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Protocolo de Atuação Pós-exposição Ocupacional a Escabiose
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ENQUADRAMENTO
A escabiose, também denominada sarna humana, é uma dermatose parasitária da pele provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variante hominis. Estima-se que mais de 400 milhões de pessoas sejam afetadas anualmente, havendo uma distribuição universal independente do género ou raça. É mais comum em países tropicais de baixo rendimento, ainda que os restantes se destaquem por surtos em instituições de saúde e comunidades vulneráveis (1) (2) (3) (4). Por não ser uma Doença de Declaração Obrigatória, a sua epidemiologia em Portugal é desconhecida (2).
O microorganismo inicia o seu ciclo de vida através de uma fêmea adulta fertilizada que penetra a epiderme e escava uma galeria, onde deposita dois a três ovos diários. Estima-se que numa escabiose vulgar existam dez a quinze ácaros em todo o corpo, por oposição à variante crostosa onde podem estar presentes milhares a milhões de ácaros (2) (3).
A sua transmissão ocorre por contacto cutâneo direto prolongado com um indivíduo infetado, sendo mais suscetível em atividades como dar banho ou aplicar emolientes. A transmissão por contacto indireto (nomeadamente lençóis e roupas infestadas) é rara, embora possível, dado que o ácaro pode sobreviver até 72h fora do hospedeiro. O contacto casual não está associado a transmissão (2).
O período de incubação é de duas a seis semanas em pessoas sem exposição prévia, podendo ser encurtado para um a quatro dias naqueles com infeção documentada anteriormente. Um indivíduo infetado é contagioso desde o período de incubação até à eliminação dos ácaros e dos seus ovos após terapêutica (2).
A escabiose clássica caracteriza-se pela presença de lesões cutâneas pruriginosas, de agravamento noturno, que podem ser primárias– sulcos acarinos, pápulas eritematosas, vesículas e nódulos escabióticos– ou secundárias– típicas de reação inflamatória e lesões de prurido. Embora patognomónicos, os sulcos acarinos (lesões cutâneas lineares finas, acastanhadas ou avermelhadas, até 15 milímetros de comprimento) nem sempre são identificáveis, podendo ser ocultados por lesões secundárias (como escoriações, eczematização ou infeção cutânea). Tipicamente observa-se uma disseminação das lesões cutâneas na região flexora dos punhos, nas regiões digital e interdigital, nas pregas axilares, na cintura e na região periumbilical, genital e glútea, poupando a cabeça e a região plantar em adultos (2) (3). A variante crostosa caracteriza-se por uma dermatite generalizada com distribuição ampla, descamação extensa, vesículas e crostas, sendo mais frequente em indivíduos imunodeprimidos e idosos/institucionalizados. Destaca-se pela elevada carga parasitária e presença de escamas ricas em ácaros, o que a torna altamente contagiosa (1) (2) (3) (4). Os surtos hospitalares surgem frequentemente em consequência do diagnóstico tardio desta variante (5).
Os critérios de consenso da Aliança Internacional para o Controlo da Sarna de 2020 vieram uniformizar o diagnóstico da sarna comum e incluem três níveis representativos de diferentes graus de certeza de diagnóstico (6):
Escabiose confirmada (nível A):
Ácaros, ovos ou fezes vistas ao microscópio em amostra de pele
Ácaros, ovos ou fezes vistas no indivíduo usando videomicroscopia e microscopia confocal
Ácaros vistos com dermatoscópio
Escabiose clínica (nível B):
Sulcos acarinos
Lesões típicas localizadas a nível genital em homens
Lesões típicas com distribuição típica e duas características da história clínica (prurido e contexto epidemiológico)
Suspeita de escabiose (nível C)
Lesões típicas com distribuição típica e uma característica da história clínica (prurido ou contexto epidemiológico)
Lesões atípicas ou distribuição atípica e duas características da história clínica (prurido e contexto epidemiológico)
OBJETIVO
O presente artigo propõe um protocolo de atuação a aplicar em caso de exposição profissional a escabiose e que visa a identificação, controlo e prevenção da transmissão. É destinado a qualquer profissional de saúde com exposição desprotegida a indivíduos infetados por Sarcoptes scabiei ou material potencialmente contaminado, em contexto ocupacional.
METODOLOGIA
Realizou-se uma revisão da literatura sobre a exposição ocupacional à escabiose disponível em língua portuguesa e inglesa, incluindo artigos científicos, protocolos e guidelines publicadas nos últimos dez anos. As fontes englobaram Pubmed, UpToDate, World Health Organization e Center for Disease Control and Prevention, recorrendo aos termos “scabies”, “healthcare workers” e “occupational exposure”.
Revista Portuguesa de Saude Ocupacional
Title: Protocolo de Atuação Pós-exposição Ocupacional a Escabiose
Description:
ENQUADRAMENTO
A escabiose, também denominada sarna humana, é uma dermatose parasitária da pele provocada pelo ácaro Sarcoptes scabiei variante hominis.
Estima-se que mais de 400 milhões de pessoas sejam afetadas anualmente, havendo uma distribuição universal independente do género ou raça.
É mais comum em países tropicais de baixo rendimento, ainda que os restantes se destaquem por surtos em instituições de saúde e comunidades vulneráveis (1) (2) (3) (4).
Por não ser uma Doença de Declaração Obrigatória, a sua epidemiologia em Portugal é desconhecida (2).
O microorganismo inicia o seu ciclo de vida através de uma fêmea adulta fertilizada que penetra a epiderme e escava uma galeria, onde deposita dois a três ovos diários.
Estima-se que numa escabiose vulgar existam dez a quinze ácaros em todo o corpo, por oposição à variante crostosa onde podem estar presentes milhares a milhões de ácaros (2) (3).
A sua transmissão ocorre por contacto cutâneo direto prolongado com um indivíduo infetado, sendo mais suscetível em atividades como dar banho ou aplicar emolientes.
A transmissão por contacto indireto (nomeadamente lençóis e roupas infestadas) é rara, embora possível, dado que o ácaro pode sobreviver até 72h fora do hospedeiro.
O contacto casual não está associado a transmissão (2).
O período de incubação é de duas a seis semanas em pessoas sem exposição prévia, podendo ser encurtado para um a quatro dias naqueles com infeção documentada anteriormente.
Um indivíduo infetado é contagioso desde o período de incubação até à eliminação dos ácaros e dos seus ovos após terapêutica (2).
A escabiose clássica caracteriza-se pela presença de lesões cutâneas pruriginosas, de agravamento noturno, que podem ser primárias– sulcos acarinos, pápulas eritematosas, vesículas e nódulos escabióticos– ou secundárias– típicas de reação inflamatória e lesões de prurido.
Embora patognomónicos, os sulcos acarinos (lesões cutâneas lineares finas, acastanhadas ou avermelhadas, até 15 milímetros de comprimento) nem sempre são identificáveis, podendo ser ocultados por lesões secundárias (como escoriações, eczematização ou infeção cutânea).
Tipicamente observa-se uma disseminação das lesões cutâneas na região flexora dos punhos, nas regiões digital e interdigital, nas pregas axilares, na cintura e na região periumbilical, genital e glútea, poupando a cabeça e a região plantar em adultos (2) (3).
A variante crostosa caracteriza-se por uma dermatite generalizada com distribuição ampla, descamação extensa, vesículas e crostas, sendo mais frequente em indivíduos imunodeprimidos e idosos/institucionalizados.
Destaca-se pela elevada carga parasitária e presença de escamas ricas em ácaros, o que a torna altamente contagiosa (1) (2) (3) (4).
Os surtos hospitalares surgem frequentemente em consequência do diagnóstico tardio desta variante (5).
Os critérios de consenso da Aliança Internacional para o Controlo da Sarna de 2020 vieram uniformizar o diagnóstico da sarna comum e incluem três níveis representativos de diferentes graus de certeza de diagnóstico (6):
Escabiose confirmada (nível A):
Ácaros, ovos ou fezes vistas ao microscópio em amostra de pele
Ácaros, ovos ou fezes vistas no indivíduo usando videomicroscopia e microscopia confocal
Ácaros vistos com dermatoscópio
Escabiose clínica (nível B):
Sulcos acarinos
Lesões típicas localizadas a nível genital em homens
Lesões típicas com distribuição típica e duas características da história clínica (prurido e contexto epidemiológico)
Suspeita de escabiose (nível C)
Lesões típicas com distribuição típica e uma característica da história clínica (prurido ou contexto epidemiológico)
Lesões atípicas ou distribuição atípica e duas características da história clínica (prurido e contexto epidemiológico)
OBJETIVO
O presente artigo propõe um protocolo de atuação a aplicar em caso de exposição profissional a escabiose e que visa a identificação, controlo e prevenção da transmissão.
É destinado a qualquer profissional de saúde com exposição desprotegida a indivíduos infetados por Sarcoptes scabiei ou material potencialmente contaminado, em contexto ocupacional.
METODOLOGIA
Realizou-se uma revisão da literatura sobre a exposição ocupacional à escabiose disponível em língua portuguesa e inglesa, incluindo artigos científicos, protocolos e guidelines publicadas nos últimos dez anos.
As fontes englobaram Pubmed, UpToDate, World Health Organization e Center for Disease Control and Prevention, recorrendo aos termos “scabies”, “healthcare workers” e “occupational exposure”.
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