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A PROBLEMATIZAÇÃO DO ERRO E A CONCEPÇÃO CARTESIANA DE LIBERDADE
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Na Quarta Meditação, a questão metafísica acerca da possibilidade do erro é introduzida quando Descartes problematiza como seria possível um criador perfeito, sumamente bom, criador de todas as coisas e de toda a verdade, gerar criaturas que erram. Considerando a Regra Geral da verdade, segundo a qual toda ideia clara e distinta é verdadeira e, assim, descartando a hipótese do Deus enganador, que seria a causa do erro sistemático da substância pensante, a questão envolvida é: por que a substância pensante não se restringe a realizar juízos apenas sobre as ideias que são claras e distintas e a suspender o juízo ao deparar-se com ideias obscuras e confusas? Paralelo à questão metafísica, Descartes se ocupa da questão epistemológica quando pretende explicar o que ocorre com a operação cognitiva da substância pensante quando ela erra. Se suspendesse o juízo sobre o que percebe obscura e confusamente, a substância pensante não cometeria o erro. Há, no entanto, dois casos distintos em que,embora não haja evidências da verdade de uma ideia, isto é, embora a ideia não seja clara e distinta, a substância pensante não suspende o juízo: 1) Quando opta pela crença na verdade da ideia que lhe parece mais provável e realiza um juízo que pode ser equivocado. 2) Quando, embora uma ideia seja percebida como clara e distinta, trata-se, de fato, de uma ideia obscura e confusa. O segundo caso parece mais relevante na medida em que diz respeito ao erro no sentido estrito, pois envolve não saber estar errando. A questão a qual nos
deparamos e pretendemos tratar é: se, para Descartes, Deus é veraz e por isso há a garantia da Regra Geral da Verdade e, se não faz parte de Seus desígnios que nos enganemos, então como seria possível a efetivação do erro?
Title: A PROBLEMATIZAÇÃO DO ERRO E A CONCEPÇÃO CARTESIANA DE LIBERDADE
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Na Quarta Meditação, a questão metafísica acerca da possibilidade do erro é introduzida quando Descartes problematiza como seria possível um criador perfeito, sumamente bom, criador de todas as coisas e de toda a verdade, gerar criaturas que erram.
Considerando a Regra Geral da verdade, segundo a qual toda ideia clara e distinta é verdadeira e, assim, descartando a hipótese do Deus enganador, que seria a causa do erro sistemático da substância pensante, a questão envolvida é: por que a substância pensante não se restringe a realizar juízos apenas sobre as ideias que são claras e distintas e a suspender o juízo ao deparar-se com ideias obscuras e confusas? Paralelo à questão metafísica, Descartes se ocupa da questão epistemológica quando pretende explicar o que ocorre com a operação cognitiva da substância pensante quando ela erra.
Se suspendesse o juízo sobre o que percebe obscura e confusamente, a substância pensante não cometeria o erro.
Há, no entanto, dois casos distintos em que,embora não haja evidências da verdade de uma ideia, isto é, embora a ideia não seja clara e distinta, a substância pensante não suspende o juízo: 1) Quando opta pela crença na verdade da ideia que lhe parece mais provável e realiza um juízo que pode ser equivocado.
2) Quando, embora uma ideia seja percebida como clara e distinta, trata-se, de fato, de uma ideia obscura e confusa.
O segundo caso parece mais relevante na medida em que diz respeito ao erro no sentido estrito, pois envolve não saber estar errando.
A questão a qual nos
deparamos e pretendemos tratar é: se, para Descartes, Deus é veraz e por isso há a garantia da Regra Geral da Verdade e, se não faz parte de Seus desígnios que nos enganemos, então como seria possível a efetivação do erro?.
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