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Adesão de mulheres ao tratamento para obesidade com abordagem multicomponente (Estudo NutrirCom)

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A obesidade é um problema de saúde pública mundial, e estratégias como dietas restritivas são tradicionalmente realizadas em prol da diminuição de sua prevalência. No entanto, tais estratégias não têm se mostrado efetivas no que tange à adesão e à sustentabilidade das mudanças propostas. Nesse sentido, abordagens multicomponentes podem ser consideradas uma modalidade terapêutica interessante, uma vez que se pautam em uma compreensão holística sobre a pessoa. Ainda assim, para um bom aproveitamento do tratamento proposto, é imprescindível que os pacientes sejam aderentes a ele. Nesse contexto, a presente pesquisa buscou avaliar a associação entre preditores sociodemográficos, econômicos, clínicos, antropométricos e comportamentais e a adesão de mulheres com obesidade a abordagem multicomponente NutrirCom (AM NutrirCom); bem como analisar as percepções de tais mulheres sobre a abordagem grupal NutrirCom, compreendendo de que modo os sentidos produzidos nas atividades coletivas repercutiram na adesão à terapêutica proposta. Trata-se de um estudo de coorte prospectiva, de ordem secundária, e de métodos mistos (quantitativos e qualitativos) que integra um projeto guarda-chuva intitulado “Avaliação da efetividade de intervenções nutricionais para o cuidado em saúde de mulheres com obesidade em Viçosa-MG”. As participantes do projeto maior foram randomizadas em três braços: G1 (dieta restritiva convencional); G2 (consultas individuais com AM NutrirCom); e G3 (consultas individuais e grupos terapêuticos com AM NutrirCom). A intervenção durou seis meses. Analisou-se a associação entre adesão e preditores econômicos, clínicos, antropométricos e comportamentais. A adesão foi avaliada mediante participação em, no mínimo, 80% das consultas propostas e mediante o tempo até a interrupção ao tratamento. As variáveis foram apresentadas por meio de estatística descritiva e a normalidade avaliada pelo teste Kolmogorov-Smirnov. Foram utilizados testes de hipóteses conforme a distribuição das variáveis: teste t de Student ou Mann-Whitney, teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher. Utilizou-se método de Kaplan–Meier com Log-Rank e Regressão de Cox, usando-se stepwise para identificar preditores independentemente associados e o tempo até a interrupção do tratamento. Foi realizado também observação participante e grupo focal nos grupos terapêuticos, que aconteceram com aquelas mulheres alocadas no G3. Neles, a adesão foi entendida segundo a incorporação de mudanças práticas e sustentáveis das mulheres em seus cotidianos. A análise dos dados foi realizada segundo Bardin e Minayo, com auxílio do software IRaMuTeQ. O estudo maior recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa. No modelo ajustado final da regressão de Cox, G3 apresentou menor risco de interrupção em comparação ao G1. Valores mais elevados de IMC inicial associaram-se a menor risco de interrupção. Mulheres com ensino fundamental completo ou médio apresentaram maior risco de interrupção em relação àquelas com ensino fundamental incompleto. No tocante à análise qualitativa, quatro categorias emergiram do corpus textual: 1) consciência emocional e corporal como fundamento da adesão; 2) o grupo como espaço terapêutico: desafios e potencialidades; 3) a nutrição como ciência de transformação; 4) e desafios e conquistas do cotidiano. Conclui-se que a adesão se revelou um processo multifacetado, e a maior adesão das mulheres com maiores valores de IMC e menor escolaridade, sugere que abordagens pautadas na escuta qualificada e no cuidado centrado na pessoa conseguem transpor barreiras de desigualdades social e clínica, favorecendo a adesão dos grupos mais vulneráveis. No âmbito coletivo, a adesão se mostrou sustentada pela consciência emocional e corporal, pelo fortalecimento de vínculos, pela autoconsciência, pelo envolvimento familiar e a partir do estabelecimento de mudanças cotidianas possíveis. Palavras-chave: facilitadores ; barreiras ; estigma do peso ; práticas circulares ; saúde pública
Pro-Reitoria de Pesquisa e Pos-Graduacai - UFV
Title: Adesão de mulheres ao tratamento para obesidade com abordagem multicomponente (Estudo NutrirCom)
Description:
A obesidade é um problema de saúde pública mundial, e estratégias como dietas restritivas são tradicionalmente realizadas em prol da diminuição de sua prevalência.
No entanto, tais estratégias não têm se mostrado efetivas no que tange à adesão e à sustentabilidade das mudanças propostas.
Nesse sentido, abordagens multicomponentes podem ser consideradas uma modalidade terapêutica interessante, uma vez que se pautam em uma compreensão holística sobre a pessoa.
Ainda assim, para um bom aproveitamento do tratamento proposto, é imprescindível que os pacientes sejam aderentes a ele.
Nesse contexto, a presente pesquisa buscou avaliar a associação entre preditores sociodemográficos, econômicos, clínicos, antropométricos e comportamentais e a adesão de mulheres com obesidade a abordagem multicomponente NutrirCom (AM NutrirCom); bem como analisar as percepções de tais mulheres sobre a abordagem grupal NutrirCom, compreendendo de que modo os sentidos produzidos nas atividades coletivas repercutiram na adesão à terapêutica proposta.
Trata-se de um estudo de coorte prospectiva, de ordem secundária, e de métodos mistos (quantitativos e qualitativos) que integra um projeto guarda-chuva intitulado “Avaliação da efetividade de intervenções nutricionais para o cuidado em saúde de mulheres com obesidade em Viçosa-MG”.
As participantes do projeto maior foram randomizadas em três braços: G1 (dieta restritiva convencional); G2 (consultas individuais com AM NutrirCom); e G3 (consultas individuais e grupos terapêuticos com AM NutrirCom).
A intervenção durou seis meses.
Analisou-se a associação entre adesão e preditores econômicos, clínicos, antropométricos e comportamentais.
A adesão foi avaliada mediante participação em, no mínimo, 80% das consultas propostas e mediante o tempo até a interrupção ao tratamento.
As variáveis foram apresentadas por meio de estatística descritiva e a normalidade avaliada pelo teste Kolmogorov-Smirnov.
Foram utilizados testes de hipóteses conforme a distribuição das variáveis: teste t de Student ou Mann-Whitney, teste qui-quadrado de Pearson ou exato de Fisher.
Utilizou-se método de Kaplan–Meier com Log-Rank e Regressão de Cox, usando-se stepwise para identificar preditores independentemente associados e o tempo até a interrupção do tratamento.
Foi realizado também observação participante e grupo focal nos grupos terapêuticos, que aconteceram com aquelas mulheres alocadas no G3.
Neles, a adesão foi entendida segundo a incorporação de mudanças práticas e sustentáveis das mulheres em seus cotidianos.
A análise dos dados foi realizada segundo Bardin e Minayo, com auxílio do software IRaMuTeQ.
O estudo maior recebeu parecer favorável do Comitê de Ética em Pesquisa com Seres Humanos da Universidade Federal de Viçosa.
No modelo ajustado final da regressão de Cox, G3 apresentou menor risco de interrupção em comparação ao G1.
Valores mais elevados de IMC inicial associaram-se a menor risco de interrupção.
Mulheres com ensino fundamental completo ou médio apresentaram maior risco de interrupção em relação àquelas com ensino fundamental incompleto.
No tocante à análise qualitativa, quatro categorias emergiram do corpus textual: 1) consciência emocional e corporal como fundamento da adesão; 2) o grupo como espaço terapêutico: desafios e potencialidades; 3) a nutrição como ciência de transformação; 4) e desafios e conquistas do cotidiano.
Conclui-se que a adesão se revelou um processo multifacetado, e a maior adesão das mulheres com maiores valores de IMC e menor escolaridade, sugere que abordagens pautadas na escuta qualificada e no cuidado centrado na pessoa conseguem transpor barreiras de desigualdades social e clínica, favorecendo a adesão dos grupos mais vulneráveis.
No âmbito coletivo, a adesão se mostrou sustentada pela consciência emocional e corporal, pelo fortalecimento de vínculos, pela autoconsciência, pelo envolvimento familiar e a partir do estabelecimento de mudanças cotidianas possíveis.
Palavras-chave: facilitadores ; barreiras ; estigma do peso ; práticas circulares ; saúde pública.

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