Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

Tumor Estromal (GIST) de Antro Gástrico

View through CrossRef
Introdução: Os tumores estromais constituem as neoplasias mesenquimais mais comuns do tubo digestivo. Originam-se primariamente das células intersticiais de Cajal, localizadas na camada muscular própria e ao redor do plexo mioentérico de todo o trato gastrointestinal, responsáveis pelas contrações peristálticas. Localizam-se com maior frequência no estômago (60%), sendo mais comum na porção proximal. Objetivos: Este relato de caso descreve um GIST de antro gástrico. Relato de Experiência: Mulher, 60 anos, branca, diabética e hipertensa, foi admitida com queixa de epigastralgia e dor lombar. Internada para investigação diagnóstica, a ultrassonografia abdominal demonstrou massa heterogênea arredondada que se relaciona com o corpo pancreático, medindo 89x74x68 mm e volume total de 240 cm3. A tomografia computadorizada de abdome demonstrou massa de baixa densidade, contorno regular, com origem na parede gástrica, medindo 8,4 cm. No ato operatório, foi encontrada massa tumoral lisa e circunscrita em parede gástrica, comprometendo a pequena curvatura e a incisura angular. Realizou-se antrectomia, com confecção de Y de Roux com anastomose gastro-jejunal término-lateral. A evolução pós-operatória foi satisfatória. O exame histopatológico demonstrou neoplasia de células fusiformes. A análise imunohistoquímica revelou CD117 (Kit) e CD34 difusamente positivos, que associada aos aspectos histológicos concluiu tratar-se de tumor estromal gastrointestinal. Resultados: Os tumores estromais expressam a proteína Kit (CD117), um receptor transmembrana responsável por várias funções celulares. No GIST, a mutação no gene Kit leva a uma ativação constitutiva, causando um estímulo sem oposição para proliferação celular. Os GISTs que não apresentavam esta mutação, apresentam mutações em um gene homólogo: PDGFRα. Estas mutações, presentes em 85% a 90% dos GISTs, resultam em oncoproteínas que são utilizadas no diagnóstico e como alvo terapêutico. A maioria dos GISTs também é positiva para o CD34. Não há sistema atual de estadiamento para GIST, mas fatores como alta frequência mitótica, atipia celular, necrose ou invasão local, e tamanho do tumor acima de 5cm representam alto grau de malignidade. O tratamento do GIST não metastático consiste na ressecção marginal do estômago (com margens de 1 a 2 cm) checadas por congelação. Não há benefício da ressecção alargada de tecidos não envolvidos. A metástase linfática é rara, por isso dispensa linfadenectomia. A conduta padrão após a ressecção completa é a observação. Muitos pacientes apresentam recidiva apesar da ressecção cirúrgica completa do tumor primário. De acordo com a literatura, somente 10% dos pacientes estão livres de doença após 10 anos de acompanhamento. Conclusão: Os GISTs são raras neoplasias mesenquimatosas do trato gastrointestinal, com uma incidência anual de 11 a 15 casos por milhão nos estudos baseados na população caucasiana. São tumores CD 117 (kit) positivos (90%), produzidos por mutação genética. O diagnóstico baseia-se na morfologia e no perfil imunohistoquímico. A ressecção cirúrgica é o tratamento principal, e a linfadenectomia não deve ser realizada por rotina, já que as metástases para os gânglios linfáticos são raras. Quanto à terapia adjuvante, faltam estudos que demonstrem o benefício da mesma.
Title: Tumor Estromal (GIST) de Antro Gástrico
Description:
Introdução: Os tumores estromais constituem as neoplasias mesenquimais mais comuns do tubo digestivo.
Originam-se primariamente das células intersticiais de Cajal, localizadas na camada muscular própria e ao redor do plexo mioentérico de todo o trato gastrointestinal, responsáveis pelas contrações peristálticas.
Localizam-se com maior frequência no estômago (60%), sendo mais comum na porção proximal.
Objetivos: Este relato de caso descreve um GIST de antro gástrico.
Relato de Experiência: Mulher, 60 anos, branca, diabética e hipertensa, foi admitida com queixa de epigastralgia e dor lombar.
Internada para investigação diagnóstica, a ultrassonografia abdominal demonstrou massa heterogênea arredondada que se relaciona com o corpo pancreático, medindo 89x74x68 mm e volume total de 240 cm3.
A tomografia computadorizada de abdome demonstrou massa de baixa densidade, contorno regular, com origem na parede gástrica, medindo 8,4 cm.
No ato operatório, foi encontrada massa tumoral lisa e circunscrita em parede gástrica, comprometendo a pequena curvatura e a incisura angular.
Realizou-se antrectomia, com confecção de Y de Roux com anastomose gastro-jejunal término-lateral.
A evolução pós-operatória foi satisfatória.
O exame histopatológico demonstrou neoplasia de células fusiformes.
A análise imunohistoquímica revelou CD117 (Kit) e CD34 difusamente positivos, que associada aos aspectos histológicos concluiu tratar-se de tumor estromal gastrointestinal.
Resultados: Os tumores estromais expressam a proteína Kit (CD117), um receptor transmembrana responsável por várias funções celulares.
No GIST, a mutação no gene Kit leva a uma ativação constitutiva, causando um estímulo sem oposição para proliferação celular.
Os GISTs que não apresentavam esta mutação, apresentam mutações em um gene homólogo: PDGFRα.
Estas mutações, presentes em 85% a 90% dos GISTs, resultam em oncoproteínas que são utilizadas no diagnóstico e como alvo terapêutico.
A maioria dos GISTs também é positiva para o CD34.
Não há sistema atual de estadiamento para GIST, mas fatores como alta frequência mitótica, atipia celular, necrose ou invasão local, e tamanho do tumor acima de 5cm representam alto grau de malignidade.
O tratamento do GIST não metastático consiste na ressecção marginal do estômago (com margens de 1 a 2 cm) checadas por congelação.
Não há benefício da ressecção alargada de tecidos não envolvidos.
A metástase linfática é rara, por isso dispensa linfadenectomia.
A conduta padrão após a ressecção completa é a observação.
Muitos pacientes apresentam recidiva apesar da ressecção cirúrgica completa do tumor primário.
De acordo com a literatura, somente 10% dos pacientes estão livres de doença após 10 anos de acompanhamento.
Conclusão: Os GISTs são raras neoplasias mesenquimatosas do trato gastrointestinal, com uma incidência anual de 11 a 15 casos por milhão nos estudos baseados na população caucasiana.
São tumores CD 117 (kit) positivos (90%), produzidos por mutação genética.
O diagnóstico baseia-se na morfologia e no perfil imunohistoquímico.
A ressecção cirúrgica é o tratamento principal, e a linfadenectomia não deve ser realizada por rotina, já que as metástases para os gânglios linfáticos são raras.
Quanto à terapia adjuvante, faltam estudos que demonstrem o benefício da mesma.

Related Results

CANCER GASTRICO CORRELACIONADO AO H. PYLORI
CANCER GASTRICO CORRELACIONADO AO H. PYLORI
O câncer é a segunda maior causa de morte no mundo e, entre seus muitos tipos, está o câncer gástrico, que, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), é a terceira maior neopla...
UTILIZAÇÃO DA ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA LEITO PARA AVALIAÇÃO DO CONTEÚDO GÁSTRICO: REVISÃO DA LITERATURA
UTILIZAÇÃO DA ULTRASSONOGRAFIA À BEIRA LEITO PARA AVALIAÇÃO DO CONTEÚDO GÁSTRICO: REVISÃO DA LITERATURA
Introdução: A aspiração perioperatória do conteúdo gástrico é uma complicação grave da anestesia e está associada à alta morbimortalidade, podendo resultar em pneumonia grave que r...
INOVAÇÕES NO TRATAMENTO CIRÚRGICO DO CÂNCER GÁSTRICO: PERSPECTIVAS E DESAFIOS
INOVAÇÕES NO TRATAMENTO CIRÚRGICO DO CÂNCER GÁSTRICO: PERSPECTIVAS E DESAFIOS
Introdução: O câncer gástrico é uma das principais causas de morbimortalidade em todo o mundo. Embora as abordagens terapêuticas tenham evoluído ao longo das últimas décadas, a cir...
Abstract 1577: Contributions of KIT and ABL to the therapeutic responses of GIST and CML cells to imatinib mesylate
Abstract 1577: Contributions of KIT and ABL to the therapeutic responses of GIST and CML cells to imatinib mesylate
Abstract Most GISTs are caused by activating mutations of the KIT receptor tyrosine kinase and can effectively be treated with the small molecule kinase inhibitor im...
Coexistence of gastrointestinal stromal tumor (GIST) and colorectal adenocarcinoma: A case report
Coexistence of gastrointestinal stromal tumor (GIST) and colorectal adenocarcinoma: A case report
Abstract Background Gastrointestinal stromal tumors (GIST) represent the most common mesenchymal tumors of the digestive tract. Over the last ten...
Prognostic significance of serum CA125 in the overall management for patients with gastrointestinal stromal tumors
Prognostic significance of serum CA125 in the overall management for patients with gastrointestinal stromal tumors
AbstractBackgroundCarbohydrate antigen 125 (CA125) is elevated as a tumor marker in many carcinomas, but its association with gastrointestinal stromal tumor (GIST) has received les...
Renal Ewing Sarcoma: A Case Report and Literature Review
Renal Ewing Sarcoma: A Case Report and Literature Review
Abstract Introduction Primary renal Ewing sarcoma is an extremely rare and aggressive tumor, representing less than 1% of all renal tumors. This case report contributes valuable in...

Back to Top