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Perspectivas da Internacionalização da Pesquisa em Contabilidade

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As pesquisas em contabilidade tiveram um incremento nas últimas décadas, muito decorrente dos novos programas de pós-graduação em contabilidade (mestrado e doutorado). Esse incremento produz outros efeitos positivos como a ida de estudantes, principalmente de doutorado (sanduiche), para centros de pesquisa, bem como, de professores para realizar pós-doutorados com pesquisadores potentes fora do Brasil. Aliado a isto, a internacionalização é incentivada pelos órgãos de avaliação dos programas de pós-graduação (stricto-sensu) como a CAPES, e pelos próprios programas. Estes movimentos têm produzido efeitos positivos também na qualidade das pesquisas em contabilidade realizadas no Brasil.Apesar dos desenvolvimentos dos últimos anos, é fundamental dar um passo a frente e evoluir na qualidade das publicações. É necessário continuar avançando na busca por novos espaços em revistas internacionais de ponta, com classificações no Journal Citation Reports-JCR (Clarivate) no quartil 1 e 2 e no Scimago Journal & Country Rank-SJR (Scopus) no quartil 1. Atualmente, a participação de pesquisadores do Brasil em revista de ponta da contabilidade (ex. Accounting, Organizations and Society, Contemporary Accounting Research, Journal of Accounting and Economics, Journal of Accounting Research e The Accounting Review etc) ainda é muito baixa, para não dizer inexistente. As publicações nestas revistas precisam ser comemoradas, e principalmente valorizadas. Publicar nestas revistas de impacto é importante, mais também é fundamental uma maior participação como, editores e avaliadores. Para que esse avanço aconteça precisamos desenvolver os incentivos na direção da qualidade pelos órgãos de avaliação e financiamento da pesquisa no Brasil (ex. CAPES e CNPQ etc), mas também pelas universidades. Isto começa quando o jovem pesquisador, ainda no doutorado, procura focar em quantidade visando ter maiores condições de competir no concurso de professor. Entretanto, esse processo não cessa quando ele passa no concurso, para fazer parte de muitos programas de pós-graduação no Brasil, solicitar financiamentos de pesquisa, o que inclui Bolsas de Produtividade-PQ, são exigidos grande quantidade (números) de artigos publicados. Se compararmos a nossa realidade a outros países fica claro essa discrepância. Por exemplo, um professor recém contratado em muitas universidades do Reino Unido tem como meta publicar um artigo em 5 anos em uma revista potente, classificação em quatro estrelas (segundo o qualis do Reino Unido). O que faz com que esse jovem pesquisador nestes países se dedique a melhorar suas habilidades que pesquisa, buscar parcerias, entre outras estratégias, visando atingir a meta de desempenho dos 5 primeiros anos.         Mas afinal, quais são os caminhos (passos) para ocupar os espaços em revistas internacionais de ponta? O que podemos fazer para evoluir? Creio que podemos utilizar várias estratégias para chegar lá. Vou me ater a algumas, que considerado importantes.Procure melhorar suas habilidades, conhecimentos de pesquisa relacionados a aspectos considerados importantes internacionalmente. Atualmente há vários cursos sendo oferecidos no Brasil, somente para destacar alguns, o CICCA oferecido pela AICOGestion (http://aicogestion.org/cicca/), o curso oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis – PPGCC da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (Writing and Publishing Empirical Papers and Systematic/Narrative Reviews), entre outros tantos exemplos. Junto com a melhora nas habilidades de escrita, é importante também melhorar a capacidade de pensar logicamente a pesquisa.Desenvolva parcerias internacionais de pesquisa de longo prazo, e isto pode iniciar quando do doutorado (ex. fazendo um doutorado sanduiche) e depois com um pós-doutorado. Antes de sair para um doutorado sanduiche ou pós-doutorado procure iniciar ou desenvolver pesquisa previa com o professor do exterior, visando estreitar as relações e aumentar a confiança. Questões pessoais também precisam ser pensadas previamente como, a adaptação à cidade/país escolhida, domínio da língua e questões financeiras e familiares, etc. Ainda ao longo da carreira deve-se buscar parcerias que podem auxiliar neste processo de melhoria nas publicações. Neste processo precisamos buscar pessoas alinhadas aos nossos interesses, e que os objetivos sejam comuns, caso contrário, a parceria não terá continuidade. A parceria precisa ser vantajosa para ambos, no princípio “ganha-ganha”.Busque temas comuns que sejam interessantes e chamem a atenção dos editores e revisores das revistas. Por exemplo, talvez revistas internacionais estejam interessadas em conhecer um pouco mais sobre a produção do agronegócio no Brasil (no qual somos referencia mundial), e seus impactos no meio ambiente, principalmente da Amazônia e do Pantanal, além do uso de inovações (ex. tecnológicas) visando melhorar a competividade e a sustentabilidade ambiental.Forme redes de pesquisadores nacionais e internacionais no tema, que possam construir conhecimento juntos. Por exemplo, uma iniciativa interessante é a leitura crítica do artigo por colegas, antes de enviar a revista. Isto pode melhorar sensivelmente o artigo e evita erros muitas vezes básicos, que podem ser o motivo do “desk reject” pelo editor. Esta é uma iniciativa simples mais que no Brasil para funcionar adequadamente precisa de maior cooperação entre os pesquisadores, e talvez uma mudança de comportamento (mais humildade, modéstia etc).Estas são alguns dos pontos que considero importantes na melhoria e na busca por espaço na pesquisa internacional, mas devem ter outros tantos. Se não ocuparmos nosso espaço, outros o farão. Assim, vamos juntar forças e avançar nas pesquisas em contabilidade do Brasil e ocupar o espaço que é nosso.
Title: Perspectivas da Internacionalização da Pesquisa em Contabilidade
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As pesquisas em contabilidade tiveram um incremento nas últimas décadas, muito decorrente dos novos programas de pós-graduação em contabilidade (mestrado e doutorado).
Esse incremento produz outros efeitos positivos como a ida de estudantes, principalmente de doutorado (sanduiche), para centros de pesquisa, bem como, de professores para realizar pós-doutorados com pesquisadores potentes fora do Brasil.
Aliado a isto, a internacionalização é incentivada pelos órgãos de avaliação dos programas de pós-graduação (stricto-sensu) como a CAPES, e pelos próprios programas.
Estes movimentos têm produzido efeitos positivos também na qualidade das pesquisas em contabilidade realizadas no Brasil.
Apesar dos desenvolvimentos dos últimos anos, é fundamental dar um passo a frente e evoluir na qualidade das publicações.
É necessário continuar avançando na busca por novos espaços em revistas internacionais de ponta, com classificações no Journal Citation Reports-JCR (Clarivate) no quartil 1 e 2 e no Scimago Journal & Country Rank-SJR (Scopus) no quartil 1.
Atualmente, a participação de pesquisadores do Brasil em revista de ponta da contabilidade (ex.
Accounting, Organizations and Society, Contemporary Accounting Research, Journal of Accounting and Economics, Journal of Accounting Research e The Accounting Review etc) ainda é muito baixa, para não dizer inexistente.
As publicações nestas revistas precisam ser comemoradas, e principalmente valorizadas.
Publicar nestas revistas de impacto é importante, mais também é fundamental uma maior participação como, editores e avaliadores.
 Para que esse avanço aconteça precisamos desenvolver os incentivos na direção da qualidade pelos órgãos de avaliação e financiamento da pesquisa no Brasil (ex.
CAPES e CNPQ etc), mas também pelas universidades.
Isto começa quando o jovem pesquisador, ainda no doutorado, procura focar em quantidade visando ter maiores condições de competir no concurso de professor.
Entretanto, esse processo não cessa quando ele passa no concurso, para fazer parte de muitos programas de pós-graduação no Brasil, solicitar financiamentos de pesquisa, o que inclui Bolsas de Produtividade-PQ, são exigidos grande quantidade (números) de artigos publicados.
Se compararmos a nossa realidade a outros países fica claro essa discrepância.
Por exemplo, um professor recém contratado em muitas universidades do Reino Unido tem como meta publicar um artigo em 5 anos em uma revista potente, classificação em quatro estrelas (segundo o qualis do Reino Unido).
O que faz com que esse jovem pesquisador nestes países se dedique a melhorar suas habilidades que pesquisa, buscar parcerias, entre outras estratégias, visando atingir a meta de desempenho dos 5 primeiros anos.
         Mas afinal, quais são os caminhos (passos) para ocupar os espaços em revistas internacionais de ponta? O que podemos fazer para evoluir? Creio que podemos utilizar várias estratégias para chegar lá.
Vou me ater a algumas, que considerado importantes.
Procure melhorar suas habilidades, conhecimentos de pesquisa relacionados a aspectos considerados importantes internacionalmente.
Atualmente há vários cursos sendo oferecidos no Brasil, somente para destacar alguns, o CICCA oferecido pela AICOGestion (http://aicogestion.
org/cicca/), o curso oferecido pelo Programa de Pós-Graduação em Ciências Contábeis – PPGCC da Universidade Federal de Pernambuco - UFPE (Writing and Publishing Empirical Papers and Systematic/Narrative Reviews), entre outros tantos exemplos.
Junto com a melhora nas habilidades de escrita, é importante também melhorar a capacidade de pensar logicamente a pesquisa.
Desenvolva parcerias internacionais de pesquisa de longo prazo, e isto pode iniciar quando do doutorado (ex.
fazendo um doutorado sanduiche) e depois com um pós-doutorado.
Antes de sair para um doutorado sanduiche ou pós-doutorado procure iniciar ou desenvolver pesquisa previa com o professor do exterior, visando estreitar as relações e aumentar a confiança.
Questões pessoais também precisam ser pensadas previamente como, a adaptação à cidade/país escolhida, domínio da língua e questões financeiras e familiares, etc.
Ainda ao longo da carreira deve-se buscar parcerias que podem auxiliar neste processo de melhoria nas publicações.
Neste processo precisamos buscar pessoas alinhadas aos nossos interesses, e que os objetivos sejam comuns, caso contrário, a parceria não terá continuidade.
A parceria precisa ser vantajosa para ambos, no princípio “ganha-ganha”.
Busque temas comuns que sejam interessantes e chamem a atenção dos editores e revisores das revistas.
Por exemplo, talvez revistas internacionais estejam interessadas em conhecer um pouco mais sobre a produção do agronegócio no Brasil (no qual somos referencia mundial), e seus impactos no meio ambiente, principalmente da Amazônia e do Pantanal, além do uso de inovações (ex.
tecnológicas) visando melhorar a competividade e a sustentabilidade ambiental.
Forme redes de pesquisadores nacionais e internacionais no tema, que possam construir conhecimento juntos.
Por exemplo, uma iniciativa interessante é a leitura crítica do artigo por colegas, antes de enviar a revista.
Isto pode melhorar sensivelmente o artigo e evita erros muitas vezes básicos, que podem ser o motivo do “desk reject” pelo editor.
Esta é uma iniciativa simples mais que no Brasil para funcionar adequadamente precisa de maior cooperação entre os pesquisadores, e talvez uma mudança de comportamento (mais humildade, modéstia etc).
Estas são alguns dos pontos que considero importantes na melhoria e na busca por espaço na pesquisa internacional, mas devem ter outros tantos.
Se não ocuparmos nosso espaço, outros o farão.
Assim, vamos juntar forças e avançar nas pesquisas em contabilidade do Brasil e ocupar o espaço que é nosso.

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