Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

Autoficção e memória em A gorda de Isabela Figueiredo

View through CrossRef
O presente trabalho tem por objetivo o estudo do romance A gorda de autoria da escritora moçambicana Isabela Figueiredo lançado primeiramente em 2016. Pensando o romance como a continuação de seu primeiro trabalho, a autobiografia Cadernos de memórias coloniais, propomos uma leitura autoficcional e memorialística do romance, uma vez que, através de dados biográficos da autora e através de entrevistas, é possível observar diversas semelhanças entre a protagonista do romance, Maria Luísa e sua criadora, Isabela Figueiredo: ambas são filhas de pais colonos portugueses, frequentaram o colégio interno, são professoras e jornalistas, além de compartilharem a semelhança física sendo ambas mulheres gordas. Desse modo, através da leitura proposta, foi possível observar que, através da Autobiografia, foi criada uma narrativa que revisita a história através da história individual, trazendo à luz temas que já foram silenciados como a colonização portuguesa na África, nesse caso específico, em Moçambique e as questões inerentes ao ser mulher. Dividido em três capítulos, esta dissertação mobiliza conhecimentos acerca da Pós-modernidade, da Autoficção, da memória e da história. Em um primeiro momento discutimos as possibilidades temáticas e formais abertas pelo pós-moderno e as mudanças ocorridas na literatura portuguesa desse período recorrendo, principalmente, a autores como Lyotard (2021), Santos (2013), Lourenço (2016), Hutcheon (1991), Bauman (1996) e Real (2012). Em seguida, no nosso segundo capítulo, abordamos o trajeto da escrita de si até chegarmos à Autoficção e suas especificidades. Para tal, recorremos, principalmente, a Bakhtin (2018), Lejeune (2014), Colonna (2014), Lecarme (2014), Gasparini (2014) e Booth (1978). Já em nosso terceiro capítulo, propomos a interseção entre Autoficção, memória e história, buscando entender como, através da organização formal do romance, a autora recupera as memórias de seu lar, tanto o moçambicano quanto o português, e revisita a história da colonização portuguesa em Moçambique através dos embates geracionais com o pai e questiona o lugar da mulher através dos embates ideológicos com a mãe. Para estas discussões recorremos a Said, Nora (1993), Kosaleck (2016), LeGoff, Bachelard (1978), Nietzsche (2007). PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea. Pós-modernidade. Autoficção. Memória. História.
Pro-Reitoria de Pesquisa e Pos-Graduacai - UFV
Title: Autoficção e memória em A gorda de Isabela Figueiredo
Description:
O presente trabalho tem por objetivo o estudo do romance A gorda de autoria da escritora moçambicana Isabela Figueiredo lançado primeiramente em 2016.
Pensando o romance como a continuação de seu primeiro trabalho, a autobiografia Cadernos de memórias coloniais, propomos uma leitura autoficcional e memorialística do romance, uma vez que, através de dados biográficos da autora e através de entrevistas, é possível observar diversas semelhanças entre a protagonista do romance, Maria Luísa e sua criadora, Isabela Figueiredo: ambas são filhas de pais colonos portugueses, frequentaram o colégio interno, são professoras e jornalistas, além de compartilharem a semelhança física sendo ambas mulheres gordas.
Desse modo, através da leitura proposta, foi possível observar que, através da Autobiografia, foi criada uma narrativa que revisita a história através da história individual, trazendo à luz temas que já foram silenciados como a colonização portuguesa na África, nesse caso específico, em Moçambique e as questões inerentes ao ser mulher.
Dividido em três capítulos, esta dissertação mobiliza conhecimentos acerca da Pós-modernidade, da Autoficção, da memória e da história.
Em um primeiro momento discutimos as possibilidades temáticas e formais abertas pelo pós-moderno e as mudanças ocorridas na literatura portuguesa desse período recorrendo, principalmente, a autores como Lyotard (2021), Santos (2013), Lourenço (2016), Hutcheon (1991), Bauman (1996) e Real (2012).
Em seguida, no nosso segundo capítulo, abordamos o trajeto da escrita de si até chegarmos à Autoficção e suas especificidades.
Para tal, recorremos, principalmente, a Bakhtin (2018), Lejeune (2014), Colonna (2014), Lecarme (2014), Gasparini (2014) e Booth (1978).
Já em nosso terceiro capítulo, propomos a interseção entre Autoficção, memória e história, buscando entender como, através da organização formal do romance, a autora recupera as memórias de seu lar, tanto o moçambicano quanto o português, e revisita a história da colonização portuguesa em Moçambique através dos embates geracionais com o pai e questiona o lugar da mulher através dos embates ideológicos com a mãe.
Para estas discussões recorremos a Said, Nora (1993), Kosaleck (2016), LeGoff, Bachelard (1978), Nietzsche (2007).
PALAVRAS-CHAVE: Literatura contemporânea.
Pós-modernidade.
Autoficção.
Memória.
História.

Related Results

Isabela Figueiredo: revolucionária ou reacionária?
Isabela Figueiredo: revolucionária ou reacionária?
Este artigo propõe uma análise crítica da obra de Isabela Figueiredo, investigando sua recusa às classificações dicotômicas de revolucionária ou reacionária. A partir de seus roman...
AUTOFICÇÃO DA INFÂNCIA NA OBRA DE MARIA TERESA HORTA
AUTOFICÇÃO DA INFÂNCIA NA OBRA DE MARIA TERESA HORTA
Maria Teresa Horta (1937) viveu durante um breve período da infância (1941-1942) na ilha do Faial (Açores), onde o seu pai foi médico do exército. Lembranças desse período se fazem...
Autopercepção de queixas de memória e de qualidade do sono em universitários
Autopercepção de queixas de memória e de qualidade do sono em universitários
Introdução. Para um bom funcionamento dos processos de memória é indispensável que o indivíduo tenha uma boa qualidade de sono. Com isso, uma má qualidade de sono pode impactar na ...
A experiência do Centro de Memória do Esporte da UFRGS na produção, guarda e divulgação de acervos esportivos
A experiência do Centro de Memória do Esporte da UFRGS na produção, guarda e divulgação de acervos esportivos
Este texto tem como objetivo descrever a experiência do Centro de Memória do Esporte, da Escola de Educação Física da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), no que tang...
Davanti all'aurora: il delirio tra nostalgia e memoria
Davanti all'aurora: il delirio tra nostalgia e memoria
In questo lavoro la relazione tra memoria e delirio viene declinata in due momenti distinti: la memoria del delirio e la memoria delirante. Il piacere legato all'atto di conferimen...
Vestígios da memória e regressos em Isabela Figueiredo e Dulce Maria Cardoso
Vestígios da memória e regressos em Isabela Figueiredo e Dulce Maria Cardoso
A partir de uma análise do Caderno de memórias coloniais (2009), de Isabela Figueiredo, e de O retorno (2012), de Dulce Maria Cardoso, propõe-se uma leitura reflexiva, pelo viés da...
Uplift, Emergence, and Subsidence of the Gorda Escarpment Basement Ridge Offshore Cape Mendocino, CA
Uplift, Emergence, and Subsidence of the Gorda Escarpment Basement Ridge Offshore Cape Mendocino, CA
AbstractThe Gorda Escarpment is a topographic step that characterizes the south side of the Mendocino Transform Fault east of 126oW and forms the northern edge of the Vizcaino Bloc...
Breves relatos de uma bailarina gorda
Breves relatos de uma bailarina gorda
Este texto apresenta uma coleção de fragmentos a respeito do fazer artístico-acadêmico da bailarina gorda Jussara Belchior. A escrita trata de questões que discutem e intersecciona...

Back to Top