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Aqueles que anunciam a boa nova

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Nas últimas décadas, o sistema de comunicação científica tem experimentado formas inovadoras de fazer ciência, já que os avanços tecnológicos se inserem nos processos e modificam a cultura do pesquisador no ciclo de investigação e publicação da pesquisa, introduzindo novos recursos que visam dar mais transparência, credibilidade, possibilidade de replicação, reutilização e reprodução da pesquisa. Esse fenômeno de transição recebeu o nome, pela comunidade científica, de Ciência Aberta. Ciência Aberta é um termo guarda-chuva, que envolve múltiplos níveis e escopos de abertura,  remetendo  tanto  ao sistema pragmático, no  sentido  de  permitir maior dinamismo  às  atividades  de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I),  quanto ao democrático,  no  sentido  de permitir maior abertura e participação da sociedade (ALBAGLI;  APPEL; MACIEl, 2014). A Ciência Aberta se apresenta em desenvolvimento contínuo, como um ecossistema que vai englobando distintas e independentes perspectivas com suas singularidades, contudo inter-relacionadas (SILVEIRA et al., 2021). Naturalmente, as mudanças no cotidiano dos pesquisadores trouxeram conflitos, gerados com a forma convencional de desenvolver ciência. E essa transição de cultura necessitou de lideranças para promover a Ciência Aberta. Esse papel em algumas pesquisas tem sido mencionado como Evangelistas da Ciência Aberta, normalmente associado aos ativistas e defensores da Ciência Aberta (GERBER, 2014; CLÍNIO,  2015; 2019; 2021; HERSH, 2017; SANTANA, 2017, GOTZ, 2019; HARP-RUSHING, 2020; BAKER; MAYERNIK, 2020). Mas o que é ser evangelista da Ciência Aberta? O termo evangelizar, entre outros significados, refere-se a pregar, preconizar, aconselhar, recomendar, propor uma ideia, anunciar e publicar a mensagem (COBLIM, 2014), ou ainda, tem o mesmo sentido que educar (MESQUITA, 2001). Nesse contexto, o evangelista pode estar relacionado ao sentido de apóstolo, missionário, pregador, profeta, mestre e/ou propagador, ou aquele que anuncia. Uma das diferenças entre o evangelista religioso e o científico é que o produto de disseminação do conhecimento, o evangelho é praticamente imutável, já a Ciência Aberta é um fenômeno em construção. Por isso a necessidade de ter pessoas liderando, fomentando, acompanhando as mudanças e divulgando as práticas para que esse novo modelo de fazer ciência se torne comum e seja uma realidade na vida cotidiana dos pesquisadores. Logo, neste caso, entende-se que os Evangelistas são aqueles que disseminam a informação sobre a Ciência Aberta e defendem suas práticas e ações. No entanto, percebe-se que muitos desses autores não são apenas aqueles que divulgam a Ciência Aberta, e sim, se propõem a praticar nos níveis e possibilidades que cada pesquisador possui. São produtores de conteúdo ou investigação sobre a temática, podendo ser influenciadores de comunidades ou políticas institucionais. Os Evangelistas da Ciência Aberta adotam a tese de que a sua abertura impulsiona  a qualidade e a velocidade da disseminação da informação e, consequentemente, promove o progresso mais rápido e eficiente da ciência, considerando a produção de conhecimento, a inovação e a solução de grandes dificuldades enfrentadas pela sociedade (CLÍNIO, 2019). Alegam que abrir o processo científico pode acelerar e melhorar a qualidade científica (CLÍNIO, 2015; 2019; 2021). Nielsen (2011), um dos ativistas da Ciência Aberta, expôs que a forma como as pesquisas e as inovações acontecem mudaria mais rápido nos próximos anos do que mudou nos últimos três séculos. Entretanto, Delfanti e Pitrelli (2015), pouco tempo depois, entendiam que alguns ativistas da Ciência Aberta pareciam intrigados com o ritmo lento de mudanças no ambiente científico, uma vez que davam como certo que “a ciência quer ser aberta”. A título de exemplo e, em defesa da Ciência Aberta, destaca-se a atitude da comunidade de cientistas e dos editores de revistas ao redor do mundo, quando foi solicitado pelas entidades de saúde, o compartilhamento de materiais de aporte  para a pesquisas, disponibilizando dados, publicações e outros recursos restritos por taxas que, sem embargos puderam ser usados para o melhor entendimento e o combate à emergência sanitária global, provocada pelo novo Coronavírus (Covid-19). No esforço de lidar com o vírus e fornecer os tratamentos mais eficazes e, principalmente, encontrar uma vacina, esse movimento comprova o que os Evangelistas da Ciência Aberta defendem: que a pesquisa desenvolvida em acesso aberto, de forma colaborativa e transparente, facilita o compartilhamento e a divulgação dos processos e resultados, o que mostrou ser a forma mais eficiente de promover o avanço da ciência, a geração e disseminação de novo conhecimento (RODRIGUES, 2020). A pandemia da Covid-19 pode ser considerada um marco para a Ciência Aberta. Observando-se avanços reais no compartilhamento de dados científicos, barreiras caíram quando os principais grupos de publicação científica – como Elsevier, Springer Nature e Wiley – abriram acesso a milhares de artigos de pesquisa. Isso permitiu que cientistas de todo o mundo os lessem, acompanhassem os avanços da pesquisa e, assim, acelerassem seu trabalho (BOUKACEM-ZEGHMOURI, 2021). Além disso, a Covid-19 influenciou na aceitação de práticas de Ciência Aberta, originadas na década de 1990 pela área da física, como no caso da publicação rápida, também conhecida como preprint. Esse tipo de publicação para algumas áreas do conhecimento era pouco recomendada e usada, devido a fatores de qualidade de publicação, mas que em meio a necessidade de sobrevivência da sociedade, essa questão foi pausada, para dar vazão às descobertas e troca de experiências de forma rápida. Outras práticas foram persistentes nesse processo de desenvolvimento da comunicação científica aberta, como é o caso dos cadernos abertos de pesquisa, da avaliação aberta, bem como dar maior ênfase na colaboração entre países com a mesma finalidade, acelerar o acesso, revisar a qualidade, validar pesquisas, e com isso solucionar a crise sanitária, com cuidados preventivos, tratamentos, vacinas etc. Esse é o exemplo real do que motiva um Evangelista da Ciência Aberta, a defesa do coletivo e do acesso ao conhecimento,  pois quando se deixa de lado as fronteiras, as diferenças, e quando o objetivo é o bem maior, é possível sim, fazer ciência sem barreiras, a Covid-19 mostrou que é viável e possível, porém,  o caminho é longo até que a ciência possa ser considerada aberta (BOUKACEM-ZEGHMOURI, 2021). Por fim, os Evangelistas da Ciência Aberta podem ser entendidos como aqueles que apoiam, promovem, defendem, criticam, avaliam os processos e produtos de comunicação científica, desenvolvendo mudanças de atitude, de cultura na comunicação e no desenvolvimento da ciência,  ancorada em compromissos e perspectivas: éticas, filosóficas, científicas, sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, amparando a inclusão de gênero e de regiões e países menos favorecidos, fazendo com que o conhecimento científico de todos os tipos de pesquisadores,  possam ser publicados e que o acesso seja igualmente global, a garantir pesquisas mais eficientes e acessíveis para a sociedade como um todo (SILVEIRA et al., 2021a; 2021b).
Title: Aqueles que anunciam a boa nova
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Nas últimas décadas, o sistema de comunicação científica tem experimentado formas inovadoras de fazer ciência, já que os avanços tecnológicos se inserem nos processos e modificam a cultura do pesquisador no ciclo de investigação e publicação da pesquisa, introduzindo novos recursos que visam dar mais transparência, credibilidade, possibilidade de replicação, reutilização e reprodução da pesquisa.
Esse fenômeno de transição recebeu o nome, pela comunidade científica, de Ciência Aberta.
Ciência Aberta é um termo guarda-chuva, que envolve múltiplos níveis e escopos de abertura,  remetendo  tanto  ao sistema pragmático, no  sentido  de  permitir maior dinamismo  às  atividades  de Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I),  quanto ao democrático,  no  sentido  de permitir maior abertura e participação da sociedade (ALBAGLI;  APPEL; MACIEl, 2014).
A Ciência Aberta se apresenta em desenvolvimento contínuo, como um ecossistema que vai englobando distintas e independentes perspectivas com suas singularidades, contudo inter-relacionadas (SILVEIRA et al.
, 2021).
Naturalmente, as mudanças no cotidiano dos pesquisadores trouxeram conflitos, gerados com a forma convencional de desenvolver ciência.
E essa transição de cultura necessitou de lideranças para promover a Ciência Aberta.
Esse papel em algumas pesquisas tem sido mencionado como Evangelistas da Ciência Aberta, normalmente associado aos ativistas e defensores da Ciência Aberta (GERBER, 2014; CLÍNIO,  2015; 2019; 2021; HERSH, 2017; SANTANA, 2017, GOTZ, 2019; HARP-RUSHING, 2020; BAKER; MAYERNIK, 2020).
Mas o que é ser evangelista da Ciência Aberta? O termo evangelizar, entre outros significados, refere-se a pregar, preconizar, aconselhar, recomendar, propor uma ideia, anunciar e publicar a mensagem (COBLIM, 2014), ou ainda, tem o mesmo sentido que educar (MESQUITA, 2001).
Nesse contexto, o evangelista pode estar relacionado ao sentido de apóstolo, missionário, pregador, profeta, mestre e/ou propagador, ou aquele que anuncia.
Uma das diferenças entre o evangelista religioso e o científico é que o produto de disseminação do conhecimento, o evangelho é praticamente imutável, já a Ciência Aberta é um fenômeno em construção.
Por isso a necessidade de ter pessoas liderando, fomentando, acompanhando as mudanças e divulgando as práticas para que esse novo modelo de fazer ciência se torne comum e seja uma realidade na vida cotidiana dos pesquisadores.
Logo, neste caso, entende-se que os Evangelistas são aqueles que disseminam a informação sobre a Ciência Aberta e defendem suas práticas e ações.
No entanto, percebe-se que muitos desses autores não são apenas aqueles que divulgam a Ciência Aberta, e sim, se propõem a praticar nos níveis e possibilidades que cada pesquisador possui.
São produtores de conteúdo ou investigação sobre a temática, podendo ser influenciadores de comunidades ou políticas institucionais.
Os Evangelistas da Ciência Aberta adotam a tese de que a sua abertura impulsiona  a qualidade e a velocidade da disseminação da informação e, consequentemente, promove o progresso mais rápido e eficiente da ciência, considerando a produção de conhecimento, a inovação e a solução de grandes dificuldades enfrentadas pela sociedade (CLÍNIO, 2019).
Alegam que abrir o processo científico pode acelerar e melhorar a qualidade científica (CLÍNIO, 2015; 2019; 2021).
Nielsen (2011), um dos ativistas da Ciência Aberta, expôs que a forma como as pesquisas e as inovações acontecem mudaria mais rápido nos próximos anos do que mudou nos últimos três séculos.
Entretanto, Delfanti e Pitrelli (2015), pouco tempo depois, entendiam que alguns ativistas da Ciência Aberta pareciam intrigados com o ritmo lento de mudanças no ambiente científico, uma vez que davam como certo que “a ciência quer ser aberta”.
A título de exemplo e, em defesa da Ciência Aberta, destaca-se a atitude da comunidade de cientistas e dos editores de revistas ao redor do mundo, quando foi solicitado pelas entidades de saúde, o compartilhamento de materiais de aporte  para a pesquisas, disponibilizando dados, publicações e outros recursos restritos por taxas que, sem embargos puderam ser usados para o melhor entendimento e o combate à emergência sanitária global, provocada pelo novo Coronavírus (Covid-19).
No esforço de lidar com o vírus e fornecer os tratamentos mais eficazes e, principalmente, encontrar uma vacina, esse movimento comprova o que os Evangelistas da Ciência Aberta defendem: que a pesquisa desenvolvida em acesso aberto, de forma colaborativa e transparente, facilita o compartilhamento e a divulgação dos processos e resultados, o que mostrou ser a forma mais eficiente de promover o avanço da ciência, a geração e disseminação de novo conhecimento (RODRIGUES, 2020).
A pandemia da Covid-19 pode ser considerada um marco para a Ciência Aberta.
Observando-se avanços reais no compartilhamento de dados científicos, barreiras caíram quando os principais grupos de publicação científica – como Elsevier, Springer Nature e Wiley – abriram acesso a milhares de artigos de pesquisa.
Isso permitiu que cientistas de todo o mundo os lessem, acompanhassem os avanços da pesquisa e, assim, acelerassem seu trabalho (BOUKACEM-ZEGHMOURI, 2021).
Além disso, a Covid-19 influenciou na aceitação de práticas de Ciência Aberta, originadas na década de 1990 pela área da física, como no caso da publicação rápida, também conhecida como preprint.
Esse tipo de publicação para algumas áreas do conhecimento era pouco recomendada e usada, devido a fatores de qualidade de publicação, mas que em meio a necessidade de sobrevivência da sociedade, essa questão foi pausada, para dar vazão às descobertas e troca de experiências de forma rápida.
Outras práticas foram persistentes nesse processo de desenvolvimento da comunicação científica aberta, como é o caso dos cadernos abertos de pesquisa, da avaliação aberta, bem como dar maior ênfase na colaboração entre países com a mesma finalidade, acelerar o acesso, revisar a qualidade, validar pesquisas, e com isso solucionar a crise sanitária, com cuidados preventivos, tratamentos, vacinas etc.
Esse é o exemplo real do que motiva um Evangelista da Ciência Aberta, a defesa do coletivo e do acesso ao conhecimento,  pois quando se deixa de lado as fronteiras, as diferenças, e quando o objetivo é o bem maior, é possível sim, fazer ciência sem barreiras, a Covid-19 mostrou que é viável e possível, porém,  o caminho é longo até que a ciência possa ser considerada aberta (BOUKACEM-ZEGHMOURI, 2021).
Por fim, os Evangelistas da Ciência Aberta podem ser entendidos como aqueles que apoiam, promovem, defendem, criticam, avaliam os processos e produtos de comunicação científica, desenvolvendo mudanças de atitude, de cultura na comunicação e no desenvolvimento da ciência,  ancorada em compromissos e perspectivas: éticas, filosóficas, científicas, sociais, políticas, econômicas, tecnológicas, amparando a inclusão de gênero e de regiões e países menos favorecidos, fazendo com que o conhecimento científico de todos os tipos de pesquisadores,  possam ser publicados e que o acesso seja igualmente global, a garantir pesquisas mais eficientes e acessíveis para a sociedade como um todo (SILVEIRA et al.
, 2021a; 2021b).

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