Search engine for discovering works of Art, research articles, and books related to Art and Culture
ShareThis
Javascript must be enabled to continue!

Prevalência e fatores associados a sintomas ansiosos e depressivos em mulheres privadas de liberdade em Juiz de Fora-MG

View through CrossRef
O sofrimento psíquico e o desenvolvimento de transtornos mentais nas prisões são questões de saúde pública reconhecidas mundialmente. Esta população apresenta pior qualidade na saúde mental em comparação à população geral, sendo os transtornos mentais mais prevalentes a ansiedade e a depressão, com prevalências superiores na população feminina encarcerada. Contudo, são escassos estudos que abordem a temática nesta população específica. Grande parte dos estudos são sobre população encarcerada mista e não trazem dados discriminados por gênero. Objetivou-se identificar a prevalência sintomas ansiosos e depressivos e os fatores associados em mulheres acauteladas com mais de 18 anos idade, nos regimes provisório, fechado e semiaberto em Juiz de Fora-MG. Trata-se de um estudo transversal, do tipo censo, com uma amostra de 99 mulheres. A coleta ocorreu face a face, através de questionário semiestruturado e multidimensional, entre setembro de 2019 e fevereiro de 2020, nas dependências do estabelecimento penal. Os desfechos foram avaliados pelo Patient Health Questionannaire-4 (PHQ-4). Para a análise de associação foi construído um modelo teórico de determinação com três blocos hierarquizados, sendo o bloco 1, mais proximal, composto pelas variáveis sociodemográficas, o bloco 2 composto por variáveis referentes à saúde da mulher privada de liberdade e o bloco 3, mais distal, composto pelas variáveis relacionadas ao encarceramento. Foram estimadas razões de prevalência brutas por meio do teste Qui-quadrado e ajustadas entre si dentro de cada bloco (p ≤ 0,20). Para o modelo final de regressão de Poisson com variância robusta foi adotado p ≤ 0,05. A prevalência de sintomas ansiosos e depressivos foi, respectivamente, de 75,8% (IC95% 66,1% - 83,8%) e 65,7% (IC95% 55,4% - 74,9%). No modelo final, a presença de sintomas ansiosos associou-se à presença de sintomas depressivos, RPajustada (IC95%) = 6,42 (1,96 - 21,06). Já a presença de sintomas depressivos associou-se à faixa etária de 20 a 29 anos, RPajustada (IC95%) = 4,85 (1,48 - 15,87), e à presença de sintomas ansiosos, RPajustada (IC95%) = 12,67 (3,92 - 40,98). Verificou-se alta prevalência dos desfechos. Destaca-se que os desfechos estiveram mutuamente associados. Sendo ambos passíveis de intervenção, ações para diminuir a presença de um dos tipos de sintomas tem potencial para diminuir a presença do outro. É possível pensar que a associação entre a faixa etária de 20 a 29 anos e a presença de sintomas depressivos esteja relacionada ao histórico prévio de desconhecimento e vergonha sobre o próprio quadro, aliados ao subdiagnóstico de transtorno depressivos e o não recebimento de tratamento adequado. Apesar da redução do número de fatores associados aos desfechos no modelo final, foi possível verificar que a presença dos desfechos dialoga com as condições sociodemográficas, de saúde e de encarceramento, a partir das associações verificadas na análise bivariada e nos blocos propostos no modelo de determinação. Este estudo evidencia elementos essenciais para se refletir a respeito da saúde mental de mulheres privadas de liberdade, algo que por vezes é invisibilizado. Assim, tem potencial para subsidiar a elaboração de ações, estratégias e de políticas públicas direcionadas às necessidades em saúde existentes da população do estudo.
Universidade Federal de Juiz de Fora
Title: Prevalência e fatores associados a sintomas ansiosos e depressivos em mulheres privadas de liberdade em Juiz de Fora-MG
Description:
O sofrimento psíquico e o desenvolvimento de transtornos mentais nas prisões são questões de saúde pública reconhecidas mundialmente.
Esta população apresenta pior qualidade na saúde mental em comparação à população geral, sendo os transtornos mentais mais prevalentes a ansiedade e a depressão, com prevalências superiores na população feminina encarcerada.
Contudo, são escassos estudos que abordem a temática nesta população específica.
Grande parte dos estudos são sobre população encarcerada mista e não trazem dados discriminados por gênero.
Objetivou-se identificar a prevalência sintomas ansiosos e depressivos e os fatores associados em mulheres acauteladas com mais de 18 anos idade, nos regimes provisório, fechado e semiaberto em Juiz de Fora-MG.
Trata-se de um estudo transversal, do tipo censo, com uma amostra de 99 mulheres.
A coleta ocorreu face a face, através de questionário semiestruturado e multidimensional, entre setembro de 2019 e fevereiro de 2020, nas dependências do estabelecimento penal.
Os desfechos foram avaliados pelo Patient Health Questionannaire-4 (PHQ-4).
Para a análise de associação foi construído um modelo teórico de determinação com três blocos hierarquizados, sendo o bloco 1, mais proximal, composto pelas variáveis sociodemográficas, o bloco 2 composto por variáveis referentes à saúde da mulher privada de liberdade e o bloco 3, mais distal, composto pelas variáveis relacionadas ao encarceramento.
Foram estimadas razões de prevalência brutas por meio do teste Qui-quadrado e ajustadas entre si dentro de cada bloco (p ≤ 0,20).
Para o modelo final de regressão de Poisson com variância robusta foi adotado p ≤ 0,05.
A prevalência de sintomas ansiosos e depressivos foi, respectivamente, de 75,8% (IC95% 66,1% - 83,8%) e 65,7% (IC95% 55,4% - 74,9%).
No modelo final, a presença de sintomas ansiosos associou-se à presença de sintomas depressivos, RPajustada (IC95%) = 6,42 (1,96 - 21,06).
Já a presença de sintomas depressivos associou-se à faixa etária de 20 a 29 anos, RPajustada (IC95%) = 4,85 (1,48 - 15,87), e à presença de sintomas ansiosos, RPajustada (IC95%) = 12,67 (3,92 - 40,98).
Verificou-se alta prevalência dos desfechos.
Destaca-se que os desfechos estiveram mutuamente associados.
Sendo ambos passíveis de intervenção, ações para diminuir a presença de um dos tipos de sintomas tem potencial para diminuir a presença do outro.
É possível pensar que a associação entre a faixa etária de 20 a 29 anos e a presença de sintomas depressivos esteja relacionada ao histórico prévio de desconhecimento e vergonha sobre o próprio quadro, aliados ao subdiagnóstico de transtorno depressivos e o não recebimento de tratamento adequado.
Apesar da redução do número de fatores associados aos desfechos no modelo final, foi possível verificar que a presença dos desfechos dialoga com as condições sociodemográficas, de saúde e de encarceramento, a partir das associações verificadas na análise bivariada e nos blocos propostos no modelo de determinação.
Este estudo evidencia elementos essenciais para se refletir a respeito da saúde mental de mulheres privadas de liberdade, algo que por vezes é invisibilizado.
Assim, tem potencial para subsidiar a elaboração de ações, estratégias e de políticas públicas direcionadas às necessidades em saúde existentes da população do estudo.

Related Results

PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS
PREVENÇÃO DA TROMBOSE VENOSA PROFUNDA NA GRAVIDEZ PELA ENFERMAGEM NA APS Danilo Hudson Vieira de Souza1 Priscilla Bárbara Campos Daniel dos Santos Fernandes RESUMO A gravidez ...
Sintomas iniciais da COVID–19 e sua relação com a mortalidade em pacientes internados no Paraná
Sintomas iniciais da COVID–19 e sua relação com a mortalidade em pacientes internados no Paraná
Objetivo: analisar os sintomas iniciais da COVID-19 e associar ao óbito de pacientes adultos e pessoas idosas internadas no estado do Paraná. Método: estudo transversal, realizado ...
Desesperança em mulheres privadas de liberdade e sua correlação com sintomas de depressão e ansiedade
Desesperança em mulheres privadas de liberdade e sua correlação com sintomas de depressão e ansiedade
Introduction: Hopelessness is characterized as the subject's negative outlook on the future. Individuals in deprivation of liberty are predisposed to suffering and loss of hope.Obj...
Prevalência e fatores associados à ansiedade e depressão em mulheres adultas privadas de liberdade: revisão integrativa
Prevalência e fatores associados à ansiedade e depressão em mulheres adultas privadas de liberdade: revisão integrativa
Objetivo: identificar a prevalência e fatores associados à ansiedade e depressão em mulheres adultas privadas de liberdade. Métodos: trata-se de uma revisão integrativa, orientada ...
Prevalência de sintomas depressivos e ansiedade em enfermeiros de hospitais de Rio Branco, Acre
Prevalência de sintomas depressivos e ansiedade em enfermeiros de hospitais de Rio Branco, Acre
Objetivo: identificar prevalência de sintomas depressivos e de ansiedade em enfermeiros de três hospitais públicos terciários no município de Rio Branco e seus fatores associados. ...
AVALIAÇÃO DE FATORES DEPRESSIVOS EM DOIS GRUPOS DE IDOSOS: institucionalizados e Universidade Aberta para Maioridade
AVALIAÇÃO DE FATORES DEPRESSIVOS EM DOIS GRUPOS DE IDOSOS: institucionalizados e Universidade Aberta para Maioridade
Resumo: Introdução: O processo de envelhecimento da população é algo frequente em todo o mundo (NOBREGA, et al, 2015). Os idosos no Brasil representam uma população significativa e...
Qualidade de vida, ansiedade e depressão em pacientes oncológicos em quimioterapia e familiares
Qualidade de vida, ansiedade e depressão em pacientes oncológicos em quimioterapia e familiares
Objetivo: Verificar a relação entre qualidade de vida relacionada à saúde e sintomas ansiosos e depressivos de pacientes oncológicos em quimioterapia e familiares. Método: Estudo c...
FATORES ASSOCIADOS AOS SINTOMAS DEPRESSIVOS EM AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
FATORES ASSOCIADOS AOS SINTOMAS DEPRESSIVOS EM AGENTES COMUNITÁRIOS DE SAÚDE
O objetivo do presente estudo foi responder à pergunta “Quais são os fatores associados à prevalência de sintomas depressivos em agentes comunitários de saúde”. É um estudo transve...

Back to Top