiques museus), prédios corporativos, edifícios públicos (ou que por natureza deveriam sê-lo), vinícolas, shoppings ou equipamentos esportivos.
Nestes novos projetos, como dizia com pertinência François Chaslin, “as equipes são impressionantes; os aspectos financeiros, fundamentais, e as questões arquitetônicas relativamente secundárias”.
Onda global, sem dúvida, mas em que a França, de sua posição de inegável vanguarda, ao menos em relação à grande virada cultural do último quarto do século XX, passa à de mera caudatária.
Este duplo balanço, o primeiro elaborado às vésperas do bicentenário da Revolução Francesa e no auge do mandato de Mitterand, o segundo, ao se encerrar o ciclo conservador com Sarkozy na presidência, serve também de pretexto para ilustrar os caminhos e descaminhos da arquitetura mundial em meio século: dos grandes ideais (e projetos) aos grandes negócios — quando ela passa a obedecer antes de tudo aos imperativos do mercado, patinando nos excessos da irrelevância estética (apesar das extravagâncias formais).
O percurso desses textos vai assim do Beaubourg à Fundação Vuitton e suas variantes mais prosaicas.
Palavras-chave: Animação cultural, Arquitetura modesta, Beaubourg, Bernard Huet, François Chesnais, Gaudin, Gehry, Grand Louvre, Grandes Projetos, Grumbach, Jacques Lang, Jean Nouvel, La Défense, Mitterrand, Movimento Moderno, Patrimônio, Pei, Perrault, Portzamparc, Renzo Piano, Ricciotti, Rogers, Sarkozy.
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