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Trajetos literários em perspectiva: entre a épica camoniana e a reescrita contemporânea na obra Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares
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A presente tese realiza uma análise da obra Uma Viagem à Índia (2010), do escritor português Gonçalo M. Tavares, sob o prisma da intertextualidade e da temática da viagem. O livro resulta das estratégias do autor em revisitar a tradição literária e o cânone, promovendo um jogo intertextual com Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões . É evidenciado que, em Uma Viagem à Índia, a viagem se multiplica e se desdobra a partir daquela que teve origem na célebre "Ocidental praia Lusitana", mencionada no poema épico de Camões . A análise aponta que o uso da forma épica também desempenha um papel essencial na construção da história do personagem Bloom que, por si, já traduz o diálogo com a tradição, e que parte de Lisboa rumo à Índia, impulsionado pelo desejo de esquecimento e sabedoria. Deste modo, a tese destaca que a obra se constitui em uma tríplice viagem: primeiramente, uma viagem intertextual por meio da própria literatura, especialmente com a rede intertextual com Camões , que estabelece uma tensão parricida entre romper com a tradição e, simultaneamente, reverenciá-la; em segundo lugar, uma viagem física realizada por Bloom, seguindo uma rota distinta daquela traçada em Os Lusíadas, ao passo em que reflete sobre a história narrada por Camões , e por extensão a de Portugal; em terceiro lugar, uma viagem interior ou psicológica, que representa a Melancolia contemporânea (um itinerário), refletindo os sentimentos do protagonista, que já parte acometido por tal estado da alma. Nessa análise, é observado que a viagem de Bloom se afasta daquela feita em Os Lusíadas e aponta para uma espécie de antibildungsroman, visto que, ao final da viagem, ele não se harmoniza com o mundo, pois Bloom não floresce. Dessa forma, este estudo assinala que, ao lermos o turista (Bloom) pela perspectiva do herói, conforme as conjeturas de jornada do herói de Campbell ([1949], 1995), o texto de literatura de viagem nem sempre se alinha a esse ideário, culminando no desfecho da narrativa com a suspensão ou negação do ritual de transformação.
Title: Trajetos literários em perspectiva: entre a épica camoniana e a reescrita contemporânea na obra Uma Viagem à Índia, de Gonçalo M. Tavares
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A presente tese realiza uma análise da obra Uma Viagem à Índia (2010), do escritor português Gonçalo M.
Tavares, sob o prisma da intertextualidade e da temática da viagem.
O livro resulta das estratégias do autor em revisitar a tradição literária e o cânone, promovendo um jogo intertextual com Os Lusíadas (1572), de Luís de Camões .
É evidenciado que, em Uma Viagem à Índia, a viagem se multiplica e se desdobra a partir daquela que teve origem na célebre "Ocidental praia Lusitana", mencionada no poema épico de Camões .
A análise aponta que o uso da forma épica também desempenha um papel essencial na construção da história do personagem Bloom que, por si, já traduz o diálogo com a tradição, e que parte de Lisboa rumo à Índia, impulsionado pelo desejo de esquecimento e sabedoria.
Deste modo, a tese destaca que a obra se constitui em uma tríplice viagem: primeiramente, uma viagem intertextual por meio da própria literatura, especialmente com a rede intertextual com Camões , que estabelece uma tensão parricida entre romper com a tradição e, simultaneamente, reverenciá-la; em segundo lugar, uma viagem física realizada por Bloom, seguindo uma rota distinta daquela traçada em Os Lusíadas, ao passo em que reflete sobre a história narrada por Camões , e por extensão a de Portugal; em terceiro lugar, uma viagem interior ou psicológica, que representa a Melancolia contemporânea (um itinerário), refletindo os sentimentos do protagonista, que já parte acometido por tal estado da alma.
Nessa análise, é observado que a viagem de Bloom se afasta daquela feita em Os Lusíadas e aponta para uma espécie de antibildungsroman, visto que, ao final da viagem, ele não se harmoniza com o mundo, pois Bloom não floresce.
Dessa forma, este estudo assinala que, ao lermos o turista (Bloom) pela perspectiva do herói, conforme as conjeturas de jornada do herói de Campbell ([1949], 1995), o texto de literatura de viagem nem sempre se alinha a esse ideário, culminando no desfecho da narrativa com a suspensão ou negação do ritual de transformação.
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