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EDITORIAL
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De 8 a 11 de novembro de 2021, o Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) do IFPR Campus Paranaguá organizou o II Encontro Nacional Interdisciplinar em Ciência, Tecnologia e Sociedade (ENICTS). Em meio a um dos momentos históricos mais duros vividos pelas últimas gerações, marcado por uma pandemia que atingiu todos os países do mundo e impôs o isolamento social a mais de seis bilhões de pessoas, como forma de prevenir o contágio do coronavírus, as atividades acadêmicas e de pesquisa foram desenvolvidas de maneira inteiramente remota. O período, que marcou os anos de 2020 e 2021, exigiu paciência, criatividade e construção de novos métodos de investigação. Além disso, exigiu dos agentes comprometidos criticamente com a ciência, assumida como prática de interpretação e intervenção na totalidade social, posicionamentos contundentes. Ao mesmo tempo em que a Covid-19 se impunha como causa de graves adoecimentos e centenas de milhares de mortes, perspectivas negacionistas buscaram se afirmar em todo o globo, inclusive e principalmente no Brasil, onde mais de 700 mil pessoas perderam suas vidas devido à doença. Nesse contexto, o PPGCTS/IFPR continuou suas atividades, buscando novas formas de se relacionar academicamente, construir o conhecimento e, principalmente, contribuir com a solução de problemas imediatos relacionados à pandemia. Compõe-se, assim, em março de 2021, a Comissão Organizadora do II ENICTS, que opta por realizar o evento de modo totalmente remoto e define como tema geral Educação, ciência e tecnologia em tempos de negacionismo: desafios e perspectivas. A ênfase na educação reafirmava o papel transformador dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e a contribuição que poderiam dar à situação concreta. Já a localização da tríade educação-ciência-tecnologia em uma historicidade permeada pelo negacionismo tratava de destacar criticamente a emergência de perspectivas conservadoras e anticientíficas que surgiam com muita força no Brasil. Enfim, os desafios e as perspectivas apontavam para projetos futuros, visualizando a produção do conhecimento após a pandemia e demarcando a perspectiva CTS como base política e epistemológica do evento. Foram organizados, assim, dezessete Grupos de Trabalho (GTs) propostos pelos próprios participantes, que possibilitaram a apresentação de 78 resumos expandidos e relatos de experiência. Alguns trabalhos, por seu vínculo direto com a temática do evento e contribuição na reflexão sobre o contexto, foram escolhidos para a publicação nas Revistas Mundi do IFPR, ampliando seu formato de resumo expandido para artigo. Particularmente, dois deles se relacionam diretamente com o escopo de Mundi Engenharia, Tecnologia e Gestão e são agora publicados na presente edição especial. O artigo Deterioração do trabalho no Brasil: a precarização por meio da flexibilização e o exemplo do PL 3.748/2019, de autoria de Rafael Salviati Germano, Alexandre Chiarelli, Geraldo Augusto Pinto e Mario Lopes Amorim, busca discutir a realidade das novas condições de trabalho no Brasil, inauguradas, sobretudo, no contexto recente atravessado por reformas e contrarreformas regressivas, que retiram direitos dos trabalhadores e minam as políticas públicas de natureza inclusiva. Além de uma análise histórica das relações de trabalho brasileiras, evidenciando marcos normativos e jurídicos emblemáticos ao longo da formação social de nosso país, o trabalho analisa o processo de deterioração dessas relações, colocando no centro da discussão a conjuntura político-econômica e os conflitos sociais. Com base no método dialético, focaliza o Projeto de Lei (PL) nº 3748/2019, que, segundo as conclusões dos autores, busca regular o mundo do trabalho paralelamente à Constituição Federal. Trata-se de contribuição fundamental para compreendermos as relações entre a questão do trabalho e o contexto de negacionismo próprio do período em que ocorreu o II ENICTS. Já o trabalho intitulado Pensando 4.0 – Impactos associados à nova forma, conteúdo e valor do trabalho, escrito por Melissa Bertolini Rodrigues, problematiza os impactos da implementação da chamada Indústria 4.0. O artigo também focaliza a questão do trabalho, mas o faz a partir das políticas públicas de formação profissional. A ênfase da discussão reside em um dos principais eixos que dão origem à perspectiva CTS, que é a crítica à neutralidade da ciência. Para a autora, as ideologias vinculadas à Indústria 4.0 necessitam ser apreendidas a partir da análise da inserção subordinada de formações sociais como a brasileira na divisão internacional do trabalho. É dessa perspectiva que se afirma a unidade teórica da Educação CTS. Como se pode perceber, a questão do trabalho se constitui como eixo central da presente edição especial, ressaltando uma natureza de totalidade da categoria tecnologia. Trata-se de publicação com forte potencial de contribuição para diversas áreas e temas de pesquisa, inclusive para aqueles interessados em situar os fenômenos balizados pela ciência e tecnologia em um contexto tensionado pela negação da ciência.
Title: EDITORIAL
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De 8 a 11 de novembro de 2021, o Programa de Pós-Graduação em Ciência, Tecnologia e Sociedade (PPGCTS) do IFPR Campus Paranaguá organizou o II Encontro Nacional Interdisciplinar em Ciência, Tecnologia e Sociedade (ENICTS).
Em meio a um dos momentos históricos mais duros vividos pelas últimas gerações, marcado por uma pandemia que atingiu todos os países do mundo e impôs o isolamento social a mais de seis bilhões de pessoas, como forma de prevenir o contágio do coronavírus, as atividades acadêmicas e de pesquisa foram desenvolvidas de maneira inteiramente remota.
O período, que marcou os anos de 2020 e 2021, exigiu paciência, criatividade e construção de novos métodos de investigação.
Além disso, exigiu dos agentes comprometidos criticamente com a ciência, assumida como prática de interpretação e intervenção na totalidade social, posicionamentos contundentes.
Ao mesmo tempo em que a Covid-19 se impunha como causa de graves adoecimentos e centenas de milhares de mortes, perspectivas negacionistas buscaram se afirmar em todo o globo, inclusive e principalmente no Brasil, onde mais de 700 mil pessoas perderam suas vidas devido à doença.
Nesse contexto, o PPGCTS/IFPR continuou suas atividades, buscando novas formas de se relacionar academicamente, construir o conhecimento e, principalmente, contribuir com a solução de problemas imediatos relacionados à pandemia.
Compõe-se, assim, em março de 2021, a Comissão Organizadora do II ENICTS, que opta por realizar o evento de modo totalmente remoto e define como tema geral Educação, ciência e tecnologia em tempos de negacionismo: desafios e perspectivas.
A ênfase na educação reafirmava o papel transformador dos Institutos Federais de Educação, Ciência e Tecnologia e a contribuição que poderiam dar à situação concreta.
Já a localização da tríade educação-ciência-tecnologia em uma historicidade permeada pelo negacionismo tratava de destacar criticamente a emergência de perspectivas conservadoras e anticientíficas que surgiam com muita força no Brasil.
Enfim, os desafios e as perspectivas apontavam para projetos futuros, visualizando a produção do conhecimento após a pandemia e demarcando a perspectiva CTS como base política e epistemológica do evento.
Foram organizados, assim, dezessete Grupos de Trabalho (GTs) propostos pelos próprios participantes, que possibilitaram a apresentação de 78 resumos expandidos e relatos de experiência.
Alguns trabalhos, por seu vínculo direto com a temática do evento e contribuição na reflexão sobre o contexto, foram escolhidos para a publicação nas Revistas Mundi do IFPR, ampliando seu formato de resumo expandido para artigo.
Particularmente, dois deles se relacionam diretamente com o escopo de Mundi Engenharia, Tecnologia e Gestão e são agora publicados na presente edição especial.
O artigo Deterioração do trabalho no Brasil: a precarização por meio da flexibilização e o exemplo do PL 3.
748/2019, de autoria de Rafael Salviati Germano, Alexandre Chiarelli, Geraldo Augusto Pinto e Mario Lopes Amorim, busca discutir a realidade das novas condições de trabalho no Brasil, inauguradas, sobretudo, no contexto recente atravessado por reformas e contrarreformas regressivas, que retiram direitos dos trabalhadores e minam as políticas públicas de natureza inclusiva.
Além de uma análise histórica das relações de trabalho brasileiras, evidenciando marcos normativos e jurídicos emblemáticos ao longo da formação social de nosso país, o trabalho analisa o processo de deterioração dessas relações, colocando no centro da discussão a conjuntura político-econômica e os conflitos sociais.
Com base no método dialético, focaliza o Projeto de Lei (PL) nº 3748/2019, que, segundo as conclusões dos autores, busca regular o mundo do trabalho paralelamente à Constituição Federal.
Trata-se de contribuição fundamental para compreendermos as relações entre a questão do trabalho e o contexto de negacionismo próprio do período em que ocorreu o II ENICTS.
Já o trabalho intitulado Pensando 4.
0 – Impactos associados à nova forma, conteúdo e valor do trabalho, escrito por Melissa Bertolini Rodrigues, problematiza os impactos da implementação da chamada Indústria 4.
O artigo também focaliza a questão do trabalho, mas o faz a partir das políticas públicas de formação profissional.
A ênfase da discussão reside em um dos principais eixos que dão origem à perspectiva CTS, que é a crítica à neutralidade da ciência.
Para a autora, as ideologias vinculadas à Indústria 4.
0 necessitam ser apreendidas a partir da análise da inserção subordinada de formações sociais como a brasileira na divisão internacional do trabalho.
É dessa perspectiva que se afirma a unidade teórica da Educação CTS.
Como se pode perceber, a questão do trabalho se constitui como eixo central da presente edição especial, ressaltando uma natureza de totalidade da categoria tecnologia.
Trata-se de publicação com forte potencial de contribuição para diversas áreas e temas de pesquisa, inclusive para aqueles interessados em situar os fenômenos balizados pela ciência e tecnologia em um contexto tensionado pela negação da ciência.
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