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Crise Orgânica do Capital e a relevância estratégica da América Latina

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O presente trabalho é parte de um projeto de pesquisa coletivo, que ainda está em andamento, e busca compreender a atual conjuntura mundial para identificar o papel que a América Latina pode desempenhar na mesma, considerando suas características historicamente determinadas e as principais tendências a reger este seu movimento histórico na atualidade, conectadas a esta compreensão mais ampla do movimento da geopolítica mundial, no momento de plena manifestação e acirramento da Crise Orgânica do Capital. Vivemos hoje claramente uma transformação na geopolítica mundial. A denominada Ordem Unipolar já dá sinais evidentes de desmonoramento, com outros atores protagonistas no questionamento e na ruptura de fato da hegemonia dos Estados Unidos da América (EUA). Esta transformação é movida, em sua essência, pela contradição essencial ao interior do modo de produção capitalista, cuja dinâmica é explicada pela tese da Crise Orgânica do Capital . Esta, por sua vez, expressa-se também como Crise Climática ou Crise Ambiental, contradição que pôe em risco a própria existência da espécie humana no planeta. Nesta perspectiva, em que se evidenciam as interdeterminações causais entre o fim da ordem unipolar hegemonizada pelos EUA e a Crise Ambiental que paira como Espada de Dâmocles sobre a humanidade, é necessário pensar a América Latina em seu duplo status como importante base de sustentação à hegemonia estadunidense e palcos de lutas e vitórias rumo ao socialismo; bem como maior reserva de biodiversidade no planeta, de recursos naturais estratégicos à transição energética e ao capitalismo verde, e de recursos humanos dotados de conhecimento histórico para exploração, preservação e manutenção destas reservas, cujos países são economias de média e até baixa composição orgânica de capital, o que ainda permite desenvolvimento e aplicação de muita ciência e tecnologia na produção, com retornos acima da média dos países centrais do capitalismo. O presente trabalho parte da hipótese de que a atual conjuntura de Crise Orgânica do Capital e de ruptura da ordem unipolar hegemonizada pelos Estados Unidos conduz a América Latina a uma posição estratégica na geopolítica mundial, reunindo condições historicamente únicas que nos permitem resgatar a proposta de nossos próceres de uma federação de repúblicas soberanas e unidas, plurinacionais e multiétnicas, cuja gestão é compartilhada com base no interesse comum e no respeito mútuo. A incapacidade da OTAN se sobrepor à Rússia na Guerra da Ucrânia – apesar de investimentos recordes dos países do Atlântico Norte para armamento bélico, inteligência e campanhas midiáticas – significa que a Rússia rompeu com o poderio militar da OTAN hegemonizado pelos EUA. A China converteu-se este ano na primeira economia mundial em termos absolutos, e continua sendo um dos países que mais cresce economicamente, anunciando a ruptura econômica da hegemonia estadunidense. As duas potências trazem para o teatro mundial uma proposta de hegemonia compartilhada, sob uma nova ordem multipolar e multilateral, que tem nos BRICS seu protagonista. Neste processo de transição na hegemonia mundial, abre-se à América Latina a possibilidade de forjar sua unidade em torno da maior reserva de biodiversidade do mundo, transformando este recurso natural em arma geopolítica como fez a OPEP nas décads de 1960 e 70. Para os povos do continente apresenta-se a oportunidade de dar um salto de qualidade em seu duplo status, deixando de ser mera base de sustentação para um modo de produção decadente para atuar como protagonista na transição a uma nova ordem mundial multipolar, de hegemonia compartilhada, e contribuir para a garantia da nossa sobrevivência perante a Crise Ambiental que ameaça a espécie humana, e para a transição a um futuro melhor.
Title: Crise Orgânica do Capital e a relevância estratégica da América Latina
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O presente trabalho é parte de um projeto de pesquisa coletivo, que ainda está em andamento, e busca compreender a atual conjuntura mundial para identificar o papel que a América Latina pode desempenhar na mesma, considerando suas características historicamente determinadas e as principais tendências a reger este seu movimento histórico na atualidade, conectadas a esta compreensão mais ampla do movimento da geopolítica mundial, no momento de plena manifestação e acirramento da Crise Orgânica do Capital.
Vivemos hoje claramente uma transformação na geopolítica mundial.
A denominada Ordem Unipolar já dá sinais evidentes de desmonoramento, com outros atores protagonistas no questionamento e na ruptura de fato da hegemonia dos Estados Unidos da América (EUA).
Esta transformação é movida, em sua essência, pela contradição essencial ao interior do modo de produção capitalista, cuja dinâmica é explicada pela tese da Crise Orgânica do Capital .
Esta, por sua vez, expressa-se também como Crise Climática ou Crise Ambiental, contradição que pôe em risco a própria existência da espécie humana no planeta.
Nesta perspectiva, em que se evidenciam as interdeterminações causais entre o fim da ordem unipolar hegemonizada pelos EUA e a Crise Ambiental que paira como Espada de Dâmocles sobre a humanidade, é necessário pensar a América Latina em seu duplo status como importante base de sustentação à hegemonia estadunidense e palcos de lutas e vitórias rumo ao socialismo; bem como maior reserva de biodiversidade no planeta, de recursos naturais estratégicos à transição energética e ao capitalismo verde, e de recursos humanos dotados de conhecimento histórico para exploração, preservação e manutenção destas reservas, cujos países são economias de média e até baixa composição orgânica de capital, o que ainda permite desenvolvimento e aplicação de muita ciência e tecnologia na produção, com retornos acima da média dos países centrais do capitalismo.
O presente trabalho parte da hipótese de que a atual conjuntura de Crise Orgânica do Capital e de ruptura da ordem unipolar hegemonizada pelos Estados Unidos conduz a América Latina a uma posição estratégica na geopolítica mundial, reunindo condições historicamente únicas que nos permitem resgatar a proposta de nossos próceres de uma federação de repúblicas soberanas e unidas, plurinacionais e multiétnicas, cuja gestão é compartilhada com base no interesse comum e no respeito mútuo.
A incapacidade da OTAN se sobrepor à Rússia na Guerra da Ucrânia – apesar de investimentos recordes dos países do Atlântico Norte para armamento bélico, inteligência e campanhas midiáticas – significa que a Rússia rompeu com o poderio militar da OTAN hegemonizado pelos EUA.
A China converteu-se este ano na primeira economia mundial em termos absolutos, e continua sendo um dos países que mais cresce economicamente, anunciando a ruptura econômica da hegemonia estadunidense.
As duas potências trazem para o teatro mundial uma proposta de hegemonia compartilhada, sob uma nova ordem multipolar e multilateral, que tem nos BRICS seu protagonista.
Neste processo de transição na hegemonia mundial, abre-se à América Latina a possibilidade de forjar sua unidade em torno da maior reserva de biodiversidade do mundo, transformando este recurso natural em arma geopolítica como fez a OPEP nas décads de 1960 e 70.
Para os povos do continente apresenta-se a oportunidade de dar um salto de qualidade em seu duplo status, deixando de ser mera base de sustentação para um modo de produção decadente para atuar como protagonista na transição a uma nova ordem mundial multipolar, de hegemonia compartilhada, e contribuir para a garantia da nossa sobrevivência perante a Crise Ambiental que ameaça a espécie humana, e para a transição a um futuro melhor.

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