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Oligodendrogliomas: Critérios Histológicos e Moleculares
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Os oligodendrogliomas são tumores gliais primários do sistema nervoso central que acometem predominantemente adultos jovens e de meia-idade, localizando-se de forma preferencial nos lobos frontais e apresentando um comportamento biológico classicamente associado a crises convulsivas de difícil controle. Ao longo das últimas décadas, a caracterização diagnóstica dessas neoplasias passou por uma transição conceitual profunda, evoluindo de uma abordagem baseada estritamente em achados morfológicos de microscopia óptica convencional para um modelo de diagnóstico molecular integrado e de precisão. Essa mudança de paradigma consolidou o entendimento de que a verdadeira identidade de um oligodendroglioma depende não apenas do aspecto de suas células gliais, mas sim de assinaturas genéticas específicas e indissociáveis que definem a linhagem celular e predizem de forma fidedigna a excelente resposta clínica a protocolos de quimiorradioterapia adjuvante. Diante desse cenário de inovação patológica, o objetivo desta revisão sistemática de literatura foi analisar e compilar as evidências científicas publicadas no Brasil sobre os critérios histológicos determinantes e os marcadores moleculares obrigatórios aplicados ao diagnóstico dos oligodendrogliomas no cenário nacional. A busca estruturada de dados foi realizada de forma minuciosa nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e no Portal de Periódicos CAPES, identificando ensaios de biologia molecular, estudos histopatológicos de coorte e diretrizes nacionais de neuro-oncologia desenvolvidos por centros de referência do país. Os resultados demonstraram que as características histológicas clássicas incluem elevada celularidade de células monomórficas com halos perinucleares claros (aspecto em "ovo frito"), vasos sanguíneos delgados e ramificados com padrão em "fio de galinheiro" e focos frequentes de microcalcificações intratumorais. No plano molecular, o diagnóstico contemporâneo exige de forma mandatória a comprovação conjunta da mutação nos genes IDH1 ou IDH2 e da co-deleção completa dos braços cromossômicos 1p e 19q (co-deleção 1p/19q). Adicionalmente, a ausência de mutações no gene TP53 e de perda de expressão da proteína ATRX, somada à detecção de mutações no promotor do gene TERT, consolidam a linhagem puramente oligodendrogliática e excluem o diagnóstico diferencial de astrocitoma difuso. Conclui-se que a integração dos parâmetros histológicos com a avaliação molecular integrada é uma diretriz indispensável na neuro-oncologia atual, sendo altamente eficaz para certificar o diagnóstico, refinar a estratificação prognóstica e guiar a terapêutica personalizada de pacientes com oligodendroglioma no Brasil. Abstract: Oligodendrogliomas are primary glial tumors of the central nervous system that predominantly affect young and middle-aged adults, preferentially localizing in the frontal lobes and presenting a biological behavior classically associated with difficult-to-control seizures. Over the last decades, the diagnostic characterization of these neoplasms underwent a profound conceptual transition, evolving from an approach based strictly on morphological findings from conventional light microscopy to an integrated, precision molecular diagnostic model. This paradigm shift consolidated the understanding that the true identity of an oligodendroglioma depends not only on the appearance of its glial cells, but rather on specific and inseparable genetic signatures that define the cellular lineage and reliably predict the excellent clinical response to adjuvant chemoradiotherapy protocols. Given this scenario of pathological innovation, the objective of this systematic literature review was to analyze and compile the scientific evidence published in Brazil regarding the determinant histological criteria and mandatory molecular markers applied to the diagnosis of oligodendrogliomas in the national setting. The structured data search was conducted meticulously in the SciELO, LILACS, and CAPES Journals Portal databases, identifying molecular biology assays, histopathological cohort studies, and national neuro-oncology guidelines developed by reference centers across the country. The results demonstrated that classical histological features include high cellularity of monomorphic cells with clear perinuclear halos ("fried egg" appearance), thin and branched blood vessels with a "chicken wire" pattern, and frequent foci of intratumoral microcalcifications. On the molecular level, contemporary diagnosis strictly requires the combined proof of mutation in the IDH1 or IDH2 genes and the complete co-deletion of chromosomal arms 1p and 19q (1p/19q co-deletion). Additionally, the absence of mutations in the TP53 gene and the lack of loss of ATRX protein expression, combined with the detection of mutations in the TERT gene promoter, consolidate the purely oligodendroglial lineage and rule out the differential diagnosis of diffuse astrocytoma. It is concluded that the integration of histological parameters with an integrated molecular evaluation is an indispensable guideline in current neuro-oncology, being highly effective in certifying the diagnosis, refining prognostic stratification, and guiding the personalized therapy of patients with oligodendroglioma in Brazil. Keywords: Oligodendroglioma; Chromosome deletion; Isocitrate dehydrogenase; Molecular diagnosis; Pathology, molecular; Neurooncology. Resumen: Los oligodendrogliomas son tumores gliales primarios del sistema nervioso central que afectan predominantemente a adultos jóvenes y de mediana edad, localizándose de forma preferencial en los lóbulos frontales y presentando un comportamiento biológico clásicamente asociado con crisis convulsivas de difícil control. A lo largo de las últimas décadas, la caracterización diagnóstica de estas neoplasias pasó por una transición conceptual profunda, evolucionando de un enfoque basado estrictamente en hallazgos morfológicos de microscopía óptica convencional a un modelo de diagnóstico molecular integrado y de precisión. Este cambio de paradigma consolidó el entendimiento de que la verdadera identidad de un oligodendroglioma depende no solo del aspecto de sus células gliales, sino de firmas genéticas específicas e indisolubles que definen el linaje celular y predicen de forma fidedigna la excelente respuesta clínica a protocolos de quimiorradioterapia adyuvante. Ante este escenario de innovación patológica, el objetivo de esta revisión sistemática de la literatura fue analizar y compilar las evidencias científicas publicadas en Brasil sobre los criterios histológicos determinantes y los marcadores moleculares obligatorios aplicados al diagnóstico de los oligodendrogliomas en el escenario nacional. La búsqueda estructurada de datos se realizó de forma minuciosa en las bases de datos electrónicas SciELO, LILACS y el Portal de Periódicos CAPES, identificando ensayos de biología molecular, estudios histopatológicos de cohorte y directrices nacionales de neurooncología desarrollados por centros de referencia del país. Los resultados demostraron que las características histológicas clásicas incluyen una elevada celularidad de células monomórficas con halos perinucleares claros (aspecto en "huevo frito"), vasos sanguíneos delgados y ramificados con patrón en "alambre de gallinero" y focos frecuentes de microcalcificaciones intratumorales. En el plano molecular, el diagnóstico contemporáneo exige de forma obligatoria la comprobación conjunta de la mutación en los genes IDH1 o IDH2 y de la codelección completa de los brazos cromosómicos 1p y 19q (codelección 1p/19q). Adicionalmente, la ausencia de mutaciones en el gen TP53 y de pérdida de expresión de la proteína ATRX, sumada a la detección de mutaciones en el promotor del gen TERT, consolidan el linaje puramente oligodendroglial y excluyen el diagnóstico de astrocitoma difuso. Se concluye que la integración de los parámetros históricos con la evaluación molecular integrada es una directriz indispensable en la neurooncología actual, siendo altamente eficaz para certificar el diagnóstico, refinar la estratificación pronóstica y guiar la terapéutica personalizada de pacientes con oligodendroglioma en Brasil. Palabras clave: Oligodendroglioma; Deleción cromosómica; Isocitrato deshidrogenasa; Diagnóstico molecular; Patología molecular; Neurooncología.
Title: Oligodendrogliomas: Critérios Histológicos e Moleculares
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Os oligodendrogliomas são tumores gliais primários do sistema nervoso central que acometem predominantemente adultos jovens e de meia-idade, localizando-se de forma preferencial nos lobos frontais e apresentando um comportamento biológico classicamente associado a crises convulsivas de difícil controle.
Ao longo das últimas décadas, a caracterização diagnóstica dessas neoplasias passou por uma transição conceitual profunda, evoluindo de uma abordagem baseada estritamente em achados morfológicos de microscopia óptica convencional para um modelo de diagnóstico molecular integrado e de precisão.
Essa mudança de paradigma consolidou o entendimento de que a verdadeira identidade de um oligodendroglioma depende não apenas do aspecto de suas células gliais, mas sim de assinaturas genéticas específicas e indissociáveis que definem a linhagem celular e predizem de forma fidedigna a excelente resposta clínica a protocolos de quimiorradioterapia adjuvante.
Diante desse cenário de inovação patológica, o objetivo desta revisão sistemática de literatura foi analisar e compilar as evidências científicas publicadas no Brasil sobre os critérios histológicos determinantes e os marcadores moleculares obrigatórios aplicados ao diagnóstico dos oligodendrogliomas no cenário nacional.
A busca estruturada de dados foi realizada de forma minuciosa nas bases de dados eletrônicas SciELO, LILACS e no Portal de Periódicos CAPES, identificando ensaios de biologia molecular, estudos histopatológicos de coorte e diretrizes nacionais de neuro-oncologia desenvolvidos por centros de referência do país.
Os resultados demonstraram que as características histológicas clássicas incluem elevada celularidade de células monomórficas com halos perinucleares claros (aspecto em "ovo frito"), vasos sanguíneos delgados e ramificados com padrão em "fio de galinheiro" e focos frequentes de microcalcificações intratumorais.
No plano molecular, o diagnóstico contemporâneo exige de forma mandatória a comprovação conjunta da mutação nos genes IDH1 ou IDH2 e da co-deleção completa dos braços cromossômicos 1p e 19q (co-deleção 1p/19q).
Adicionalmente, a ausência de mutações no gene TP53 e de perda de expressão da proteína ATRX, somada à detecção de mutações no promotor do gene TERT, consolidam a linhagem puramente oligodendrogliática e excluem o diagnóstico diferencial de astrocitoma difuso.
Conclui-se que a integração dos parâmetros histológicos com a avaliação molecular integrada é uma diretriz indispensável na neuro-oncologia atual, sendo altamente eficaz para certificar o diagnóstico, refinar a estratificação prognóstica e guiar a terapêutica personalizada de pacientes com oligodendroglioma no Brasil.
Abstract: Oligodendrogliomas are primary glial tumors of the central nervous system that predominantly affect young and middle-aged adults, preferentially localizing in the frontal lobes and presenting a biological behavior classically associated with difficult-to-control seizures.
Over the last decades, the diagnostic characterization of these neoplasms underwent a profound conceptual transition, evolving from an approach based strictly on morphological findings from conventional light microscopy to an integrated, precision molecular diagnostic model.
This paradigm shift consolidated the understanding that the true identity of an oligodendroglioma depends not only on the appearance of its glial cells, but rather on specific and inseparable genetic signatures that define the cellular lineage and reliably predict the excellent clinical response to adjuvant chemoradiotherapy protocols.
Given this scenario of pathological innovation, the objective of this systematic literature review was to analyze and compile the scientific evidence published in Brazil regarding the determinant histological criteria and mandatory molecular markers applied to the diagnosis of oligodendrogliomas in the national setting.
The structured data search was conducted meticulously in the SciELO, LILACS, and CAPES Journals Portal databases, identifying molecular biology assays, histopathological cohort studies, and national neuro-oncology guidelines developed by reference centers across the country.
The results demonstrated that classical histological features include high cellularity of monomorphic cells with clear perinuclear halos ("fried egg" appearance), thin and branched blood vessels with a "chicken wire" pattern, and frequent foci of intratumoral microcalcifications.
On the molecular level, contemporary diagnosis strictly requires the combined proof of mutation in the IDH1 or IDH2 genes and the complete co-deletion of chromosomal arms 1p and 19q (1p/19q co-deletion).
Additionally, the absence of mutations in the TP53 gene and the lack of loss of ATRX protein expression, combined with the detection of mutations in the TERT gene promoter, consolidate the purely oligodendroglial lineage and rule out the differential diagnosis of diffuse astrocytoma.
It is concluded that the integration of histological parameters with an integrated molecular evaluation is an indispensable guideline in current neuro-oncology, being highly effective in certifying the diagnosis, refining prognostic stratification, and guiding the personalized therapy of patients with oligodendroglioma in Brazil.
Keywords: Oligodendroglioma; Chromosome deletion; Isocitrate dehydrogenase; Molecular diagnosis; Pathology, molecular; Neurooncology.
Resumen: Los oligodendrogliomas son tumores gliales primarios del sistema nervioso central que afectan predominantemente a adultos jóvenes y de mediana edad, localizándose de forma preferencial en los lóbulos frontales y presentando un comportamiento biológico clásicamente asociado con crisis convulsivas de difícil control.
A lo largo de las últimas décadas, la caracterización diagnóstica de estas neoplasias pasó por una transición conceptual profunda, evolucionando de un enfoque basado estrictamente en hallazgos morfológicos de microscopía óptica convencional a un modelo de diagnóstico molecular integrado y de precisión.
Este cambio de paradigma consolidó el entendimiento de que la verdadera identidad de un oligodendroglioma depende no solo del aspecto de sus células gliales, sino de firmas genéticas específicas e indisolubles que definen el linaje celular y predicen de forma fidedigna la excelente respuesta clínica a protocolos de quimiorradioterapia adyuvante.
Ante este escenario de innovación patológica, el objetivo de esta revisión sistemática de la literatura fue analizar y compilar las evidencias científicas publicadas en Brasil sobre los criterios histológicos determinantes y los marcadores moleculares obligatorios aplicados al diagnóstico de los oligodendrogliomas en el escenario nacional.
La búsqueda estructurada de datos se realizó de forma minuciosa en las bases de datos electrónicas SciELO, LILACS y el Portal de Periódicos CAPES, identificando ensayos de biología molecular, estudios histopatológicos de cohorte y directrices nacionales de neurooncología desarrollados por centros de referencia del país.
Los resultados demostraron que las características histológicas clásicas incluyen una elevada celularidad de células monomórficas con halos perinucleares claros (aspecto en "huevo frito"), vasos sanguíneos delgados y ramificados con patrón en "alambre de gallinero" y focos frecuentes de microcalcificaciones intratumorales.
En el plano molecular, el diagnóstico contemporáneo exige de forma obligatoria la comprobación conjunta de la mutación en los genes IDH1 o IDH2 y de la codelección completa de los brazos cromosómicos 1p y 19q (codelección 1p/19q).
Adicionalmente, la ausencia de mutaciones en el gen TP53 y de pérdida de expresión de la proteína ATRX, sumada a la detección de mutaciones en el promotor del gen TERT, consolidan el linaje puramente oligodendroglial y excluyen el diagnóstico de astrocitoma difuso.
Se concluye que la integración de los parámetros históricos con la evaluación molecular integrada es una directriz indispensable en la neurooncología actual, siendo altamente eficaz para certificar el diagnóstico, refinar la estratificación pronóstica y guiar la terapéutica personalizada de pacientes con oligodendroglioma en Brasil.
Palabras clave: Oligodendroglioma; Deleción cromosómica; Isocitrato deshidrogenasa; Diagnóstico molecular; Patología molecular; Neurooncología.
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