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Conservação de tecido somático de peixe-boi marinho, Trichechus Manatus Manatus (Linnaeus, 1758) usando diferentes técnicas e soluções de criopreservação
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Os criobancos de tecidos somáticos são importantes ferramentas para a
conservação e conhecimento das espécies, especialmente aquelas ameaçadas de extinção
como o peixe-boi marinho, que vem tendo sua população reduzida por ações antrópicas.
Assim, faz-se necessário a otimização de protocolos para redução de danos ocasionados pelas
técnicas de criopreservação. Diante deste cenário, o presente trabalho teve como objetivos
avaliar o potencial da criopreservação para tecidos somáticos de peixe-boi marinho (Etapa 1),
bem como aperfeiçoar o protocolo de vitrificação (Etapa 2). Para tanto, foram coletados
fragmentos oriundos da pele de seis peixes-boi marinho mantidos no Centro Nacional de
Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, e
divididos em duas etapas. Na primeira etapa, fragmentos foram distribuídos nos grupos
congelação lenta (CL) e vitrificação em superfície sólida (VSS). Já na segunda etapa,
fragmentos foram alocados nos grupos vitrificados com diferentes soluções: 3M-EG+3MDMSO, 1,5M-EG+1,5M-DMSO, 3M-EG e 3M-DMSO. Tecidos não criopreservados foram
utilizados como grupo controle nas duas etapas. Para todos os experimentos, fragmentos
foram avaliados quanto à ultraestrutura, espessura da derme, quantificação de fibroblastos,
percentual de fibras colágenas e potencial proliferativo tecidual. Além disso, células
resultantes dos explantes cultivados foram avaliadas quanto à morfologia, aderência,
viabilidade, atividade proliferativa, atividade metabólica, níveis de espécies reativas de
oxigênio (EROs), potencial de membrana mitocondrial (ΔΨm) e níveis de apoptose. Na
primeira etapa, a VSS não alterou a espessura da derme (P > 0,05), mas, ambas as técnicas
diminuíram a quantidade de fibroblastos e aumentaram o percentual de fibras colágenas (P <
0,05). A CL manteve o potencial proliferativo tecidual, semelhante aos tecidos não
criopreservados. No cultivo in vitro, apenas fragmentos do grupo VSS não apresentaram
crescimento celular no período de 60 dias. Para o grupo CL, células obtidas não apresentaram
redução na sua viabilidade e atividade proliferativa (P > 0,05), entretanto, houve redução no
metabolismo e aumento dos níveis de apoptose, EROs e ΔΨm em comparação com células de
tecidos não criopreservados. Já na segunda etapa, não houve diferença na ultraestrutura, sendo
observado aumento na espessura da derme no grupo 1,5M-EG+1,5M-DMSO. Em todos os
grupos vitrificados houve redução nos fibroblastos e aumento da matriz colágena (P < 0,05).
Contudo, a vitrificação com 3,0M-EG+3,0M-DMSO manteve o potencial proliferativo dos
tecidos. Nenhum dos fragmentos vitrificados foram capazes de produzir células em cultivo in
vitro. Em conclusão, tecidos somáticos de peixe-boi marinho podem ser criopreservados por
congelação lenta, produzindo células viáveis após cultivo in vitro. Os tecidos quando
vitrificados, mesmo com redução na concentração, bem como a associação dos crioprotetores
intracelulares não permitiram a obtenção de células, o que evidencia necessidade do
aperfeiçoamento de protocolos, visando aumentar a qualidade dos bancos de tecidos
somáticos nesta espécie.
Title: Conservação de tecido somático de peixe-boi marinho, Trichechus Manatus Manatus (Linnaeus, 1758) usando diferentes técnicas e soluções de criopreservação
Description:
Os criobancos de tecidos somáticos são importantes ferramentas para a
conservação e conhecimento das espécies, especialmente aquelas ameaçadas de extinção
como o peixe-boi marinho, que vem tendo sua população reduzida por ações antrópicas.
Assim, faz-se necessário a otimização de protocolos para redução de danos ocasionados pelas
técnicas de criopreservação.
Diante deste cenário, o presente trabalho teve como objetivos
avaliar o potencial da criopreservação para tecidos somáticos de peixe-boi marinho (Etapa 1),
bem como aperfeiçoar o protocolo de vitrificação (Etapa 2).
Para tanto, foram coletados
fragmentos oriundos da pele de seis peixes-boi marinho mantidos no Centro Nacional de
Pesquisa e Conservação de Mamíferos Aquáticos, na Ilha de Itamaracá, Pernambuco, e
divididos em duas etapas.
Na primeira etapa, fragmentos foram distribuídos nos grupos
congelação lenta (CL) e vitrificação em superfície sólida (VSS).
Já na segunda etapa,
fragmentos foram alocados nos grupos vitrificados com diferentes soluções: 3M-EG+3MDMSO, 1,5M-EG+1,5M-DMSO, 3M-EG e 3M-DMSO.
Tecidos não criopreservados foram
utilizados como grupo controle nas duas etapas.
Para todos os experimentos, fragmentos
foram avaliados quanto à ultraestrutura, espessura da derme, quantificação de fibroblastos,
percentual de fibras colágenas e potencial proliferativo tecidual.
Além disso, células
resultantes dos explantes cultivados foram avaliadas quanto à morfologia, aderência,
viabilidade, atividade proliferativa, atividade metabólica, níveis de espécies reativas de
oxigênio (EROs), potencial de membrana mitocondrial (ΔΨm) e níveis de apoptose.
Na
primeira etapa, a VSS não alterou a espessura da derme (P > 0,05), mas, ambas as técnicas
diminuíram a quantidade de fibroblastos e aumentaram o percentual de fibras colágenas (P <
0,05).
A CL manteve o potencial proliferativo tecidual, semelhante aos tecidos não
criopreservados.
No cultivo in vitro, apenas fragmentos do grupo VSS não apresentaram
crescimento celular no período de 60 dias.
Para o grupo CL, células obtidas não apresentaram
redução na sua viabilidade e atividade proliferativa (P > 0,05), entretanto, houve redução no
metabolismo e aumento dos níveis de apoptose, EROs e ΔΨm em comparação com células de
tecidos não criopreservados.
Já na segunda etapa, não houve diferença na ultraestrutura, sendo
observado aumento na espessura da derme no grupo 1,5M-EG+1,5M-DMSO.
Em todos os
grupos vitrificados houve redução nos fibroblastos e aumento da matriz colágena (P < 0,05).
Contudo, a vitrificação com 3,0M-EG+3,0M-DMSO manteve o potencial proliferativo dos
tecidos.
Nenhum dos fragmentos vitrificados foram capazes de produzir células em cultivo in
vitro.
Em conclusão, tecidos somáticos de peixe-boi marinho podem ser criopreservados por
congelação lenta, produzindo células viáveis após cultivo in vitro.
Os tecidos quando
vitrificados, mesmo com redução na concentração, bem como a associação dos crioprotetores
intracelulares não permitiram a obtenção de células, o que evidencia necessidade do
aperfeiçoamento de protocolos, visando aumentar a qualidade dos bancos de tecidos
somáticos nesta espécie.
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