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Análise do perfil de resistência bacteriana em uroculturas: estudo realizado no município de Feira de Santana-Ba

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As infecções do trato urinário (ITUs) são comuns na prática clínica e representam um desafio crescente diante da resistência bacteriana aos antimicrobianos. Este estudo teve como objetivo analisar o perfil etiológico e de resistência bacteriana em uroculturas realizadas em um laboratório de análises clínicas em Feira de Santana, Bahia, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022. Foram incluídas 888 amostras positivas, das quais 87,3% eram de mulheres, predominando a faixa etária de 20 a 59 anos (58,1%). Escherichia coli foi o principal agente isolado (56,4%), seguida por Enterococcus sp (13,4%) e Klebsiella pneumoniae (11,3%). No total, 8.007 testes de sensibilidade a antimicrobianos (TSA) foram analisados, com prevalência global de resistência de 26,7%. A ampicilina apresentou a maior taxa de resistência (85,1%), especialmente em Staphylococcus saprophyticus (90,3%), indicando possível disseminação de plasmídeos. Sulfametoxazol-trimetoprima (32,5%) e fluoroquinolonas como ciprofloxacino (23,5%) também apresentaram taxas elevadas, comprometendo o uso empírico seguro desses fármacos. Por outro lado, a nitrofurantoína mostrou resistência moderada (18,7%), mantendo-se como opção viável para ITUs não complicadas. A análise dos dados revelou a importância do conhecimento do perfil local de resistência para orientar a prescrição racional e prevenir falhas terapêuticas. Embora o estudo tenha limitações, como a ausência de distinção entre infecções comunitárias e hospitalares, seus achados reforçam a urgência de medidas de vigilância epidemiológica, uso criterioso de antimicrobianos e atualização contínua das diretrizes terapêuticas. A resistência bacteriana, evidenciada neste contexto, demanda esforços coordenados entre gestores, profissionais de saúde e sociedade para conter sua progressão e preservar a eficácia terapêutica atual. Referências 1. Lopes HV, Tavares W. Diagnóstico das infecções do trato urinário. Rev Assoc MedBras. 2005;51(6):306-8. doi:10.1590/S0104-423020050006000082. Silva JMP, Vasconcelos MMA, Dias CS, et al. Current aspects in the diagnosis andapproach to urinary tract infection. RMMG. 2014;24. doi:10.5935/2238-3182.201400353. Silveira SA, Araújo MC, Fonseca FM, et al. Prevalência e suscetibilidade bacterianaem infecções do trato urinário. Rev Bras Anal Clin. 2010;42(3):157-60.4. Flores-Mireles AL, Hreha TN, Hunstad DA. Pathophysiology, Treatment, andPrevention of Catheter-Associated Urinary Tract Infection. Top Spinal Cord InjRehabil. 2019;25(3):228-40. doi:10.1310/sci2503-2285. Foxman B. The epidemiology of urinary tract infection. Nat Rev Urol.2010;7(12):653-60. doi:10.1038/nrurol.2010.1906. Andreu A, Alós JI, Gobernado M, et al. Etiology and antimicrobial susceptibilityamong uropathogens. Enferm Infecc Microbiol Clin. 2005;23(1):4-9.doi:10.1157/130704017. Araújo AK, Queiroz AC. Análise do perfil dos agentes causadores de ITU. J HealthSci Inst. 2012;30(1):7-12.8. Ciccarese F, Brandi N, Corcioni B, et al. Complicated pyelonephritis associated withchronic renal stone disease. Radiol Med. 2021;126(4):505-16. doi:10.1007/s11547-020-01315-79. Klein RD, Hultgren SJ. Urinary tract infections: microbial pathogenesis. Nat RevMicrobiol. 2020;18(4):211-26. doi:10.1038/s41579-020-0324-010. Clinical and Laboratory Standards Institute. Performance Standards forAntimicrobial Susceptibility Testing. 33rd ed. CLSI supplement M100. 2023.11. European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing. Breakpoint tables forinterpretation of MICs and zone diameters. Version 13.0. 2023. 12. World Health Organization. Global antimicrobial resistance and use surveillancesystem (GLASS) report: 2022. Geneva: WHO; 2022.13. BRCAST. Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing. 2023.14. Nys S, van Merode T, Bartelds AIM, et al. Urinary tract infections in generalpractice patients: diagnostic tests versus bacteriological culture. J AntimicrobChemother. 2006;57(5):955-8.15. Peter CRM, Braga JCDPK, Rodrigues LHA, et al. Antibiotic resistance pattern inurine cultures from community-dwelling women in southern Brazil. Rev GauchaEnferm. 2022;43:e20200485.16. Roberts RR, Hota B, Ahmad I, et al. Hospital and societal costs of antimicrobial-resistant infections. Clin Infect Dis. 2009;49(8):1175-84.17. ANVISA. Resistência microbiana: como evitar [Internet]. 2020. Disponível em:https://www.gov.br/anvisa18. Sociedade Brasileira de Infectologia. Diretrizes para o manejo de infecções do tratourinário. 2023.19. Bono MJ, Leslie SW, Reygaert WC. Uncomplicated Urinary Tract Infections.StatPearls [Internet]. Treasure Island (FL): StatPearls Publishing; 2023.20. Flores-Mireles AL, Walker JN, Caparon M, et al. Urinary tract infections:epidemiology, mechanisms of infection and treatment options. Nat Rev Microbiol.2015;13(5):269-84.21. Leung AK, Wong AH, Leung AA, et al. UTI in children. Recent Pat InflammAllergy Drug Discov. 2019;13(1):2-18. doi:10.2174/1872213X1366618122815494022. Kucheria R, Dasgupta P, Sacks SH, et al. UTIs: new insights. Postgrad Med J.2005;81(952):83-6. doi:10.1136/pgmj.2004.02303623. De Cueto M. Diagnóstico microbiológico de la ITU. Enferm Infecc Microbiol Clin.2005;23 Suppl 4:9-14. doi:10.1157/1309144324. Braoios A, Turatti TF, Meredija LCS, et al. Infecções do trato urinário em pacientesnão hospitalizados: etiologia e padrão de resistência aos antimicrobianos. J Bras PatolMed Lab. 2009;45(6):449-56.25. Poletto KQ, Reis C. Suscetibilidade antimicrobiana de uropatógenos em pacientesambulatoriais. Rev Soc Bras Med Trop. 2005;38(5):416-20.26. Dias IOV, Coelho AM, Dorigon I. Infecção do trato urinário em pacientesambulatoriais: prevalência e perfil de sensibilidade. Saúde (Santa Maria).2015;41(1):45-52.27. Zilberberg MD, Shorr AF. Secular trends in gram-negative resistance among UTIhospitalizations. Infect Control Hosp Epidemiol. 2013;34(9):940-6.28. IBGE. Feira de Santana (BA). 2023. Disponível em: http://www.ibge.gov.br 29. IBGE. Feira de Santana (BA). 2023. Disponível em:http://www.ibge.gov.br/cidades-e-estados/ba/feira-de-santana.html30. BRCAST. Brazilian Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing. 2023.Disponível em: https://brcast.org.br/31. EUCAST. European Committee on Antimicrobial Susceptibility Testing. 2023.Disponível em: https://www.eucast.org/32. CLSI. Performance Standards for Antimicrobial Susceptibility Testing. 33rd ed.CLSI supplement M100. 2023.33. Taminato M, et al. Screening for group B Streptococcus in pregnant women. RevLat Am Enfermagem. 2011;19(6):1470-8.34. FEBRASGO. Infecção do trato urinário. 2021.35. Bonkat G, et al. EAU Guidelines on urological infections. 2018.
Title: Análise do perfil de resistência bacteriana em uroculturas: estudo realizado no município de Feira de Santana-Ba
Description:
As infecções do trato urinário (ITUs) são comuns na prática clínica e representam um desafio crescente diante da resistência bacteriana aos antimicrobianos.
Este estudo teve como objetivo analisar o perfil etiológico e de resistência bacteriana em uroculturas realizadas em um laboratório de análises clínicas em Feira de Santana, Bahia, entre janeiro de 2020 e dezembro de 2022.
Foram incluídas 888 amostras positivas, das quais 87,3% eram de mulheres, predominando a faixa etária de 20 a 59 anos (58,1%).
Escherichia coli foi o principal agente isolado (56,4%), seguida por Enterococcus sp (13,4%) e Klebsiella pneumoniae (11,3%).
No total, 8.
007 testes de sensibilidade a antimicrobianos (TSA) foram analisados, com prevalência global de resistência de 26,7%.
A ampicilina apresentou a maior taxa de resistência (85,1%), especialmente em Staphylococcus saprophyticus (90,3%), indicando possível disseminação de plasmídeos.
Sulfametoxazol-trimetoprima (32,5%) e fluoroquinolonas como ciprofloxacino (23,5%) também apresentaram taxas elevadas, comprometendo o uso empírico seguro desses fármacos.
Por outro lado, a nitrofurantoína mostrou resistência moderada (18,7%), mantendo-se como opção viável para ITUs não complicadas.
A análise dos dados revelou a importância do conhecimento do perfil local de resistência para orientar a prescrição racional e prevenir falhas terapêuticas.
Embora o estudo tenha limitações, como a ausência de distinção entre infecções comunitárias e hospitalares, seus achados reforçam a urgência de medidas de vigilância epidemiológica, uso criterioso de antimicrobianos e atualização contínua das diretrizes terapêuticas.
A resistência bacteriana, evidenciada neste contexto, demanda esforços coordenados entre gestores, profissionais de saúde e sociedade para conter sua progressão e preservar a eficácia terapêutica atual.
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