Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

Transgêneros: Entre o “não lugar” na sociedade e no sistema de saúde

View through CrossRef
Introdução: Segundo o antropólogo Marc Augé, o “não lugar” pode ser definido como um “lugar” de ausência de identidade, no qual o sujeito não tem autonomia para ser quem realmente é. Aplicando tal perspectiva às pessoas transgêneras, o “não lugar” torna-se nítido ao analisar a expectativa de vida da população trans que, no Brasil, é de apenas 35 anos. Tal fato deve-se à invisibilidade e à violência às quais essas pessoas são submetidas, o que, por sua vez, reflete-se também na esfera da saúde. Objetivo: Compreender como a transfobia se manifesta na prática clínica. Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica com base nas publicações científicas indexadas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), publicados entre 2016 a 2021. Utilizou-se como Descritores em Ciência e Saúde (DeCs) os seguintes vocábulos: Discriminação; Preconceito e Transgênero. Após essa etapa, selecionou-se “Preconceito” como tema principal, totalizando 27 resultados. Após a leitura dos artigos, aplicou-se a estratégia Pessoa, Fenômeno de Interesse, Contexto (PICo), a fim de definir o questionário norteador. Dessa forma, deu-se continuidade à produção textual. Resultado: Comprovou-se que as pessoas trans que não são identificadas pelos profissionais de saúde como tal, ou seja, que passam "despercebidas", sofrem menos violência em relação aquelas que têm a condição de transgênero reconhecida pela equipe de saúde. Nesse ínterim, faz-se verídico afirmar que o preconceito existente nas relações cotidianas destinadas a população transsexual também está presente nos centros médicos. Dentre as discriminações mais relatadas por tal público, de acordo com 23 estudos analisados, estão presentes a não utilização do nome social e o uso dos pronomes do sexo de nascimento, o que gera, por conseguinte, grande desconforto nos pacientes. Ademais, outro entrave relatado foi a associação imediata dos transexuais às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs). Dessa forma, 14 médicos, segundo as publicações selecionadas, requisitaram o teste de sorologia aos pacientes transsexuais, mesmo quando as queixas dos pacientes não eram correlatas a sintomatologia típica das ISTs. Ademais, muitos dos estudos avaliados apontaram que a incidência de transtornos mentais é maior na público transsexual do que nos cis-gêneros. Contudo, tais publicações ressaltaram que tal predominância não é oriunda do fato do indivíduo reconhecer-se como trans, e sim do fardo contínuo de lidar com o julgamento imposto pelo imperativo da hetero-cis-normatividade. Conclusão: Constatou-se que o preconceito na área da saúde para com as pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento se faz presente na realidade atual. Isso é evidenciado pelo tratamento diferente conferido a esses indivíduos quando a condição de transgênero é, ou não, reconhecida. Nesse viés, muitos profissionais, cuja função era de promover o cuidado integral à saúde, contribuem para o adoecer psíquico dos transgêneros, por não respeitarem o gênero e os pronomes reivindicados por eles. Assim, o “não lugar”, infelizmente, torna-se o destino vigente para o qual a sociedade compele as pessoas trans. PALAVRAS-CHAVE: Discriminação, Preconceito, Transgênero
Title: Transgêneros: Entre o “não lugar” na sociedade e no sistema de saúde
Description:
Introdução: Segundo o antropólogo Marc Augé, o “não lugar” pode ser definido como um “lugar” de ausência de identidade, no qual o sujeito não tem autonomia para ser quem realmente é.
Aplicando tal perspectiva às pessoas transgêneras, o “não lugar” torna-se nítido ao analisar a expectativa de vida da população trans que, no Brasil, é de apenas 35 anos.
Tal fato deve-se à invisibilidade e à violência às quais essas pessoas são submetidas, o que, por sua vez, reflete-se também na esfera da saúde.
Objetivo: Compreender como a transfobia se manifesta na prática clínica.
Metodologia: Realizou-se uma revisão bibliográfica com base nas publicações científicas indexadas na Biblioteca Virtual em Saúde (BVS), publicados entre 2016 a 2021.
Utilizou-se como Descritores em Ciência e Saúde (DeCs) os seguintes vocábulos: Discriminação; Preconceito e Transgênero.
Após essa etapa, selecionou-se “Preconceito” como tema principal, totalizando 27 resultados.
Após a leitura dos artigos, aplicou-se a estratégia Pessoa, Fenômeno de Interesse, Contexto (PICo), a fim de definir o questionário norteador.
Dessa forma, deu-se continuidade à produção textual.
Resultado: Comprovou-se que as pessoas trans que não são identificadas pelos profissionais de saúde como tal, ou seja, que passam "despercebidas", sofrem menos violência em relação aquelas que têm a condição de transgênero reconhecida pela equipe de saúde.
Nesse ínterim, faz-se verídico afirmar que o preconceito existente nas relações cotidianas destinadas a população transsexual também está presente nos centros médicos.
Dentre as discriminações mais relatadas por tal público, de acordo com 23 estudos analisados, estão presentes a não utilização do nome social e o uso dos pronomes do sexo de nascimento, o que gera, por conseguinte, grande desconforto nos pacientes.
Ademais, outro entrave relatado foi a associação imediata dos transexuais às Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs).
Dessa forma, 14 médicos, segundo as publicações selecionadas, requisitaram o teste de sorologia aos pacientes transsexuais, mesmo quando as queixas dos pacientes não eram correlatas a sintomatologia típica das ISTs.
Ademais, muitos dos estudos avaliados apontaram que a incidência de transtornos mentais é maior na público transsexual do que nos cis-gêneros.
Contudo, tais publicações ressaltaram que tal predominância não é oriunda do fato do indivíduo reconhecer-se como trans, e sim do fardo contínuo de lidar com o julgamento imposto pelo imperativo da hetero-cis-normatividade.
Conclusão: Constatou-se que o preconceito na área da saúde para com as pessoas que não se identificam com o gênero de nascimento se faz presente na realidade atual.
Isso é evidenciado pelo tratamento diferente conferido a esses indivíduos quando a condição de transgênero é, ou não, reconhecida.
Nesse viés, muitos profissionais, cuja função era de promover o cuidado integral à saúde, contribuem para o adoecer psíquico dos transgêneros, por não respeitarem o gênero e os pronomes reivindicados por eles.
Assim, o “não lugar”, infelizmente, torna-se o destino vigente para o qual a sociedade compele as pessoas trans.
PALAVRAS-CHAVE: Discriminação, Preconceito, Transgênero.

Related Results

PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS Danilo Hudson Vieira de Souza1 Priscilla Bárbara Campos Daniel dos Santos Fernandes RESUMO A gravidez ...
Internações no SUS por Condições Sensíveis à Atenção Primária no Paraná antes e durante a pandemia de COVID-19
Internações no SUS por Condições Sensíveis à Atenção Primária no Paraná antes e durante a pandemia de COVID-19
Estudo descritivo, que objetivou analisar internações hospitalares por condições sensíveis à APS no biênio pré-pandêmico (2018 - 2019) e no primeiro biênio da pandemia de Covid-19 ...
Contato pele a pele na primeira hora de vida do recém-nascido sob o olhar materno
Contato pele a pele na primeira hora de vida do recém-nascido sob o olhar materno
Identificar, por meio de relatos das puérperas, a experiência do contato pele a pele (mãe-filho) na primeira hora de vida do recém-nascido. Estudo descritivo, prospectivo de abord...
Capítulo 6 – HIV-AIDS, como tratar, o que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
Capítulo 6 – HIV-AIDS, como tratar, o que fazer e o que não fazer durante o tratamento?
A infecção pelo vírus do HIV pode ocorrer de diversas maneiras, tendo sua principal forma a via sexual por meio do sexo desprotegido. O vírus do HIV fica em um período de incubação...
Capítulo 4 – Ouvi uma palavra nova “IST`s” qual seu significado?
Capítulo 4 – Ouvi uma palavra nova “IST`s” qual seu significado?
3.1 O QUE É “IST”? Durante a adolescência, muitas mudanças acontecem: o corpo se transforma, surgem novas emoções, interesses e dúvidas especialmente sobre saúde. Uma dessas dúvid...
Representação da identidade brasileira através do desenho animado Irmão do Jorel
Representação da identidade brasileira através do desenho animado Irmão do Jorel
Neste trabalho busca-se analisar as representações da cultura brasileira no desenho animado “Irmão do Jorel”, escrito por Juliano Enrico. Este desenho animado foi estreado no ano d...
SILVA, Marta Regina Paulo da; MAFRA, Jason Ferreira (org.). Paulo Freire e a Educação das Crianças. São Paulo: BT Acadêmica, 2020
SILVA, Marta Regina Paulo da; MAFRA, Jason Ferreira (org.). Paulo Freire e a Educação das Crianças. São Paulo: BT Acadêmica, 2020
Paulo Freire é conhecido internacionalmente por sua dedicação e preocupação com a alfabetização de adultos, além, obviamente, de sua luta por uma educação libertadora, dialógica e ...
Projeto Sorrisos no Campo
Projeto Sorrisos no Campo
INTRODUÇÃO/JUSTIFICATIVA:  A extensão universitária tem um importante papel na formação profissional do cirurgião-dentista, colaborando para que o profissional atue de forma compet...

Back to Top