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Águas no Semiárido Brasileiro: do açude à transposição.

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O presente trabalho avalia a trajetória das políticas públicas de segurança hídrica implantadas no Semiárido tendo como foco a construção de açudes, sua eficácia e ineficiências, considerando que a açudagem ocupou a centralidade na política de combate à seca visando à acumulação de grandes volumes de água para resolver a problemática causada pelo o déficit hídrico na região Semiárida. Avaliou-se também como a Transposição do São Francisco dialoga com a açudagem no processo de reprodução da política de combate à seca uma vez que a mesma historicamente esteve cooptada pelas oligarquias políticas. Buscou-se também pela óptica dos ribeirinhos identificar os impactos socioambientais causados em comunidades tradicionais pela obra de transposição do São Francisco. A metodologia foi dividida em do momentos: A Revisão Bibliográfica sobre a temática e um estudo de percepção com os ribeirinhos. Para tanto fez-se o uso de questionários semi-estruturados. Participaram das entrevistas 30 moradores da Vila Produtiva Rural Lafayete e 14 da comunidade tradicional Pau D’arco, ambas localizadas no município de Monteiro-Paraíba. Percebeu-se que a política de combate à seca se apresenta de maneira fracassada pelo fato de que, após mais de um século de sua implantação pouco avançou na oferta hídrica para as famílias do Semiárido, tendo em vista que a mesma priorizou a concentração de água em grandes obras, o que inviabilizou o acesso descentralizado da água pelas famílias. Alimentando essa lógica, a transposição do São Francisco também tem impossibilitado o acesso à água para as famílias que se encontram às margens do canal da transposição, para além de deixar um rastro de impactos sociais na medida em que promovem o reordenamento social das famílias e comprometem os sistemas agrícolas e fontes de água antes existentes, como também impactos ambientais que levam ao assoreamento do rio Paraíba, próximo a sua nascente, tudo isso aliado ao fato de não oferecer uma segurança hídrica para as comunidades que foram diretamente impactadas. Em conclusão, percebe-se que é preciso adotar uma política de convivência com o Semiárido construída ao longo dos anos pelas famílias camponesas que aprenderam a conviver com o clima, que prezam pela sustentabilidade, preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, ao tempo que defendem a permanência nos seus territórios, aliado ao uso e gestão dos recursos hídricos, bem como com os princípios da Agroecologia.
Universidade Federal de Campina Grande - CDSA
Title: Águas no Semiárido Brasileiro: do açude à transposição.
Description:
O presente trabalho avalia a trajetória das políticas públicas de segurança hídrica implantadas no Semiárido tendo como foco a construção de açudes, sua eficácia e ineficiências, considerando que a açudagem ocupou a centralidade na política de combate à seca visando à acumulação de grandes volumes de água para resolver a problemática causada pelo o déficit hídrico na região Semiárida.
Avaliou-se também como a Transposição do São Francisco dialoga com a açudagem no processo de reprodução da política de combate à seca uma vez que a mesma historicamente esteve cooptada pelas oligarquias políticas.
Buscou-se também pela óptica dos ribeirinhos identificar os impactos socioambientais causados em comunidades tradicionais pela obra de transposição do São Francisco.
A metodologia foi dividida em do momentos: A Revisão Bibliográfica sobre a temática e um estudo de percepção com os ribeirinhos.
Para tanto fez-se o uso de questionários semi-estruturados.
Participaram das entrevistas 30 moradores da Vila Produtiva Rural Lafayete e 14 da comunidade tradicional Pau D’arco, ambas localizadas no município de Monteiro-Paraíba.
Percebeu-se que a política de combate à seca se apresenta de maneira fracassada pelo fato de que, após mais de um século de sua implantação pouco avançou na oferta hídrica para as famílias do Semiárido, tendo em vista que a mesma priorizou a concentração de água em grandes obras, o que inviabilizou o acesso descentralizado da água pelas famílias.
Alimentando essa lógica, a transposição do São Francisco também tem impossibilitado o acesso à água para as famílias que se encontram às margens do canal da transposição, para além de deixar um rastro de impactos sociais na medida em que promovem o reordenamento social das famílias e comprometem os sistemas agrícolas e fontes de água antes existentes, como também impactos ambientais que levam ao assoreamento do rio Paraíba, próximo a sua nascente, tudo isso aliado ao fato de não oferecer uma segurança hídrica para as comunidades que foram diretamente impactadas.
Em conclusão, percebe-se que é preciso adotar uma política de convivência com o Semiárido construída ao longo dos anos pelas famílias camponesas que aprenderam a conviver com o clima, que prezam pela sustentabilidade, preservação do meio ambiente e dos recursos naturais, ao tempo que defendem a permanência nos seus territórios, aliado ao uso e gestão dos recursos hídricos, bem como com os princípios da Agroecologia.

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