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HANS JONAS E O FIM DA TEODICEIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE DEUS DEPOIS DE AUSCHWITZ

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O presente ensaio mostra como, a partir de dois eixos de argumentação, um, lógico-ontológico, e o outro, teológico, Hans Jonas, filósofo judeu-alemão, constrói um conceito de Deus que em seu cerne representa conseqüentemente uma base para a expurgação – isto é, o fim – de toda teodiceia. Como se sabe, a teodiceia sempre lançou mão de duas respostas fundamentais: a lógica da culpabilidade e a do sacrifício. Estas foram sempre respostas ao problema do mal. Mas o evento de Auschwitz romperia em definitivo com tais soluções. Não há motivos para tamanho mal, pois aí não há culpabilidade, nem mártires; trata-se de um acontecimento de magnitude única e incompreensível. Face ao horror de Auschwitz , Jonas reflete sobre um mito que ele próprio elaborara inicialmente como resposta à questão da imortalidade, mas que mais tarde ele utilizará para pensar a questão abissal da teodiceia. O que Jonas extrai de seu mito, nesta nova direção, é a ideia de um Deus em vir-a-ser, sofredor, e preocupado. Do “Fundamento do ser, ou o Divino” assim pensado já não se pode dizer que seja onipotente, e uma tal imagem oferece a resposta à questão da teodiceia: de um Deus impotente não se pode mais dizer que é responsável. O resultado não pode ser outro senão o non-sense de qualquer intento de condenação do Divino pela realidade do mal.
Faculdade Jesuita de Filosofia e Teologia – FAJE
Title: HANS JONAS E O FIM DA TEODICEIA: CONSIDERAÇÕES SOBRE O CONCEITO DE DEUS DEPOIS DE AUSCHWITZ
Description:
O presente ensaio mostra como, a partir de dois eixos de argumentação, um, lógico-ontológico, e o outro, teológico, Hans Jonas, filósofo judeu-alemão, constrói um conceito de Deus que em seu cerne representa conseqüentemente uma base para a expurgação – isto é, o fim – de toda teodiceia.
Como se sabe, a teodiceia sempre lançou mão de duas respostas fundamentais: a lógica da culpabilidade e a do sacrifício.
Estas foram sempre respostas ao problema do mal.
Mas o evento de Auschwitz romperia em definitivo com tais soluções.
Não há motivos para tamanho mal, pois aí não há culpabilidade, nem mártires; trata-se de um acontecimento de magnitude única e incompreensível.
Face ao horror de Auschwitz , Jonas reflete sobre um mito que ele próprio elaborara inicialmente como resposta à questão da imortalidade, mas que mais tarde ele utilizará para pensar a questão abissal da teodiceia.
O que Jonas extrai de seu mito, nesta nova direção, é a ideia de um Deus em vir-a-ser, sofredor, e preocupado.
Do “Fundamento do ser, ou o Divino” assim pensado já não se pode dizer que seja onipotente, e uma tal imagem oferece a resposta à questão da teodiceia: de um Deus impotente não se pode mais dizer que é responsável.
O resultado não pode ser outro senão o non-sense de qualquer intento de condenação do Divino pela realidade do mal.

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